Por Jovana Meirelles (@jovanameirelles) e Mateus Moreira (@mateusfeelip)
Apaixonada por futebol desde criança, Karol Dias, lateral-direita do América de 27 anos, trilhou uma longa trajetória no esporte profissional, mas o caminho não foi fácil. Escolhido tantas vezes como presente de Natal, o brinquedo favorito era ela: a bola.
A afinidade com a bola não é de agora – vem desde a infância, quando jogava na rua, na escola, com amigos e familiares em Capim Branco, onde nasceu. Aos 13 anos, Karol entrou para escolinha de futebol e disputou os primeiros campeonatos junto com os garotos e sempre com o apoio da família.
Já, em 2014, quando participou do Campeonato Mineiro pela primeira vez, foi vice-campeã e naquele ano passou por uma seleção para jogar na Ferroviária de Araraquara, tradicional clube de São Paulo, onde começou a trajetória profissional.
“Desde o início acreditei que seria possível e fui atrás de realizar o meu sonho mesmo com todas as dificuldades, com ajuda da minha mãe e familiares que me apoiaram.”, contou Karol Dias à reportagem.
Antes de voltar a Minas Gerais, Karol teve passagem por outros dois clubes. Na temporada 2017, a lateral defendeu as cores do Cresspom,do Distrito Federal,e do 3B da Amazônia, clube de Manaus.
Depois de conquistar o campeonato pelo América em 2018, Karol defendeu as cores do Cruzeiro, em 2019, e voltou a levantar o troféu do Campeonato Mineiro. Quando se mudou para o RB Bragantino, alcançou, finalmente, a projeção nacional. Karol Dias foi campeã da Série A2 do Campeonato Brasileiro em 2021, diante do Atlético, no Independência, casa do América em Belo Horizonte.


O Tricampeonato Mineiro no América
Depois de alguns anos longe de casa, a meio-campista voltou para Minas Gerais em 2018, quando começou uma jornada de sucesso com o América. O time, que havia conquistado dois títulos estaduais consecutivos em 2016 e 2017, não teve o êxito esperado no Campeonato Brasileiro pela Série A2.
Entretanto, em uma final emocionante no Campeonato Mineiro, contra o Ipatinga, com decisão nos pênaltis, a vitória veio. E na cobrança da penalidade decisiva, que consagrou o tricampeonato das Spartanas: Karol Dias. O gol, além de trazer o título, foi um divisor de águas na carreira da atacante.
“Não tivemos o êxito esperado no Brasileiro A2, mas fomos felizes conquistando o título mineiro. O meu primeiro título estadual e melhor ainda por ser honrada com o pênalti decisivo, que está marcado na minha história”, explicou.
Segundo a meio-campista, o ano mágico no América foi fundamental para desenvolver a maturidade necessária para construir sua carreira.
“As novas experiências de campeonatos, lugares e pessoas da primeira passagem, me trouxe uma bagagem com mais maturidade, conhecimento que vem me proporcionando entregar uma melhor performance se comparado a primeira passagem pelo clube.

De 2018 a 2023: o que mudou?
O futebol feminino vem em constante crescimento e isso conta com influência direta do apelo do público. Na edição anterior, a diferença foi significativa. Disputada no Mineirão, a final do torneio contou com de 7.829 torcedores presentes, mais que o dobro da final de 2021, também realizada no Gigante da Pampulha.
Somando as plataformas Eleven/FMF, Itatiaia, Cruzeiro TV e Galo TV, o clássico entre Atlético e Cruzeiro contou com mais de 400 mil visualizações. Para Karol, este crescimento impacta diretamente no cenário atual.
“Muita coisa mudou e que bom. Desde visibilidade, patrocinadores, estruturas físicas e financeiras oferecidas pelos clubes e federações… Tudo isso evoluiu dos anos anteriores para hoje, que fortalece o cenário da modalidade e que nos dão melhores condições de apresentar um bom futebol para os torcedores e telespectadores”, avaliou a jogadora do América.
Após o título do Coelho, o Estadual teve apenas dois campeões diferentes em quatro temporadas: Cruzeiro (2019) e Atlético (2020, 2021 e 2022). No entanto, o grande destaque é a projeção que o Campeonato Mineiro tomou desde então. A finalíssima da competição, por exemplo, é disputada no Mineirão, o maior palco de Minas Gerais, desde 2020.
Karol ainda explica que o bom desenvolvimento do Campeonato Mineiro Feminino também traz novas exigências.
“Quanto ao Campeonato Mineiro essa evolução vem presente na alta performance das equipes, que ganharam forma ano a ano. Tudo isso exige cada vez mais a disciplina e o profissionalismo para a sequência das temporadas.”

Tendo em vista sua passagem por times paulistas, como o RB Bragantino, Karol percebe uma qualidade superior no Campeonato Paulista em comparação com o Campeonato Mineiro.
“Hoje, a maior diferença seria a quantidade de equipes que disputam os estaduais. E [em São Paulo] a maioria das equipes já disputa os campeonatos nacionais, o que eleva a qualidade da competição. Há também um paralelo na competição que proporciona às equipes não classificadas a continuidade do calendário mantendo as equipes em atividade.”
A busca pelo tetracampeonato
As novas aventuras, que trouxeram o primeiro título nacional da galeria pessoal, também foram fundamentais para o amadurecimento de Karol Dias.
“As novas experiências de campeonatos, lugares e pessoas da primeira passagem, me trouxeram uma bagagem com mais maturidade, conhecimento que vem me proporcionando entregar uma melhor performance se comparado à primeira passagem pelo clube.”

Coletivamente, o América vem de um bom desempenho na Série A2 do Brasileirão Feminino. As Spartanas chegaram às semifinais da competição e garantiram o acesso na primeira divisão da categoria em 2024.
“Evoluímos muito desde o início da temporada, e estamos trabalhando dia a dia com foco total em trazer novamente o título estadual para o América. Nossa campanha no campeonato nacional trouxe ainda mais confiança e condições de buscar o título, temos um elenco focado, que trabalha muito e acredita que é possível.”