Brasileiro Feminino retornou no começo de junho após pausa para Data Fifa; entenda as situações de Atlético, Cruzeiro e América na competição
Por Rafael Cyrne (@rafacyrne)
A Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino caminha para a reta final. Representantes de Minas Gerais, Atlético, Cruzeiro e América vivem situações contrastantes na competição e lutam por objetivos distintos.
De sábado (15/6) até segunda-feira (17/6), será disputada a 13ª rodada do Brasileiro Feminino. Restarão, portanto, apenas mais duas para o fim da primeira fase da competição – além dos jogos atrasados de rodadas passadas. O Galo jogou neste domingo contra o Avaí Kindermann, na Arena Gregorão, em Contagem, perdeu por 2×1. A Raposa entrou em campo no mesmo dia e horário – perdeu para o Grêmio por 1×0, no SESC Protásio Alves, em Porto Alegre. O Coelho, por sua vez, também perdeu para o Fluminense nesta segunda-feira (17/6), por 1×0.
Enquanto o Atlético faz campanha desastrosa e já está matematicamente rebaixado, Cruzeiro e América estão bem posicionados e brigam pela classificação para as quartas de final do Brasileiro. Entenda a situação de cada um no campeonato.

Situação do Atlético
A situação do Atlético é dramática. Lanterna do Brasileiro Feminino, o time alvinegro ainda não venceu na competição e tem apenas um ponto – disputou 12 jogos, perdeu 11 e empatou um. Mesmo com um jogo a menos, o Galo já está matematicamente rebaixado e, mesmo que vença os três jogos restantes, não tem mais chance de sair da zona de rebaixamento.
O Galo tem o pior ataque do torneio – marcou apenas 8 gols em 10 jogos -, e tem a pior defesa do campeonato disparada – sofreu 40 gols, média superior a três por partida. Com o rebaixamento, a equipe alvinegra tem apenas o Campeonato Mineiro 2024 para disputar nessa temporada, com previsão de início para setembro.
Três derrotas ‘acachapantes’ marcam a trajetória do Atlético
- Atlético 0 x 4 Cruzeiro, pela sexta rodada, no Sesc Venda Nova – o clássico foi disputado sem torcida. O Galo vinha mandando os jogos no Estádio Castor Cifuentes, em Nova Lima, onde recebia torcida, mas decidiu jogar a partida contra o maior rival no Sesc, local que não pode receber torcedores por não ter laudo de segurança
- América 6 x 0 Atlético, pela quinta rodada, na Arena Gregorão
- São Paulo 6 x 0 Atlético, pela nona rodada, no Centro de Treinamento do São Paulo em Cotia (SP)
2023 do Atlético teve denúncia por condições precárias de treino
O 2023 do Galo feminino já havia sido conturbado. Dentro de campo, luta contra o rebaixamento no Brasileiro (se salvou no final) e derrota para o Cruzeiro na final do Mineiro, que colocou ponto final na sequência de três títulos consecutivos alvinegros. Fora de campo, graves denúncias: em dezembro, jogadoras relataram ao ge.globo as condições precárias de treino às quais eram submetidas na Arena Santa Cruz, campo público de futebol amador em Belo Horizonte. Elas reclamaram do estado do gramado, sintético no estilo “society”, muito duro e fora dos padrões profissionais, da estrutura do entorno e relataram até que o Atlético não fornecia toalhas para as atletas após os treinos.
As jogadoras revelaram que evitavam usar os vestiários, pois o vaso era muito sujo. A Arena Santa Cruz recebe partidas de futebol amador e peladas, e era usada como local de treino das Vingadoras porque o gramado da Vila Olímpica, clube social do Atlético, estava em reforma. Elas não utilizavam as dependências da Cidade do Galo, CT do time principal masculino e da base masculina, que conta com oito gramados, academia, refeitório e estrutura de hotel.
Em março deste ano, pouco antes do início da temporada, o Atlético apresentou a nova estrutura de treinamento do time feminino na Vila Olímpica. Desde então, as Vingadoras treinam lá, e esporadicamente realizam atividades na Cidade do Galo.
2024 de mudanças frequentes dentro e fora de campo
O Atlético trocou quase todo o elenco para 2024 – contratou mais de 20 atletas, parte delas sem experiência na Série A1, e manteve apenas sete, a maioria proveniente da base do clube – que foi desligada em janeiro deste ano e “refundada” em fevereiro por meio de parceria com o projeto social “Futebol é vida”, para a disputa do Brasileiro Sub-20. O clube também trouxe nove técnico: Antony Menezes, que comandava o Vasco, time que foi rebaixado para a Terceira Divisão no ano passado.
Antony deixou o Galo pouco mais de um mês após a contratação. Ele não resistiu à pressão após a goleada por 4 a 0 sofrida para o Cruzeiro e foi demitido. Desde então, o auxiliar Bruno Proton ocupa o cargo de treinador interino.
A coordenação técnica das Vingadoras também sofreu mudanças neste ano. No dia 8 de abril, Januária Salles, que estava no clube desde agosto de 2023, pediu demissão. Raphael Milenas, ex-Vasco, foi contratado para substituí-la. 10 dias depois, no entanto, ele foi demitido, junto com o técnico Antony Menezes.
Em maio, o clube contratou Ricardo Guedes, ex-executivo de futebol do FutGol, equipe semiprofissional de Belo Horizonte, para assumir a coordenação técnica do futebol feminino.

Situação do Cruzeiro
A situação do Cruzeiro é bem diferente. A equipe celeste está bem colocada na briga pela classificação para as quartas de final do Brasileiro Feminino: ocupa o quinto lugar (os oito primeiros avançam), com 21 pontos conquistados em 13 jogos.
A Raposa está abaixo do Palmeiras, que ocupa o quarto lugar com 22 pontos, que joga o clássico contra o São Paulo hoje, às 16h.
O Cruzeiro tem o quinto melhor ataque do Brasileiro, com 22 gols marcados em 13 partidas – média de quase dois por jogo – e uma sólida defesa – sofreu 13 gols em 13 jogos, média de um gol por partida.
Destaque de Seleção
A jogadora de maior destaque da campanha da Raposa é Byanca Brasil. A camisa 10 participou de mais da metade dos 20 gols das Cabulosas no torneio: marcou seis deles e deu cinco assistências. Ela é a terceira maior artilheira do campeonato, empatada com Victória Albuquerque, meia do Corinthians, e a segunda maior assistente.
Em grande fase desde que chegou ao clube, em junho de 2023, contratada junto ao Palmeiras, Byanca se consolidou como uma das melhores atacantes do Brasil. O ótimo desempenho dela pelas Cabulosas foi coroado no dia 10 de maio, quando foi convocada para defender a Seleção Brasileira principal em dois amistosos contra a Jamaica.
Sucesso do projeto é reflexo do protagonismo feminino na gestão
A boa campanha do Cruzeiro no Brasileiro Feminino é reflexo de trabalho bem estruturado de longo prazo, comandado por duas mulheres – algo incomum no Brasil, que, mesmo entre os principais times de futebol feminino, ainda conta com predominância masculina em cargos administrativos. Barbara Fonseca é a coordenadora do projeto das Cabulosas há mais de cinco anos, e Kin Saito, diretora de futebol, está no clube há mais de dois anos.
Outro aspecto que é incomum no cenário do futebol feminino brasileiro mas está presente no Cruzeiro é o uso da mesma estrutura de treinamento do time masculino: a Toca da Raposa 2.
A ascensão da Raposa no futebol feminino é visível: subiu para a elite em 2019, conseguiu se manter em 2020, 2021 e 2022, avançou às quartas de final em 2023 (e, de quebra, voltou a conquistar o título do Mineiro, em cima do tricampeão consecutivo Atlético) e, em 2024, foi vice-campeã da Supercopa do Brasil e está bem colocada para chegar às quartas de final mais uma vez, principal meta da temporada.

Situação do América
Na Série A1 do Brasileiro Feminino pela primeira vez, o América vem fazendo boa campanha: ocupa o oitavo lugar, o último da zona de classificação para as oitavas de final, com 18 pontos – cinco vitórias, três empates e quatro derrotas em 12 jogos.
A permanência na elite, objetivo primário do clube para a primeira temporada na elite, já está assegurada: o Coelho tem 15 pontos a mais que o Avaí Kindermann, 15º colocado, o primeiro time da zona de rebaixamento, e não pode mais ser alcançado, já que só há mais nove pontos em disputa para o time mineiro e o time catarinense.
O América tem o sexto melhor ataque do Brasileiro, com 21 gols marcados em 12 jogos (média de quase dois por partida), e a sétima pior defesa, com 16 gols sofridos.
Destaque de Seleção
A principal destaque da boa campanha do Coelho é a goleira Tainá. Ela chegou ao clube neste ano, após sete anos no Corinthians. Na equipe paulista, foi multicampeã: venceu duas Copas Libertadores, cinco Campeonatos Brasileiros e uma Supercopa do Brasil.
Tainá esteve presente nas últimas duas convocações do técnico Arthur Elias para a Seleção Brasileira: ela foi chamada em abril, para a disputa do Torneio SheBelieves Cup, nos Estados Unidos, e em maio, para a disputa de dois amistosos contra a Jamaica.
Ascensão também é reflexo de protagonismo feminino na gestão
A ascensão do América também é reflexo de planejamento de longo prazo feito sob o comando de uma mulher: Luiza Parreiras, que coordena o futebol feminino do Coelho desde 2019. A gestão dela trouxe mudanças e novas metas que, aliadas com o aumento dos investimentos feitos pelo clube, culminaram na melhora dos resultados esportivos, com o acesso à elite e a possibilidade de disputar as quartas de final da Série A1 logo no primeiro ano.
