Com apenas time masculino classificado, seleção brasileira de basquete encara “Dream Team” de Lebron e companhia 

Basquete promete jogos históricos com seleção brasileira masculina no “grupo da morte” e “Dream Team” defendendo o legado americano

Por Maria Luiza Moura (@malumouraf)

A fase de grupos do basquete começa neste sábado (27) e vai até 3 de Agosto, prometendo movimentar as quadras de Paris. As 12 equipes masculina e feminina estão distribuídas em três grupos de quatro e jogam três rodadas na primeira fase. As oito melhores equipes seguem para o mata-mata, que terá quartas de final, semifinal e a grande final no dia 8 de agosto. O Brasil está no Grupo B, considerado um dos mais difíceis, com as seleções da França, que joga em casa, Alemanha, atual campeã mundial, e Japão. A seleção brasileira de basquete estreia contra a poderosa França de Victor Wembanyama, Rudy Gobert e companhia no primeiro sábado da competição, 27 de julho, às 12h15. A Revista Marta preparou um resumo com os detalhes mais importantes da modalidade para te preparar para a maratona de jogos dos próximos dias. 

Resumo sobre a modalidade 

A primeira aparição do basquete nas Olimpíadas foi como esporte de exibição nos jogos de St. Louis em 1904. Apareceu pela primeira vez como um evento do campeonato norte-americano de basquete e tinha apenas a participação de equipes do país. A modalidade masculina tornou-se esporte Olímpico oficial na edição de Berlim em 1936, enquanto o basquete feminino foi inserido no programa Olímpico pela primeira vez 40 anos depois, nos Jogos de Montreal em 1976. 

O basquete é um esporte praticado por duas equipes de cinco jogadores em uma quadra retangular coberta com um aro suspenso de até 3,05m do chão. As partidas Olímpicas de basquete são divididas em quatro períodos de 10 minutos. Diferentemente da NBA, onde os períodos têm 12 minutos de duração. Ao todo, 12 equipes masculinas e 12 femininas competirão no basquete em Paris 2024. 

Historicamente, os Estados Unidos são dominantes no esporte que inventaram. São os maiores campeões olímpicos no basquete masculino e feminino, com 16 e 9 títulos, respectivamente. Os norte-americanos não venceram em apenas 3 edições: 1972, quando foi medalha de prata, e em 1998 e 2004 quando ficou com o bronze. Já as americanas não perdem desde 1992, para as antigas repúblicas soviéticas. Desde então venceram as últimas sete edições e em Paris podem bater o recorde de mais títulos consecutivos. Ambas as seleções foram ouro nas olimpíadas de Tóquio 2020 e seguem sendo as favoritas.

Após a criação do esporte nos Estados Unidos, o basquete se expandiu pelo mundo e hoje é popular em muitos países, como a Espanha, França, Sérvia e Alemanha. Apesar da hegemonia americana, criadores da NBA, maior campeonato da modalidade no mundo, a Liga Endesa, como é chamada a liga espanhola de basquetebol, vem crescendo significativamente e a Seleção Espanhola ocupa o 2° lugar no ranking da FIBA, Federação Internacional de Basquete. Seleções como Alemanha e França também chegam fortes para essa edição. 

A equipe masculina do Brasil chegou ao pódio três vezes, com medalhas de bronze (1948, 1960 e 1964). Já o feminino chegou ao pódio duas vezes, com uma medalha de prata, em 1996, e uma de bronze, em 2000. A seleção feminina de basquete do Brasil não se classificou para os Jogos Olímpicos de Paris 2024. No entanto, a masculina garantiu uma vaga no Grupo B, considerado um dos mais difíceis, com as seleções da França, que jogam em casa, Alemanha, atual campeã mundial, e Japão. O time brasileiro conta com dois destaques, o jogador Yago Mateus do Estrela Vermelha e o jovem promissor Guilherme Santos, atleta do  Golden State Warriors.

Três atletas da seleção brasileira de basquete masculina, primeiros medalhistas em esportes coletivos do Brasil em Londres 1948. Foto: Divulgação/Instagram Basquete Brasil CBB

Grupo feminino para a edição olímpica de Paris 2024: 

Grupo A: Sérvia, Espanha, República Popular da China, Porto Rico

Grupo B: Canadá, Nigéria, Austrália, França

Grupo C: Alemanha, Estados Unidos, Japão, Bélgica

Grupo masculino para a edição olímpica de Paris 2024:

Grupo A: Austrália, Grécia, Canadá, Espanha

Grupo B: França, Alemanha, Japão, Brasil

Grupo C: Sérvia, Sudão do Sul, Porto Rico, Estados Unidos

Campeões olímpicos do século XXI:

Masculino:

  • Tóquio (2020) – Estados Unidos
  • Rio (2016) – Estados Unidos
  • Londres (2012) – Estados Unidos
  • Pequim (2008) – Estados Unidos
  • Atenas (2004) – Argentina
  • Sydney (2000) – Estados Unidos

Feminino: 

  • Tóquio (2020) – Estados Unidos
  • Rio (2016) – Estados Unidos
  • Londres (2012) – Estados Unidos
  • Pequim (2008) – Estados Unidos
  • Atenas (2004) – Estados Unidos
  • Sydney (2000) – Estados Unidos

Resultados do último ano 

Nos últimos anos, o basquete feminino norte-americano continuou se destacando, as atletas venceram pela 11° vez o mundial, em 2022. Já no masculino, o mundial teve um vencedor inédito, a seleção alemã de basquetebol bateu a poderosa Sérvia em 2023 e se consagrou campeã mundial. O Brasil possui 3 títulos mundiais na história, dois pela seleção masculina (1959 e 1963) e um pela feminina (1994).

Atletas da seleção feminina de basquete americano em jogo amistoso para as Olimpíadas. Foto: Divulgação/Instagram USA Basketball

No Pré-Olímpico, o Brasil derrotou a Letônia na final e voltou ao torneio masculino de basquete dos Jogos Olímpicos após oito anos da Rio 2016, sua última participação. Além do Brasil, países como Grécia, Espanha e Porto Rico também conseguiram vagas para Paris em 2024. 

No feminino, das quatro seleções que estavam disputando o Pré-Olímpico, realizado em Belém, as três melhores ficariam com a vaga para as Olimpíadas. São elas, Austrália, Sérvia e Alemanha. O time feminino do Brasil perdeu para a Alemanha e ficou fora do torneio. 

E o Brasil? 

A seleção masculina de basquete venceu a Letônia na final do Pré-olímpico e se classificou para as Olimpíadas após oito anos. Com 12 atletas convocados ( Marcelo Huertas, Yago Mateus, Raul Neto, George de Paula, Vitor Benite, Léo Meindl, Guilherme Santos, Didi Louzada, Bruno Caboclo, João Marcelo, Lucas Dias e Cristiano Felício) o Brasil está no Grupo B,considerado o mais difícil, conta com as seleções da França, que jogará em casa,  Alemanha, última campeã mundial e Japão. 

Seleção brasileira masculina de basquete reunida junto da comição tecnica em Paris para os Jogos Olímpicos. Foto: Divulgação/Instagram Basquete Brasil CBB

O time masculino chegou às Olimpíadas sem patrocinador. O site de apostas Galera.bet, que ainda tem contrato com a Confederação Brasileira de Basquete (CBB), não repassa os valores do patrocínio desde janeiro.

Nesse século, a seleção masculina só participou dos jogos duas vezes, uma em casa e em Londres 2012. A seleção já tem três medalhas olímpicas, mas todas foram no meio do século passado (bronze em 1948, 1960 e 1964). Em 2016 o time brasileiro ficou em 9° lugar. 

Apesar do Brasil já ter tido bons tempos no basquete mundial, chegando ao pódio duas vezes, com uma medalha de prata, em 1996, e uma de bronze, em 2000, o atual time feminino de basquete perdeu no Pré-olímpico e não conseguiu vaga para Paris 2024.

Destaques da modalidade 

O grande destaque do basquete nesta edição dos Jogos Olímpicos é o novo “Dream Team” americano. O novo time dos sonhos foi montado após a decepcionante campanha dos Estados Unidos no último mundial em 2023, com atletas alternativos e sem nomes de peso como Lebron James e Stephen Curry, as grandes estrelas do basquete para Paris 2024. 

A seleção americana é a equipe de basquete de maior eficiência nas competições olímpicas, conquistando medalhas em todas as 19 edições que participou, contando 16 medalhas de ouro. 

Com o retorno do Dream Team e a possibilidade de ver uma das maiores rivalidades entre atletas dos últimos anos no esporte jogando juntos, as expectativas sobre o King Lebron e Chef Curry são altas. Além dos novos destaques em ascensão, como o campeão da última temporada da NBA, o promissor Jason Tatum e o jovem de 22 anos Anthony Edwards. Para o fã apaixonado pela modalidade, essa tem tudo para ser uma edição de cinema, já que há ainda a possibilidade de Paris 2024 ser a última Olimpíada de Lebron James, Stephen Curry e Kevin Durant, lendas da história do basquete.   

Stephen Curry (à esquerda) batendo na mão de Lebron James (à direita) em fato dos amistosos da seleção americana de basquete. Foto: Divulgação/Instagram USA Basketball

Os convocados do Dream Team para Paris 2024:

Anthony Davis (Los Angeles Lakers); Anthony Edwards (Minnesota Timberwolves); Bam Adebayo (Miami Heat); Devin Booker (Phoenix Suns); Jayson Tatum (Boston Celtics); Joel Embiid (Philadelphia 76ers); Jrue Holiday (Boston Celtics); Kawhi Leonard (Los Angeles Clippers); Kevin Durant (Phoenix Suns) ; LeBron James (Los Angeles Lakers); Stephen Curry (Golden State Warriors); Tyrese Haliburton (Indiana Pacers). 

Curiosidades do basquete 

  • O basquetebol foi inventado pelo professor de Educação Física canadense James W. Naismith (1861-1940) da Escola de Treinamento Internacional da ACM (Associação Cristã dos Moços) em Springfield, EUA , em dezembro de 1891, com o intuito de manter seus alunos em forma durante o inverno. Muitas das regras do jogo que ele criou ainda se aplicam atualmente. 
  • A entrada definitiva do basquete na competição foi em 1936, nas Olimpíadas de Berlim. Naquele ano, o próprio James Naismith, criador da modalidade, jogou a bola ao alto pela primeira vez, marcando a entrada oficial do esporte nos Jogos.
  • Somente duas seleções subiram ao lugar mais alto do pódio no basquete feminino, os Estados Unidos e a antiga União Soviética. 
  • O basquete foi um dos primeiros esportes a aceitar a presença de profissionais, embora os Estados Unidos só começassem a mandar atletas da NBA em 1992.
  • Os Estados Unidos fizeram história nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 com o “Dream Team” formado por lendas da NBA, conquistando o ouro depois de vencerem todos os jogos com uma vantagem média de 40 pontos.
  • Em Paris 2024, a equipe de basquete do Sudão do Sul disputa pela primeira vez uma Olimpíada.
  • Com 1.093 pontos, o brasileiro Oscar Schmidt é o maior cestinha da história do basquete nos Jogos Olímpicos. Além de ser o atleta que fez mais lances livres e cestas de dois e três pontos.
Oscar Schmidt jogando basquete nas olimpíadas de Seul 1988, onde fez 55 pontos, recorde da modalidade. Foto: Divulgação/Instagram Basquete Brasil CBB
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Autor: coberturaparis2024

Turma de 31 estudantes de Comunicação da UFMG que integram a parceria entre a Revista Marta e a Rádio UFMG para a cobertura dos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.

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