Do Rio 2016 a Paris 2024: O alto crescimento do Brasil na ginástica de trampolim

Por Mayra Emanuelle Santana Barbosa (@may___esb)

Por ser o país sede, o Brasil conquistou uma vaga no masculino de ginástica de trampolim em 2016, pela primeira vez na história das Olimpíadas. Rafael Andrade, ginasta selecionado, teve um desempenho controlado, porém acabou ficando em décimo quinto lugar nas classificatórias e foi eliminado. Agora, em 2024, as ginastas Camilla Lopes Gomes, Alice Gomes e o ginasta Rayan Dutra estão fortemente capacitados para deixar sua marca a mais de 10 metros acima do chão no dia 2 de agosto (sexta), na Arena de Bercy.

Resumo sobre a modalidade

A ginástica num geral já existia antes, assim como o uso do trampolim na prática circense. Em 1936, George Nissen resolveu usar essas camas elásticas de circo para aprimorar a ginástica na criação da modalidade do trampolim, nos Estados Unidos. O esporte ingressou na Federação Internacional de Ginástica (FIG) em 1998 e tornou-se modalidade fixa nas Olimpíadas de Sidney, em 2000. O trampolim acrobático começou a ser praticado no Brasil em 1975, onze anos após a primeira competição mundial oficial. O responsável pela organização dos primeiros campeonatos foi o professor de educação física José Martins de Oliveira Filho.

Os critérios de pontuação das provas individuais são sobre tempo de voo e técnicas de giro. Os atletas devem realizar apresentações com saltos de oito metros de altura e dez elementos na performance, que são: Front (mortal para frente); Front Full (mortal para frente com uma pirueta); Full (mortal para trás com uma pirueta); Back (mortal para trás); Barani (mortal para frente com meia volta); Cody (mortal para trás partindo da posição frontal); Side (mortal de lado); Round-off (rodante); Handspring (salto com as mãos para trás, ou “flic”); e Wipe-out (queda). São avaliados no grau de dificuldade de execução e tempo de voo. 

Últimos campeões olímpicos

Tóquio (2020)

  • Xueying Zhu da China (feminino)
  • Ivan Litvinovich da Bielorrússia (masculino)

Rio (2016)

  • Rosannagh MacLennan do Canadá (feminino)
  • Uladzislau Hancharou da Bielorrúsia (masculino)

Londres (2012)

  • Rosannagh MacLennan do Canadá (feminino)
  • Dong Dong da China (masculino)

Resultados do último ano

A dupla chinesa Xueying Zhu e Lingling Liu em ouro e prata e a estadunidense Bryony Page em bronze. No masculino, o bielorruso Ivan Litvinovich levou ouro, o chinês Dong Dong levou prata e o neozelandês Dylan Schmidt levou o bronze. Brasil não esteve no top 10 nem no feminino, nem no masculino.

Brasil tem classificados?

A vaga de Alice foi conquistada na Copa do Mundo de Ginástica de Trampolim de 2023. Ela ganhou medalha de prata no desempenho individual, em Alkmaar. No ranking da FIG, ela ficou em sexto lugar, garantindo o Brasil no feminino de Paris 2024. Camilla ficou com a vaga, por conta de suas altas avaliações no individual. Em dupla, Alice e Camila são top 1 no ranking e ganharam prata na Copa Pan-Americana, mas nas olimpíadas apenas a prova individual é disputada.

Alice Gomes (Esquerda) e Camilla Lopes Gomes (Direita) na Copa Pan-americana de Santiago 2023. Fonte: CBG.

Rayan Dutra cresceu exponencialmente desde as competições juvenis, nacionais e continentais. Com o bronze das práticas em dupla no Pan-Americano de Santiago, junto do ginasta Lucas Tobias ano passado, e seu desempenho individual na semifinal do mundial em Cottbus ainda este ano, Rayan assegurou sua vaga, sendo um dos 24 melhores atletas da etapa, sem sequer precisar ir às finais.

Rayan Dutra nas semifinais da Copa do Mundo de Ginástica de Trampolim em Cottbus, em 2023. Fonte: CBG.

Brasil tem candidatos a medalha?

Camilla Lopes Gomes é a atleta mais experiente dessa modalidade representando o Brasil nas Olimpíadas em Paris, mesmo sendo a primeira vez da carioca nos jogos olímpicos. Camilla de início treinou na ginástica artística, mas se encontrou no trampolim, modalidade menos conhecida do esporte e última a entrar no cronograma das olimpíadas. Já Alice e Rayan, ambos mineiros, foram treinados inicialmente pela equipe do Minas Tênis Clube e já vinham conquistando uma ótima colocação no ranking da Federação Internacional de Ginástica (FIG) desde os campeonatos juvenis. 

Destaques da modalidade

Xueying Zhu e Ivan Litvinovich, devido seus resultados na última Olimpíada e pontuações nos campeonatos continentais e globais de ginástica, são os destaques da modalidade. Desde Tóquio 2020, Xueying ganhou 3 medalhas (duas de ouro e uma de prata) em campeonatos mundiais e uma de ouro no Campeonato Asiático em Hangzhou, em 2022. Ivan ganhou bronze no mundial de Baku e ouro no Campeonato Europeu em Sochi, em 2021. Outro que cresceu bastante nos últimos anos foi Dylan Schmidt, que ganhou prata no mundial de Palm Beach em 2023.

Alice e Camilla, no individual, conquistaram medalhas nas etapas do mundial no ano passado. Como dupla, ganharam prata em Palm Beach. Rayan é o top 1 no masculino brasileiro e ganhou prata e bronze nos Pan-Americanos do ano passado, então o time brasileiro tem grandes expectativas.

As provas de qualificação iniciarão no dia 2 de agosto, às 7 h.

Curiosidades da ginástica de trampolim

Antes de ser um esporte olímpico, a ginástica de trampolim foi muito usada como treinamento para astronautas e militares norte-americanos, soviéticos e franceses, para, além de fortalecer a musculatura, garantir resistência ao enjoo, devido aos fundamentos de giros e saltos. O treinamento foi substituído pelos simuladores nos anos oitenta. O trampolim acrobático ia até ser introduzido às Olimpíadas na Moscou 1980, contudo, por conta de uma ginasta ter se acidentado e ficado paraplégica na mesma época, esse evento foi adiado, até Sydney 2000.

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Autor: coberturaparis2024

Turma de 31 estudantes de Comunicação da UFMG que integram a parceria entre a Revista Marta e a Rádio UFMG para a cobertura dos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.

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