Por Isabela Fernandes
Após ficar de fora do pódio nos Jogos de Tóquio pela primeira vez desde a estreia da modalidade, o Brasil chega forte nas Olimpíadas de Paris e promete conquistar medalhas em ambas as categorias. Disputado na Arena Torre Eiffel, montada aos pés do principal ponto turístico da França, o vôlei de praia começa neste sábado (27) e terá jogos todos os dias até 10 de agosto.
O formato da competição será o mesmo de 2021. São seis grupos de quatro equipes, as duas melhores avançam para as oitavas e os dois melhores terceiros colocados jogam a repescagem. Posteriormente, as etapas são disputadas em jogo único até a final. As duplas que representarão o Brasil são Duda e Ana Patrícia, primeiras colocadas no ranking mundial, e Carol Solberg e Bárbara Seixas, no feminino. Pelo masculino, André e George e Evandro e Arthur Lanci defenderão as cores verde e amarela e a Revista Marta te conta o que esperar de cada uma das equipes.

Etapa Elite de Brasília do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia Da esquerda para direita, em pé: Evandro, Ana Patrícia, Arthur Lanci, George e André. Abaixada, Duda Lisboa. Foto: Robson Nogueira / Publik / CBV
Resumo sobre a modalidade
Foi na praia de Santa Mônica, na Califórnia, EUA, por volta da década de 1920, que o vôlei de praia teve suas origens. O primeiro Campeonato Mundial da modalidade foi disputado em 1987, na praia de Ipanema, e sua primeira aparição nos Jogos Olímpicos foi em 1996, em Atlanta, sendo a primeira variação de uma modalidade coletiva a estrear em Olimpíadas.
O Brasil é uma potência do esporte, possuindo 13 medalhas olímpicas, somadas as conquistas das categorias masculina e feminina. São três ouros, conquistados por Jaqueline Silva e Sandra Pires em Atlanta 1996, Ricardo e Emanuel em Atenas 2004, e Alison Cerutti e Bruno Schmidt nos jogos do Rio, em 2016. Além do Brasil, os Estados Unidos são o único país que possui mais de 10 medalhas na modalidade, sendo sete delas de ouro. Bem mais atrás se encontram Alemanha e Austrália, com três medalhas cada.
No vôlei de praia, diferente da modalidade disputada em quadra, os dois primeiros sets são disputados em 21 pontos e, em caso de empate, o terceiro set se encerra em 15 pontos.
Últimos campeões olímpicos:
- April Ross e Alexandra Klineman (EUA): Tóquio 2021
- Laura Ludwig e Kira Walkenhors (ALE): Rio 2016
- Kerri Walsh e Misty May (EUA): Londres 2012
- Anders Mol e Christian Sorum(NOR): Tóquio 2021
- Alison Cerutti e Bruno Schmidt (BRA): Rio 2016
- Julius Brink e Jonas Reckermann (ALE): Londres 2012
Resultados no último ano:
No último campeonato mundial, Duda e Ana Patrícia chegaram à final e foram derrotadas pelas estadunidenses Cheng e Hughes. No campeonato anterior, a dupla brasileira foi campeã. Já na competição Beach Pro Tour Elite 16, na parte realizada no segundo semestre de 2023, a dupla conquistou os três primeiros lugares em cinco etapas disputadas.
Em um recorte mais recente, nas etapas de 2024, disputadas no Brasil, em Portugal, e na República Tcheca, Duda e Ana Patrícia terminaram em primeiro, quinto e quarto lugares, respectivamente.
Bárbara e Carol conquistaram a medalha de ouro na etapa de Doha do Elite 16 do Circuito Mundial de Vôlei de Praia de 2024 e se classificaram para os Jogos Olímpicos durante a etapa do Circuito Mundial em Tepic, no México, ao vencer as alemãs Ittlinger e Borger pelas quartas de final. No Mundial de 2023, a dupla foi eliminada na fase pré-oitavas de final pelas também brasileiras Tainá e Victória, que atualmente não jogam mais em dupla.
No mundial de 2023, realizado no México, nenhuma dupla brasileira masculina conquistou medalhas. O pódio acabou formado pelos checos Perušič e Schweiner, os suecos Åhman e Hellvig e os poloneses Łosiak e Bryl, sextos, primeiros e décimo primeiros colocados no ranking, respectivamente.
As últimas medalhas do Brasil na modalidade foram no Mundial de 2022, na qual a dupla composta por Renato Lima e Vitor Felipe conquistou a medalha de prata, e André e George ficaram com o bronze. Vitor e Renato não conseguiram uma vaga para os Jogos de 2024 pois atualmente estão no 29º lugar do ranking mundial, e somente as 17 primeiras duplas se classificam.
Qual a previsão de medalhas para as duplas brasileiras?
A equipe número 1 no ranking mundial é forte candidata à conquista da medalha de ouro, enquanto Carol e Bárbara, quintas colocadas, devem brigar pelo pódio, podendo proporcionar uma dobradinha brasileira em Paris. A última vez que isso aconteceu na modalidade feminina foi em Sydney, 24 anos atrás, com Adriana Behar e Shelda Bedê com a prata e Adriana Samuel e Sandra Pires com o bronze.
Duda (esquerda) e Ana Patrícia (direita) na terceira fase do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia Bet7k Foto: Dhavid Normando/cbv.com.br
André e George também são candidatos à medalha de ouro. Em 2024, eles conquistaram um lugar no pódio em todas as cinco etapas da Beach Pro Tour e foram medalhistas no Mundial de 2022.
Já Evandro e Arthur ficaram na quinta colocação em ambas etapas da BPT disputadas em junho e julho de 2024, e também podem aparecer no pódio. A última dobradinha masculina aconteceu nos Jogos de Pequim, em 2008, quando Márcio Araújo e Fábio Luiz Magalhães conquistaram a prata e Ricardo Santos e Emanuel Rego ficaram com o bronze.
Destaques da modalidade
Os destaques da modalidade são a dupla estadunidense Kloth e Nuss e a dupla canadense Melissa Humana-Paredes e Brandie Wilkerson, segundas e terceiras colocadas, logo atrás da equipe brasileira.
As norte-americanas formam dupla desde 2021 e nesse ano foram muito vitoriosas em torneios universitários, sendo eleitas a dupla do ano pela AVCA (American Volleyball Coaches Association). Em 2023, a equipe foi campeã do título do Challenge de La Paz, no México, do Elite 16 de Uberlândia e foi medalhista de bronze no Campeonato Mundial em Tlaxcala.
Já as canadenses conquistaram a medalha de prata em duas etapas do Circuito Mundial de 2024.
Melissa Humana-Paredes e Brandie Wilkerson na Arena Torre Eiffel, em Paris Foto: Divulgação/Instagram Brandie Wilkerson
No masculino, além da dupla brasileira, os suecos número um no ranking mundial Åhman e Hellvig, Mol e Sorum, da Noruega, os alemães Ehlers e Wickler e os poloneses Łosiak e Bryl são os favoritos na disputa pela medalha de ouro.
Åhman e Hellvig formam dupla desde 2018 e, em 2024, terminaram na quinta colocação no circuito de Tlaxcala do Campeonato Mundial e conquistaram o título do Campeonato Europeu, disputado em Munique. Os suecos também venceram todas as últimas 4 etapas da Beach Pro Tour e são líderes isolados do ranking mundial com 9740 pontos, 1880 a mais que a dupla brasileira que está em segundo lugar.
Polêmicas
O jogador Steven van der Velde, que representará os Países Baixos nos Jogos de Paris, foi condenado por estupro de menor em 2014.
Van der Velde, na época com 19 anos, viajou até a Grã-Bretanha, manteve relações sexuais e deu bebida alcoolica a uma menor de idade. Em 2016, o atleta foi condenado a quatro anos de prisão, mas só permaneceu um ano preso. Movimentos humanitários pediram seu banimento dos Jogos e uma petição online a respeito dessa causa atingiu mais de 20 mil assinaturas. Após essa repercussão, o jornal alemão Bild informou que van der Velde decidiu não se hospedar na Vila Olímpica com os demais atletas e não concederá entrevistas antes dos Jogos começarem.