Baixa expressão nacional e uma única representante: o que esperar da participação brasileira no pentatlo moderno?

Por Pedro Falco (@pedrofalcoo)

Disputado por 72 atletas de 32 confederações distintas, o pentatlo moderno é um dos mais antigos esportes olímpicos. Em 2024, a competição acontece em dois palcos também históricos: a Arena Norte de Paris e o Palácio de Versailles. No entanto, outra vez, terá uma única representante brasileira.

Neste guia, a Revista Marta apresenta uma visão completa da modalidade: sua origem, resultados recentes e os grandes favoritos à medalha. Confira todos os detalhes.

Origem

Yane Marques durante as Olimpíadas de 2016. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Desenvolvido no fim do século XIX, o pentatlo moderno é uma adaptação da versão grega e engloba cinco disciplinas: esgrima, natação, hipismo, tiro e corrida. Originalmente, incluía provas de salto em distância e altura, corrida, lançamento de dardo e disco, e luta livre, além de estar diretamente ligado ao militarismo, já que baseava a escolha dos soldados espartanos.

Durante as Olimpíadas de Estocolmo, em 1912, o esporte estreou na competição graças aos esforços do Barão de Coubertin, um entusiasta da modalidade e fundador dos Jogos da era moderna. No entanto, a participação feminina só foi permitida 88 anos depois, em Sydney.

Visando tornar mais dinâmica a disputa e despertar o interesse do público, o pentatlo moderno sofreu uma importante alteração em 1996. Na ocasião, ficou decidido que todas as provas seriam realizadas em um único dia.

A competição é dividida em duas fases. Na primeira, os atletas acumulam pontos na esgrima, natação e hipismo. Depois, os melhores classificados partem em vantagem para o laser-run, que combina corrida e tiro com uma pistola de raio laser. A série final se repete cinco vezes e vence quem primeiro alcançar a linha de chegada.

Últimos campeões olímpicos

Joe Choong durante o UIPM World Pentathlon. Foto: Nuno Gonçalves/UIPM World Pentathlon.

Em Tóquio 2020, o Reino-Unido liderou o pódio em ambas as categorias do pentatlo moderno. Cinco anos antes, Austrália e Rússia garantiram medalhas de ouro nas disputas individuais feminina e masculina, respectivamente.

Tóquio 2020:

  • Ouro: Kate French (Reino-Unido) – individual feminino;
  • Ouro: Joe Choong (Reino-Unido) – individual masculino;
  • Prata: Laura Asadauskaitè (Lituânia) – individual feminino;
  • Prata: Ahmed El-Gendy (Egito) – individual masculino;
  • Bronze: Sarolta Kovács (Hungria) – individual feminino;
  • Bronze: Jun Woong-tae (Coreia do Sul) – individual masculino.

Rio 2016

  • Ouro: Chloe Esposito (Austrália) – individual feminino;
  • Ouro: Aleksander Lesun (Rússia) – individual masculino;
  • Prata: Élodie Clouvel (França) – individual feminino;
  • Prata: Pavlo Tymoshchenko (Ucrânia) – individual masculino;
  • Bronze: Oktawia Nowacka (Polônia) – individual feminino;
  • Bronze: Ismael Hernández (México) – individual masculino.

Resultados recentes

Csaba Bőhm, da Hungria. Foto: Reprodução/Instagram.

Na Copa do Mundo de Pentatlo UIPM 2024, os vencedores foram Gintarė Venčkauskaitė (individual feminino), da Lituânia, e Csaba Bőhm (individual masculino), da Hungria. Completaram os pódios Mariya Gnedtchik e İlke Özyüksel, e Valentin Prades e Ahmed El-Gendy.

Em 2023, durante os Jogos Pan-Americanos, destaque para as mexicanas. As irmãs Mayan e Catherine Oliver garantiram ouro e prata, com o bronze ficando com a guatemalteca Sophia Hernández. Emiliano Hernández, Duilio Carrillo e Andrés Torres conquistaram as medalhas da categoria masculina.

Por fim, Seungmin Seong, Blanka Guzi e Mariya Gnedtchik lideram o ranking da modalidade entre as mulheres, enquanto Csaba Bőhm, Jun Woong-tae e Balazs Szép ocupam as primeiras posições entre os homens.

Participação brasileira

Isabela Abreu e sua coleção de medalhas. Foto: Reprodução/Instagram.

Isabela Abreu (individual feminino) garantiu sua vaga para as Olimpíadas ao destacar-se como a melhor atleta do continente nos Jogos Pan-Americanos do Chile. A brasileira superou a compatriota Stephany Saraiva e garantiu o nono lugar.

Aos 28 anos, possui no currículo cinco títulos nacionais e um Sul-Americano, além de uma medalha de bronze conquistada no Pan de 2019. Ela chega aos Jogos de Paris como a única do país na modalidade.

Em 2021, Iêda Guimarães também representou sozinha o Time Brasil na competição. Na ocasião, sofreu duas quedas durante a prova de hipismo e não completou a corrida final, terminando na última posição.

Destaques da modalidade

Elena Micheli durante Tóquio 2020. Foto: Brittany Nelson/IMCOM Public Affairs.

Bicampeã mundial em 2022 e 2023, Elena Micheli, da Itália, é a grande favorita ao ouro. Entretanto, terá que superar o desempenho ruim em Tóquio, quando terminou na 33ª posição, para garantir sua primeira medalha olímpica.

A concorrente, Annika Schleu, esteve envolvida em uma das maiores polêmicas dos últimos Jogos. Sua treinadora agrediu o cavalo utilizado pela alemã na prova de hipismo e foi expulsa da competição.

Laura Asadauskaitè, da Lituânia, é o último destaque da categoria feminina. Ouro em 2012 e prata em 2020, chega pronta para fazer história aos 40 anos.

Entre os homens, Joe Choong é quem atrai a maior atenção. Atual campeão olímpico e duas vezes melhor do mundo, desembarca em Paris como a grande esperança britânica de outra conquista. Seu principal oponente deverá ser novamente Ahmed El-Gendy, do Egito.

Curiosidades

Yane Marques em Londres 2012. Foto: Marcelo Saraiva.
  • Pavel Lednev tornou-se o maior campeão olímpico da modalidade, com sete medalhas, sendo duas de ouro, duas de prata e três de bronze.
  • Stephanie Cook foi a primeira mulher a garantir o primeiro lugar do pentatlo moderno nas Olimpíadas, em Sydney 2000.
  • A única brasileira medalhista é Yane Marques, militar do exército, que conquistou o bronze em Londres 2012.
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Autor: coberturaparis2024

Turma de 31 estudantes de Comunicação da UFMG que integram a parceria entre a Revista Marta e a Rádio UFMG para a cobertura dos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.

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