Ciclismo de pista: um resumo de um dos esportes mais velozes da Paris 2024

Por Mayra Emanuelle Santana Barbosa (@may___esb)

As provas de ciclismo ocorrerão no velódromo Saint-Quentin-en-Yvelines no dia 5 de agosto, a partir das 12 h, horário de Brasília. Quer acompanhar esse esporte e conhecer mais sobre?

O ciclismo é um dos esportes mais tradicionais do mundo moderno e tem seu início de história na Inglaterra, com a criação das bicicletas. Com o decorrer das décadas, cada bicicleta foi criada para uma funcionalidade específica, o que se espelha nas modalidades de ciclismo nas Olimpíadas, sendo ciclismo estrada, MTB, BMX, BMX free e pista. O de pista, assim como o de estrada, data de aproximadamente 1870. 

Resumo da modalidade

Já está presente nos Jogos Olímpicos da era moderna desde Atenas 1896, só ficando ausente em Estocolmo 1912, quando apenas a modalidade de estrada competiu. As mulheres competiram pela primeira vez em Seul 1988. Definitivamente, o ciclismo de pista é um dos mais práticos, por não depender do clima do dia para que seja executado, sendo tudo numa arena coberta com piso de madeira e outros tão lisos quanto. Exatamente por isso, o critério de avaliação do ciclismo de pista é velocidade e técnica. É disputado numa pista de 250m em formato de tigela, chamado de velódromo. São seis provas para o masculino e para o feminino, que são Keirin, Omnium, Sprint, Perseguição em equipe, Sprint em equipe e Madison.

As provas em si não variam muito, o foco é o tempo cronometrado ou tempo limite (contrarrelógio), perseguição em direções opostas ou uma corrida com todos os ciclistas começando no mesmo lugar. A mais complexa prova de todas é o omnium, por ser dentre todas, bastante longa. A versão padronizada da União Internacional de Ciclismo (UCI) consiste em 6 eventos. 1. Corrida de scratch (todos começam juntos, vence quem chegar primeiro); 2. Perseguição (4 km para homens e 3 km para mulheres); 3. Corrida eliminatória (ciclistas são eliminados durante a corrida); 4. Time trial, uma corrida curta cronometrada (1 km para homens e 500 m para mulheres); 5. Flying Lap, corrida com temporizador e 6. Corrida pontuada (40 km para homens e 25 para mulheres). Por ser uma prova longa, ela demora mais dias, diferente das outras.

Paris terá a mesma quantidade de atletas da edição anterior (Tóquio 2021), sendo eles noventa e cinco por gênero.

Últimos campeões olímpicos

Em Londres 2012, a Grã-Bretanha foi vitoriosa com 4 medalhas no feminino (três de ouro, uma de prata) e 5 medalhas no masculino (quatro de ouro e uma de bronze). Alemanha e Austrália ganharam ouro no feminino por sprint individual e de equipes respectivamente e Dinamarca ganhou ouro pelo omnium no masculino.

Na Rio 2016, a Grã-Bretanha está acima da edição de Tóquio tanto no feminino (5 medalhas – duas de ouro, duas de prata e uma de bronze) quanto no masculino (6 medalhas – quatro de ouro e duas de prata). Os outros medalhistas de ouro no feminino foram Alemanha, China e Holanda e no masculino a Itália.

Resultados do último ano

Tóquio (2021)

FEMININO

  • Keirin: Ouro para Shanne Braspennincx (Holanda), prata para Ellesse Andrews (Nova Zelândia) e bronze para Lauriane Genest (Canadá);
  • Omnium: Ouro para Jennifer Valente (EUA), prata para Yumi Kajihara (Japão) e bronze para Kirsten Wild (Holanda);
  • Sprint: Ouro para Kelsey Mitchell (Canadá), prata para Olena Starikova (Ucrânia) e bronze para Lee Wai-sze (Hong Kong);
  • Sprint em equipe: Ouro para Bao Shanju e Zhong Tianshi (China), prata para Lea Friedrich e Emma Hinze (Alemanha) e bronze para Daria Shmeleva e Anastasia Voynova do Comitê Olímpico Russo (ROC);
  • Perseguição em equipe: Ouro para Franziska Brauße, Lisa Brennauer, Lisa Klein e Mieke Kröger (Alemanha); prata para Katie Archibald, Laura Kenny, Neah Evans, Josie Knight e Elinor Barker (Grã-Bretanha) e bronze para Chloé Dygert, Megan Jastrab, Jennifer Valente, Emma White e Lily Williams (EUA);
  • Madison: Ouro para Katie Archibald e Laura Kenny (Grã-Bretanha), prata para Amalie Dideriksen e Julie Leth (Dinamarca) e bronze para Gulnaz Khatuntseva e Maria Novolodskaya (ROC).

MASCULINO

  • Keirin: Ouro para Jason Kenny (Grã-Bretanha), prata para Azizulhasni Awang (Malásia) e bronze para Harrie Lavreysen (Holanda);
  • Omnium: Ouro para Matthew Walls (Grã-Bretanha), prata para Campbell Stewart (Nova Zelândia) e bronze para Elia Viviani (Itália);
  • Sprint: Ouro para Harrie Lavreysen (Holanda), prata para Jeffrey Hoogland (Holanda) e bronze para Jack Carlin (Grã-Bretanha);
  • Sprint em equipe: Ouro para Jeffrey Hoogland, Harrie Lavreysen, Roy van den Berg e Matthijs Büchli (Holanda), prata para Jack Carlin, Jason Kenny e Ryan Owens (Grã-Bretanha) e bronze para Florian Grengbo, Rayan Helal e Sébastien Vigier (França);
  • Perseguição em equipe: Ouro para Simone Consonni, Filippo Ganna, Francesco Lamon e Jonathan Milan (Itália), prata para Niklas Larsen, Lasse Norman Hansen, Rasmus Pedersen e Frederik Rodenberg (Dinamarca) e bronze para Leigh Howard, Kelland O’Brien, Luke Plapp, Sam Welsford e Alexander Porter (Austrália);
  • Madison: Ouro para Lasse Norman Hansen e Michael Mørkøv (Dinamarca), prata para Ethan Hayter e Matthew Walls (Grã-Bretanha) e bronze para Donavan Grondin e Benjamin Thomas (França).

O Brasil tem classificados?

O Brasil não terá competidores nessa modalidade em Paris, mas não significa que não tenha história na área. A última vez que competimos foi na Rio 2016, com o ciclista Gideoni Monteiro na prova omnium, alcançando o 13º lugar dentre os 18 competidores. O atleta Anísio Argenton segue sendo o maior brasileiro da história desse ciclismo dos Jogos Olímpicos. Em Melbourne 1956, alcançou o 9° no 1 km contrarrelógio e no sprint individual e 5° lugar no sprint e 6° no contrarrelógio em Roma 1960.

O Ranking Olímpico de Pista da União Internacional de Ciclismo (UCI) é utilizado para classificar os comitês olímpicos. O ranking compila os pontos dos competidores nas duas últimas competições continentais (critério um), os dois melhores resultados da Taça das Nações UCI 2023 e 2024 (critério dois) e o Campeonato Mundial de Pista de 2023 (critério três).

Destaques da modalidade

Holanda, Estados Unidos e Canadá são nomes bem repetitivos no quadro de medalhas da Tóquio 2021, mas a supremacia do esporte é o time britânico. Em Londres 2012, a Grã-Bretanha foi vitoriosa com nove medalhas divididas entre o time feminino e masculino.

Laura Kenny, Emily Nelson, Rachele Barbieri. Corrida eliminatória. Londres, 6 de outubro de 2019. Fonte: Alasdair Massie.

Na Rio 2016, a Grã-Bretanha superou a última edição tanto no feminino (cinco medalhas – duas de ouro, duas de prata e uma de bronze) quanto no masculino (seis medalhas – quatro de ouro e duas de prata). Em Tóquio 2021, a Grã-Bretanha foi a vitoriosa no masculino e, no feminino, os resultados foram mais divididos, mas ainda garantiram o pódio. Laura Kenny e Jason Kenny são os atletas britânicos que mais se destacam tanto nas provas individuais, quanto em grupo.

Jason Kenny (esquerda) e Ed Clancy (direita) nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021. Fonte: Wikimedia Commons.

Curiosidades do ciclismo de pista

Londres 1908 foi histórica por não ter nenhum vencedor na prova individual de velocidade conhecida como sprint, uma corrida simples e rápida. O incidente ocorreu devido nenhum dos competidores ter terminado o percurso de 1km em menos de 1 minuto e 45 segundos, que era o tempo limite. O Brasil ainda tem uma participação rasa no esporte, com um hiato de 24 anos sem competir no ciclismo de pista, de Barcelona 1992, até a Rio 2016. Até o momento, o hiato é de duas edições.

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Autor: coberturaparis2024

Turma de 31 estudantes de Comunicação da UFMG que integram a parceria entre a Revista Marta e a Rádio UFMG para a cobertura dos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.

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