Por Mayra Emanuelle Santana Barbosa (@may___esb)
As provas de ciclismo ocorrerão no velódromo Saint-Quentin-en-Yvelines no dia 5 de agosto, a partir das 12 h, horário de Brasília. Quer acompanhar esse esporte e conhecer mais sobre?
O ciclismo é um dos esportes mais tradicionais do mundo moderno e tem seu início de história na Inglaterra, com a criação das bicicletas. Com o decorrer das décadas, cada bicicleta foi criada para uma funcionalidade específica, o que se espelha nas modalidades de ciclismo nas Olimpíadas, sendo ciclismo estrada, MTB, BMX, BMX free e pista. O de pista, assim como o de estrada, data de aproximadamente 1870.
Resumo da modalidade
Já está presente nos Jogos Olímpicos da era moderna desde Atenas 1896, só ficando ausente em Estocolmo 1912, quando apenas a modalidade de estrada competiu. As mulheres competiram pela primeira vez em Seul 1988. Definitivamente, o ciclismo de pista é um dos mais práticos, por não depender do clima do dia para que seja executado, sendo tudo numa arena coberta com piso de madeira e outros tão lisos quanto. Exatamente por isso, o critério de avaliação do ciclismo de pista é velocidade e técnica. É disputado numa pista de 250m em formato de tigela, chamado de velódromo. São seis provas para o masculino e para o feminino, que são Keirin, Omnium, Sprint, Perseguição em equipe, Sprint em equipe e Madison.
As provas em si não variam muito, o foco é o tempo cronometrado ou tempo limite (contrarrelógio), perseguição em direções opostas ou uma corrida com todos os ciclistas começando no mesmo lugar. A mais complexa prova de todas é o omnium, por ser dentre todas, bastante longa. A versão padronizada da União Internacional de Ciclismo (UCI) consiste em 6 eventos. 1. Corrida de scratch (todos começam juntos, vence quem chegar primeiro); 2. Perseguição (4 km para homens e 3 km para mulheres); 3. Corrida eliminatória (ciclistas são eliminados durante a corrida); 4. Time trial, uma corrida curta cronometrada (1 km para homens e 500 m para mulheres); 5. Flying Lap, corrida com temporizador e 6. Corrida pontuada (40 km para homens e 25 para mulheres). Por ser uma prova longa, ela demora mais dias, diferente das outras.
Paris terá a mesma quantidade de atletas da edição anterior (Tóquio 2021), sendo eles noventa e cinco por gênero.
Últimos campeões olímpicos
Em Londres 2012, a Grã-Bretanha foi vitoriosa com 4 medalhas no feminino (três de ouro, uma de prata) e 5 medalhas no masculino (quatro de ouro e uma de bronze). Alemanha e Austrália ganharam ouro no feminino por sprint individual e de equipes respectivamente e Dinamarca ganhou ouro pelo omnium no masculino.
Na Rio 2016, a Grã-Bretanha está acima da edição de Tóquio tanto no feminino (5 medalhas – duas de ouro, duas de prata e uma de bronze) quanto no masculino (6 medalhas – quatro de ouro e duas de prata). Os outros medalhistas de ouro no feminino foram Alemanha, China e Holanda e no masculino a Itália.
Resultados do último ano
Tóquio (2021)
FEMININO
- Keirin: Ouro para Shanne Braspennincx (Holanda), prata para Ellesse Andrews (Nova Zelândia) e bronze para Lauriane Genest (Canadá);
- Omnium: Ouro para Jennifer Valente (EUA), prata para Yumi Kajihara (Japão) e bronze para Kirsten Wild (Holanda);
- Sprint: Ouro para Kelsey Mitchell (Canadá), prata para Olena Starikova (Ucrânia) e bronze para Lee Wai-sze (Hong Kong);
- Sprint em equipe: Ouro para Bao Shanju e Zhong Tianshi (China), prata para Lea Friedrich e Emma Hinze (Alemanha) e bronze para Daria Shmeleva e Anastasia Voynova do Comitê Olímpico Russo (ROC);
- Perseguição em equipe: Ouro para Franziska Brauße, Lisa Brennauer, Lisa Klein e Mieke Kröger (Alemanha); prata para Katie Archibald, Laura Kenny, Neah Evans, Josie Knight e Elinor Barker (Grã-Bretanha) e bronze para Chloé Dygert, Megan Jastrab, Jennifer Valente, Emma White e Lily Williams (EUA);
- Madison: Ouro para Katie Archibald e Laura Kenny (Grã-Bretanha), prata para Amalie Dideriksen e Julie Leth (Dinamarca) e bronze para Gulnaz Khatuntseva e Maria Novolodskaya (ROC).
MASCULINO
- Keirin: Ouro para Jason Kenny (Grã-Bretanha), prata para Azizulhasni Awang (Malásia) e bronze para Harrie Lavreysen (Holanda);
- Omnium: Ouro para Matthew Walls (Grã-Bretanha), prata para Campbell Stewart (Nova Zelândia) e bronze para Elia Viviani (Itália);
- Sprint: Ouro para Harrie Lavreysen (Holanda), prata para Jeffrey Hoogland (Holanda) e bronze para Jack Carlin (Grã-Bretanha);
- Sprint em equipe: Ouro para Jeffrey Hoogland, Harrie Lavreysen, Roy van den Berg e Matthijs Büchli (Holanda), prata para Jack Carlin, Jason Kenny e Ryan Owens (Grã-Bretanha) e bronze para Florian Grengbo, Rayan Helal e Sébastien Vigier (França);
- Perseguição em equipe: Ouro para Simone Consonni, Filippo Ganna, Francesco Lamon e Jonathan Milan (Itália), prata para Niklas Larsen, Lasse Norman Hansen, Rasmus Pedersen e Frederik Rodenberg (Dinamarca) e bronze para Leigh Howard, Kelland O’Brien, Luke Plapp, Sam Welsford e Alexander Porter (Austrália);
- Madison: Ouro para Lasse Norman Hansen e Michael Mørkøv (Dinamarca), prata para Ethan Hayter e Matthew Walls (Grã-Bretanha) e bronze para Donavan Grondin e Benjamin Thomas (França).
O Brasil tem classificados?
O Brasil não terá competidores nessa modalidade em Paris, mas não significa que não tenha história na área. A última vez que competimos foi na Rio 2016, com o ciclista Gideoni Monteiro na prova omnium, alcançando o 13º lugar dentre os 18 competidores. O atleta Anísio Argenton segue sendo o maior brasileiro da história desse ciclismo dos Jogos Olímpicos. Em Melbourne 1956, alcançou o 9° no 1 km contrarrelógio e no sprint individual e 5° lugar no sprint e 6° no contrarrelógio em Roma 1960.
O Ranking Olímpico de Pista da União Internacional de Ciclismo (UCI) é utilizado para classificar os comitês olímpicos. O ranking compila os pontos dos competidores nas duas últimas competições continentais (critério um), os dois melhores resultados da Taça das Nações UCI 2023 e 2024 (critério dois) e o Campeonato Mundial de Pista de 2023 (critério três).
Destaques da modalidade
Holanda, Estados Unidos e Canadá são nomes bem repetitivos no quadro de medalhas da Tóquio 2021, mas a supremacia do esporte é o time britânico. Em Londres 2012, a Grã-Bretanha foi vitoriosa com nove medalhas divididas entre o time feminino e masculino.

Na Rio 2016, a Grã-Bretanha superou a última edição tanto no feminino (cinco medalhas – duas de ouro, duas de prata e uma de bronze) quanto no masculino (seis medalhas – quatro de ouro e duas de prata). Em Tóquio 2021, a Grã-Bretanha foi a vitoriosa no masculino e, no feminino, os resultados foram mais divididos, mas ainda garantiram o pódio. Laura Kenny e Jason Kenny são os atletas britânicos que mais se destacam tanto nas provas individuais, quanto em grupo.

Curiosidades do ciclismo de pista
Londres 1908 foi histórica por não ter nenhum vencedor na prova individual de velocidade conhecida como sprint, uma corrida simples e rápida. O incidente ocorreu devido nenhum dos competidores ter terminado o percurso de 1km em menos de 1 minuto e 45 segundos, que era o tempo limite. O Brasil ainda tem uma participação rasa no esporte, com um hiato de 24 anos sem competir no ciclismo de pista, de Barcelona 1992, até a Rio 2016. Até o momento, o hiato é de duas edições.