Por Pedro Falco (@pedrofalcoo)
Entre os dias 27 de julho e 11 de agosto, 172 atletas passarão pelo Paris Expo Porte de Versailles em busca da glória olímpica. Em um esporte controlado por uma única nação, o Brasil possui um dos mais promissores atletas da categoria: Hugo Calderano. Será o carioca o responsável por trazer o bronze inédito para casa?
Neste guia, a Revista Marta apresenta uma visão completa da modalidade: sua origem, resultados recentes e os grandes favoritos. Confira todos os detalhes.
Origem

Globalmente disseminado e de prática democrática, o tênis de mesa surgiu no fim do século XIX como uma adaptação do esporte realizado nas quadras. As histórias de sua criação variam de algo envolvendo livros, rolhas de garrafa e caixas de charuto a um acaso em uma mesa de sinuca.
No entanto, foi em 1901 que a modalidade começou a ser organizada, com a aparição da Ping-Pong Association e a disputa de torneios. Sua gestão passou pela Table Tennis Association até o surgimento da International Table Tennis Association, que padronizou o jogo, estipulou regras e promoveu os primeiros campeonatos oficiais – incluindo um mundial em Londres.
Nos anos iniciais, a competição foi dominada por europeus, com Hungria, Áustria e Alemanha como grandes expoentes, mas a inclusão do tênis de mesa nas Olimpíadas de Seul tornou-se um marco da guinada asiática. De doze medalhas distribuídas em 1988, nove foram para atletas do continente, com destaque para os chineses e sul-coreanos.
Em Beijing 2008, a categoria de duplas foi substituída por embates entre equipes compostas por três jogadores. As partidas funcionam com quatro disputas individuais e uma de pares, cada uma com cinco sets.
Últimos campeões olímpicos

Nas Olimpíadas de Tóquio, a China manteve sua hegemonia ao conquistar sete medalhas no tênis de mesa, incluindo quatro dos cinco ouros. Nas duplas mistas, categoria inaugurada em 2020, a Confederação Japonesa levou a melhor com Mima Ito e Jun Mizutani.
Tóquio 2020
- Ouro: Chen Meng (China) – individual feminino;
- Ouro: Ma Long (China) – individual masculino;
- Ouro: Mima Ito e Jun Mizutani (Japão) – duplas mistas;
- Ouro: China – equipes femininas.
- Ouro: China – equipes masculinas.
- Prata: Sun Yingsha (China) – individual feminino;
- Prata: Fan Zhendong (China) – individual masculino;
- Prata: Liu Shiwen e Xu Xin (China) – duplas mistas;
- Prata: Japão – equipes femininas;
- Prata: Alemanha – equipes masculinas;
- Bronze: Mima Ito (Japão) – individual feminino;
- Bronze: Dimitrij Ovtcharov (Alemanha) – individual masculino;
- Bronze: Cheng I-Ching e Lin Yun-Ju (Taipé Chinesa) – duplas mistas;
- Bronze: Hong-Kong – equipes femininas;
- Bronze: Japão – equipes masculinas.
Rio 2016
- Ouro: Ding Ning (China) – individual feminino;
- Ouro: Ma Long (China) – individual masculino;
- Ouro: China – equipes femininas.
- Ouro: China – equipes masculinas.
- Prata: Li Xiaoxia (China) – individual feminino;
- Prata: Zhang Jike (China) – individual masculino;
- Prata: Alemanha – equipes femininas;
- Prata: Japão – equipes masculinas;
- Bronze: Kim Song-I (Coreia do Norte) – individual feminino;
- Bronze: Jun Mizutani (Japão) – individual masculino;
- Bronze: Japão – equipes femininas;
- Bronze: Alemanha – equipes masculinas.
Resultados recentes

O Mundial de 2023, realizado pela International Table Tennis Federation (ITTF), não apresentou surpresas e terminou com os favoritos Sun Yingsha e Fan Zhendong como campeões individuais. Nas duplas mistas, melhor para a união da número 1 do ranking com Wang Shuqin. A disputa por equipes ocorreu em abril deste ano e teve os chineses liderando as duas categorias.
Nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, o Brasil dominou e conquistou o ouro na individual masculina, com Hugo Calderano, e por equipes masculinas, quando o sexto melhor do mundo se juntou a Vitor Ishiy e Eric Jouti para vencer o Canadá. O país levou outras cinco medalhas e esteve presente em todos os pódios da modalidade.
Participação brasileira

Com seis representantes, quatro deles competindo nas provas individuais, o Brasil tem um time promissor na busca pela sua primeira medalha no tênis de mesa olímpico. A melhor campanha foi justamente em Tóquio, quando chegou às quartas de final do torneio.
Entre as mulheres, estão Bruna e Giulia Takahashi, e Bruna Alexandre, que precisarão se destacar para enfrentar o domínio asiático. Apenas a Alemanha, com a prata nas equipes femininas em 2016, conseguiu desafiar essa supremacia nos últimos dois Jogos.
A expectativa é que Bruna Takahashi consiga uma vaga entre as oito melhores, o que já seria uma conquista notável. Coletivamente, o time busca ganhar experiência, especialmente porque suas duas companheiras são estreantes em Olimpíadas.
No masculino, a grande estrela é Hugo Calderano. Com uma presença consolidada entre os melhores do mundo, ele tem potencial para surpreender e sonhar com uma medalha de bronze inédita. Junto com Vitor Ishiy e Guilherme Teodoro, teve bons resultados em competições por equipes e chega com grandes perspectivas para Paris.
Confrontos iniciais
- Bruna Takahashi x Offiong Eddem (Nigéria) – individual feminino;
- Giulia Takahashi x Sun Yingsha (China) – individual feminino;
- Hugo Calderano x Andy Pereira (Cuba) – individual masculino;
- Vitor Ishiy x Nicholas Lum (Áustria) – individual masculino;
- Bruna Takahashi e Vitor Ishiy x Maria Xiao e Álvaro Robles (Espanha) – duplas mistas;
- Brasil x Coreia do Sul – equipes femininas;
- Brasil x Portugal – equipes masculinas.
Bronze inédito?

Com sete conquistas no World Table Tennis (WTT) e oito medalhas pan-americanas, incluindo seis ouros, Hugo Calderano é o grande nome do Brasil no tênis de mesa. Atual sexto colocado no ranking da ITTF, possui as duas melhores campanhas nacionais em Olimpíadas.
Além disso, conseguiu permanecer do lado mais acessível do chaveamento, longe de favoritos como Felix Lebrun, Dimitrij Ovtcharov, Lin Yun-Ju e Harimoto Tomokazu nas fases iniciais. O cubano Andy Pereira, primeiro adversário, é o mesmo da final do Pan de 2023, em que Calderano se sagrou campeão.
Destaques da modalidade

Nas categorias individuais, Chen Meng e Sun Yingha aparecem como as favoritas entre as mulheres. Ouro e prata, respectivamente, em Tóquio 2020, as chinesas se mantiveram no topo durante todo o ciclo e devem brigar novamente pela primeira posição. Hina Hayata, do Japão, é a número cinco do mundo e postulante ao bronze.
Na masculina, Wang Chuquin e Fan Zhendong também devem monopolizar os dois principais degraus do pódio. Na corrida pelo terceiro lugar estão alguns mesa-tenistas, incluindo Felix Lebrun, da França, e o brasileiro Hugo Calderano.
Por outro lado, duplas mistas é, de fato, a competição mais aberta entre todas, com os japoneses se inserindo na briga. Afinal, é o único país campeão até aqui. A grande dúvida é se a união entre Hayata e Tomokazu Harimoto conseguirá um feito parecido ao de Mima Ito e Jun Mizutani.
Finalmente, a disputa por equipes deverá seguir o manual e confirmar a superioridade dos chineses, com uma verdadeira ‘panela’ no feminino e Chen Meng capitaneando os homens. Japão, Alemanha e Coreia do Sul aparecem como candidatos a medalhas.
Curiosidades

- Roland Jacobi e Maria Mednyánszky, da Hungria, foram os primeiros campeões mundiais da modalidade;
- Deng Yaping tornou-se uma lenda do esporte chinês e personalidade esportiva do século XX no país. Convocada pela primeira vez aos 15 anos, conquistou o ouro em simples e duplas nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992, e Atenas, em 1996, além de nove títulos mundiais;
- A Confederação Chinesa é a maior vencedora do tênis de mesa, com 60 medalhas;
- A bola pode atingir velocidades próximas a 200 km/h.