Talentos brasileiros remam em Paris em direção a uma competição acirrada

Reconhecido como um dos esportes que mais exige técnica, força e resistência, o remo nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 promete momentos emocionantes e a possibilidade de novas conquistas para o Brasil. Com Lucas Verthein e Beatriz Tavares representando o país, a expectativa é alta, especialmente após os bons desempenhos em competições internacionais. Enquanto os atletas brasileiros buscam surpreender, potências como os Países Baixos e a Nova Zelândia se preparam para manter sua tradição e dominância, encantando o público com suas impressionantes performances nas águas.

Resumo da modalidade 

A prática de remar surge frente à necessidade humana de transpor massas de água, com as primeiras canoas conhecidas datando de mais de 10.000 anos atrás, sendo o remo amplamente utilizado já nas grandes civilizações, como Grécia, Roma e Egito. Enquanto esporte moderno, podemos relacionar sua origem com as universidades inglesas de Oxford e Cambridge, entre o século XVII e XVIII, que logo se espalhou por toda a Europa e suas colônias na América.

O esporte teve sua sede criada em Turim, na Itália em 1892, e movimentada posteriormente em 1996 para Lausana, na Suíça, dois países com muita tradição na modalidade, junto de Reino Unido, EUA, Canadá, Romênia e Alemanha. No Brasil, as regatas (como são chamadas as competições), se popularizaram na virada do século XIX para o XX, com a criação de diversos clubes como Botafogo, Flamengo, Corinthians e Paysandu, que apesar de serem mais relacionados ao futebol atualmente, tiveram sua origem nas águas.

O remo esteve presente em 31 das 32 edições dos Jogos Olímpicos, sendo que sua ausência da primeira edição se justifica pelas condições climáticas da sede. Os Estados Unidos dominam o quadro de medalhas do remo olímpico com um total de 89 medalhas, das quais 33 são de ouro. Entre os maiores remadores da história estão o britânico Sir Steve Redgrave, com 5 ouros e 1 bronze, e a romena Elisabeta Oleniuc-Lipă, que conquistou 5 ouros, 2 pratas e 1 bronze, sendo ambos amplamente considerados os melhores remadores de todos os tempos.

Últimos campeões olímpicos
Skiff simples masculino: Stefanos Ntouskos (Grécia)
Skiff simples feminino: Emma Twigg (Nova Zelândia)
Dois sem masculino: Martin e Valent Sinkovic (Croácia)
Dois sem feminino: Grace Prendergast e Kerri Gowler (Nova Zelândia)
Quatro sem masculino: Austrália
Quatro sem feminino: Austrália
Oito com masculino: Nova Zelândia
Oito com feminino: Canadá 

Resultados do último ano

O Mundial de Remo de 2023 aconteceu em Belgrado, na Sérvia, e serviu como uma espécie de qualificação para os Jogos de Paris 2024. No quadro de medalhas, os Países Baixos conquistaram o primeiro lugar com um total de 9 medalhas (6 de ouro e 3 de prata). Em seguida a Grã Bretanha, também com 9 medalhas, divididas em 6 de ouro, 1 de prata e 2 de bronze. Por fim, a Itália obteve 8 conquistas (3 medalhas de ouro, 4 de prata e 1 de bronze). O Brasil não aparece no quadro. 

Participação brasileira em Paris

O time Brasil conta com Lucas Verthein, na categoria Skiff Simples, e é a nossa promessa para a competição. Lucas compete e treina pelo Botafogo de Futebol e Regatas, sendo campeão do Pan-Americano 2023, bronze no Sul-Americano de 2022 e também Bronze no Pan-Americano de 2019, quando então competia no Skiff Duplo.

Já no feminino, Beatriz Tavares é o nosso nome, também no Skiff Simples. A competidora foi prata no Pan-Americano de Santiago e também é atleta do Botafogo. Foi a primeira brasileira da história a chegar na final do Mundial Junior. Ambos nossos atletas foram classificados no pré-olímpico de remo que aconteceu na lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro, palco também de treinamento dos atletas.

Lucas Verthein (à esquerda) e Beatriz Tavaresi (à direita) junto ao diretor de Remo do Botafogo após a classificação para Paris. Foto: botafogo.remo

Verthein tem mostrado um bom desempenho, tendo avançado para a final A da etapa de Poznan da Copa do Mundo de Remo e alcançado a final B em Varese. Apesar disso, por mais que estejam entre competidores promissores, não são os principais candidatos à medalha.

Destaques

Na modalidade de remo para as Olimpíadas de 2024, alguns dos principais destaques incluem os holandeses Melvin Twellaar e Stef Broenink, que conquistaram tanto o título mundial quanto a Copa do Mundo em 2023, superando os campeões olímpicos croatas Valent e Martin Sinkovic. Outro par promissor é o irlandês composto por Fintan McCarthy e Paul O’Donovan, que ganharam três títulos mundiais consecutivos após a medalha de ouro em Tóquio. Na categoria feminina, as britânicas Emily Craig e Imogen Grant venceram os títulos mundiais em 2022 e 2023, se posicionando como favoritas em Paris. Países como Holanda, Irlanda e Grã-Bretanha aparecem como os mais promissores no cenário atual do remo olímpico.

Curiosidades

  • Os atletas Alef Fontoura, Evaldo Becker e Daniel Lima desistiram do Pré-Olímpico de Remo para ajudar as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. 
  • Lucas Verthein foi o primeiro brasileiro a avançar em uma disputa individual na história do Remo em Jogos Olímpicos. 
  • Beatriz Tavares foi a primeira brasileira a participar do Mundial Junior.
Avatar de Desconhecido

Autor: coberturaparis2024

Turma de 31 estudantes de Comunicação da UFMG que integram a parceria entre a Revista Marta e a Rádio UFMG para a cobertura dos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.

Deixe um comentário