A Revista Marta fez um levantamento das principais polêmicas envolvendo atletas brasileiros. Da ginástica artística ao surfe, brasileiras e brasileiros se sentiram injustiçados por decisões de arbitragem em Paris.
Por Isadora Paes Gomes Ribeiro
As Olimpíadas de Paris 2024, marcadas pelo esporte, talento, medalhas e competição, foram também palco de controvérsias envolvendo a arbitragem. A imparcialidade dos juízes e a transparência nas notas atribuídas tornaram-se pontos de discussão, acendendo debates sobre a justiça, transparência e regras na arbitragem dos esportes. A Revista Marta preparou um resumo das maiores polêmicas envolvendo a arbitragem e atletas brasileiros nos Jogos Olímpicos.
Ginástica artística feminina: Transparência e patriotismo
Um dos casos mais comentados envolve a ginasta brasileira Rebeca Andrade, que ficou fora do pódio na final da trave devido a uma nota controversa. A árbitra-chefe, Qiurui Zho, responsável pela pontuação, foi vista em uma foto nos bastidores com a delegação chinesa, comemorando a medalha de prata de Zhou Yaqin, o que levantou suspeitas sobre a imparcialidade do julgamento.
Rebeca, que executou uma excelente apresentação na trave e tinha grandes chances de alcançar o pódio após a queda de Simone Biles, recebeu uma nota de 13.933, ficando em quarto lugar, atrás da italiana Alice D’Amato, da chinesa Zhou Yaqin, que obteve 14.100, e da italiana Manila Esposito. Tanto especialistas quanto o público questionaram a avaliação, argumentando que a ginasta brasileira merecia uma nota mais alta.
Futebol feminino: Seleção brasileira x Arbitragem
No futebol feminino, a arbitragem foi alvo de duras críticas. Nas quartas de final contra a França, a Seleção Brasileira enfrentou uma situação inusitada: 19 minutos de acréscimo no segundo tempo, sinalizados pela árbitra americana, Tori Penso. Esse tempo adicional, que equivale a quase metade de um tempo regular, levantou suspeitas de favorecimento à equipe da casa, que perdia por 1 a 0 e buscava desesperadamente o empate. Sem um motivo claro, a juíza praticamente acrescentou uma prorrogação inteira à partida em Nantes.
Na final contra os Estados Unidos, outra decisão controversa surgiu quando a árbitra sueca Tess Olofsson optou por não revisar um possível pênalti a favor do time brasileiro usando o VAR, que poderia ter mudado o resultado do jogo. Além disso, apesar dos longos acréscimos que marcaram as partidas anteriores, apenas 10 minutos foram adicionados ao final do jogo. A seleção americana venceu por 1 a 0, deixando o Brasil com a medalha de prata.
“Jogamos hoje uma final contra uma equipe muito qualificada. E não podemos deixar de destacar que jogar contra Estados Unidos é saber que vai ter que jogar contra os Estados Unidos e contra a árbitra também”, disse Marta sobre a partida contra os EUA, de acordo com o Esporte da Band.
Embora a arbitragem tenha sido questionada, a equipe brasileira reconhece que a seleção americana é uma potência no esporte e que o Brasil perdeu oportunidades decisivas no primeiro tempo, enquanto liderava a partida.
Judô: Regras confusas e penalidades “indeterminadas”
O judô também foi palco de controvérsias, especialmente na disputa pela medalha de bronze entre Rafael Macedo e o francês Maxime Ngayap Hambou. Mesmo com a iniciativa do brasileiro, que conseguiu derrubar o adversário duas vezes, a arbitragem não marcou ponto em nenhuma das situações, gerando as primeiras reclamações. Para agravar a situação, a cinco segundos do fim da luta, Macedo foi punido novamente, o que garantiu a vitória do francês.
A falta de clareza em relação à penalidade gerou indignação, especialmente quando o site oficial do Comitê Olímpico Internacional (COI) descreveu a decisão apenas como “indeterminada”. Inicialmente, acreditou-se que a advertência foi dada por um tipo de pegada proibida no judô, onde o atleta coloca os dedos dentro da manga do judogui do adversário. Contudo, isso não foi indicado pelo árbitro, que deve sinalizar com as mãos o motivo de cada advertência.
O chefe de equipe da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Marcelo Theotonio, comentou: “Realmente ficou confuso, não entendemos a punição. Inicialmente entendemos que ele tinha dado punição por pegar dentro do quimono. Não foi isso, não ficou claro. Quando fomos até a mesa, conversar com os responsáveis pela arbitragem, essa posição, quando você pressiona só a cabeça, é realmente considerado mate e shido. Seria esse último ponto que o Rafael sofreu”.
Outro judoca brasileiro, Leonardo Gonçalves, também enfrentou uma situação controversa em sua luta contra Dzharar Kostoev, dos Emirados Árabes. Um lance decisivo levantou dúvidas sobre a aplicação das regras, especialmente em relação ao uso do VAR, que não interveio a favor do brasileiro. Com a disputa empatada, a pontuação poderia ter sido concedida a qualquer um dos atletas.
O técnico da equipe brasileira, Antonio Carlos Kiko Pereira, inicialmente considerou o lance controverso, mas sem uma opinião definitiva. Mais tarde, ele recebeu uma imagem que mostrava a mão do adversário de Leonardo abaixo da faixa do brasileiro, o que configuraria uma advertência. “Para nós, o VAR não faz nada”, afirmou Kiko, que não entendeu por que o árbitro de vídeo não interveio no lance.
Surfe: amizade que vale ouro

No surfe, a polêmica foi desencadeada por uma foto compartilhada pelo brasileiro Pedro Scooby, que mostrava o juiz australiano Benjamin Lowe abraçado com o surfista Ethan Ewing, que poderia enfrentar os brasileiros, Gabriel Medina ou João Chianca nas semifinais. A imagem gerou revolta, levando a Confederação Brasileira de Surfe (CBSurf) a protestar formalmente junto à Associação Internacional de Surfe (ISA). Em resposta, a ISA afastou Lowe do painel de arbitragem, citando a necessidade de proteger a integridade da competição.
A Associação Internacional de Surfe declarou que é “inapropriado para um juiz interagir dessa forma com um atleta” e o retirou do quadro de julgamento dos Jogos Olímpicos “para proteger a integridade e a justiça da competição”.
A CBSurf já havia expressado preocupações sobre as notas atribuídas aos surfistas brasileiros em competições anteriores, incluindo os Jogos de Tóquio 2020, sugerindo um padrão de avaliação questionável. Essas preocupações foram formalizadas em uma carta enviada à ISA, na qual a CBSurf destacou que Lowe, que também participa de etapas da WSL, consistentemente deu notas mais baixas aos brasileiros, particularmente a Gabriel Medina, em comparação com os demais juízes, no circuito mundial e nos jogos de Tóquio.