
por Vitória Castro, estudante de Jornalismo da UFMG
A edição de abril da Revista Piauí apresentou denúncias sobre extravagâncias da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Entre elas estão o pagamento de hotéis e passagens para amigos e familiares, aumento da mesada dos presidentes das federações de 50 mil para 215 mil mensais e a contratação de garotas de programa para atender dirigentes.
Durante a Copa de 2022, cerca de 49 pessoas, incluindo artistas, parlamentares, amigos e familiares do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, foram “bancados” com viagens para o Catar. Receberam hospedagem em hotel 5 estrelas, ingressos para jogos e cartão corporativo durante o período em que o Brasil permaneceu na competição, ou seja, até as quartas de final. A estimativa é que essas regalias custaram cerca de 3 milhões para a confederação.
Outros 24 milhões foram gastos com advogados e acordos, conseguindo recursos em tempo recorde. Dentre os processos, estão o afastamento de Ednaldo da presidência em dezembro de 2023 por irregularidades nas eleições. A revista afirmou que duas notas fiscais assinadas pelos advogados são de datas de quando já não estavam atuando pela confederação.
Além disso, houve gastos com a contratação de garotas de programa para um evento da CBF. Luísa Xavier da Silveira Rosa, a única mulher que ocupava um cargo de direção na Confederação, presenciou o fato e relatou seu testemunho na ação trabalhista movida contra a entidade após sua saída em junho de 2023.
Luisa relatou também que ouvia diversos comentários misóginos e recebia “elogios insinuantes e convites indesejados” de Rodrigo Paiva, ex- diretor de comunicação, e Arnoldo de Oliveira Nazareth Filho, ligado à Federação Amazonense de Futebol. Para a publicação, Paiva respondeu afirmando que sua trajetória sempre foi de desconstrução da cultura do assédio, enquanto Arnoldo não se manifestou.
Expediente
Apuração e redação: Vitória Castro
Edição: Olívia Pilar
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro