World Boxing anuncia teste de gênero obrigatório 

Foto: Divulgação

por Duda Castro, estudante de Jornalismo da UFMG

A World Boxing, federação mundial de boxe responsável pelo programa olímpico e amador da modalidade , anunciou que todas as boxeadoras maiores de 18 anos precisarão passar por um teste genético de PCR (reação em cadeia da polimerase) para confirmar o sexo biológico antes de competir em eventos oficiais (para “determinar seu sexo no nascimento e sua elegibilidade para competir”). A decisão, divulgada na última sexta-feira (30), já impacta diretamente a carreira da argelina campeã olímpica Imane Khelif, que foi suspensa até que realize o teste. Segundo a federação, os testes fazem parte de uma nova política de “sexo, idade e peso”, que entrará em vigor no dia 1º de julho

A federação mundial diz ainda que enviou uma carta à federação argelina de boxe informando o veto a Khelif, que já não poderá participar da Copa de Boxe de Eindhoven (Holanda) enquanto não passar pela testagem. A instituição lembra as polêmicas dos Jogos de Paris-2024 e argumenta que a medida, motivada por “reações” sobre sua participação no evento na Holanda, visa à “segurança e bem-estar de todos os atletas, incluindo Khelif, e busca proteger a saúde mental e física de todos os participantes da Copa”.

A medida exige que as atletas forneçam amostras de saliva, sangue ou por swab nasal para identificar o gene SRY, marcador do cromossomo Y. Segundo a World Boxing, a intenção é assegurar a igualdade de condições entre mulheres e homens no boxe, principalmente em um momento em que a entidade se prepara para organizar as disputas da modalidade nos Jogos de Los Angeles 2028.

Nas atletas em que for detectado tal cromossomo ou “diferença no desenvolvimento sexual (DSD) em que ocorre androgenização masculina”, a participação só será liberada na categoria masculina.

Imane Khelif foi vítima de polêmica e ataques em Paris ao disputar o torneio sob recusa de outra associação, a Associação Internacional de Boxe (IBA), em autorizá-la a disputar o Mundial de 2023. Segundo a entidade, que não apresentou os resultados dos testes de gênero, a argelina teria a combinação de cromossomos XY, masculina. A IBA havia sido desfiliada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) naquele mesmo 2023 por questões de governança, o que resultou no COI assumindo a organização do torneio de boxe nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. O comitê, por sua vez, autorizou a participação de Khelif nos Jogos.

A suspensão de Khelif, que conquistou o ouro em Paris em 2024, reacende o debate sobre a política de gênero nas competições femininas e amplia a discussão sobre os direitos das atletas e a transparência dos processos de verificação de gênero.

Expediente

Apuração e redação: Duda Castro

Edição: Olívia Pilar

Coordenação: Ana Carolina Vimieiro

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