
por Emanuel Altair Cortez, estudante de Jornalismo da UFMG
A atleta Bruna de Paula, principal jogadora de handebol do Brasil e uma das melhores do mundo na sua posição, denunciou ataques racistas sofridos por ela e sua colega de equipe após partida na liga húngara de handebol, na última quarta-feira (10), por meio das redes sociais. Após a vitória do Gyori Audi, equipe de Bruna, sobre o Mosonmagyarovari na segunda rodada da liga, por 37 x 27, o time da brasileira foi alvo de ataques racistas por parte da torcida adversária.
“Após o jogo de hoje, nosso time foi alvo de insultos racistas e linguagem ofensiva por parte de torcedores adversários. É inaceitável que, no século 21, atletas ainda tenham que enfrentar isso. Racismo é crime, e desrespeito não tem lugar no esporte ou em qualquer outro lugar. Estamos unidos, de cabeça erguida, orgulhosos das nossas histórias, das nossas cores e de tudo o que representamos.” – compartilhou a brasileira nas suas redes sociais.
A goleira Hatadou Sacko, companheira de equipe de Bruninha e medalhista olímpica, também denunciou o episódio: “Obrigado pelo jogo, mas nós não somos macacos e não há nenhum traidor em nosso time. O racismo não tem lugar na quadra e em lugar nenhum!”, publicou a francesa, também nas suas redes sociais.
Após o acontecido, ambas as equipes envolvidas também se posicionaram. O Gyori, clube de Bruna e Sacko, condenou as manifestações e afirmou que as jogadoras foram “submetidas a atrocidades racistas e profundamente desumanas por parte da torcida adversária”, enquanto o Mosonmagyarovari pediu desculpas publicamente e reforçou “se distanciar firmemente de qualquer comportamento contrário ao espírito fair play.
O caso envolvendo Bruna de Paula e Hatadou Sacko expõe, mais uma vez, como o racismo ainda se manifesta com força nos esportes, dentro e fora das quadras. Situações como essa não podem ser normalizadas, já que ferem a essência do esporte, que deveria ser espaço de respeito e igualdade. É mais um episódio inaceitável que reforça a urgência de medidas efetivas contra qualquer forma de discriminação.
Expediente
Redação: Emanuel Altair Cortez
Edição: Olívia Pilar
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro