Com quase metade da delegação mineira, a universidade marca presença no maior evento esportivo universitário da América Latina, em Natal (RN), e reforça o papel das atléticas na formação esportiva e acadêmica
Por Duda Castro e Emanuel Altair Cortez, estudantes de Jornalismo da UFMG
Em virtude da excelente participação e desempenho nos Jogos Universitários Mineiros (JUMs), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) chega aos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) com um feito inédito: será a maior delegação entre as universidades públicas do país e reunirá quase metade dos atletas mineiros na competição. Ao todo, a equipe contará com 90 representantes – 84 atletas e seis integrantes da comissão técnica – distribuídos em sete modalidades: basquete, handebol, vôlei, futsal, natação, cheerleading e tiro com arco.
O evento, considerado o maior da América Latina em esporte universitário, será realizado em Natal (RN), entre 5 e 19 de outubro, e deve reunir milhares de jovens atletas de todo o país.
“Foi uma conquista inédita, porque é muito difícil uma instituição federal representar mais de duas ou três modalidades em um evento nacional igual ao JUBs, né? Então, foi muito importante para a gente demarcar um marco de mudança de rota na UFMG, buscando a institucionalização do esporte”, afirma Claudio Barbosa, técnico desportivo da universidade.

A força das atléticas e a diversidade acadêmica
A delegação reflete também a diversidade da vida universitária: são 34 cursos diferentes representados, com destaque para Medicina e Educação Física, que somam 20 participantes. O basquete é a modalidade com maior número de atletas (22), seguido pelo handebol (13), vôlei (12), futsal (12), natação (12), cheerleader (11) e tiro com arco (2).
Para Barbosa, os números comprovam que as atléticas têm papel central nesse crescimento:
“As entidades precisam conversar mais, precisam se reunir mais. Foi uma surpresa para mim fazer esse levantamento e saber que as próprias atléticas não conhecem o universo delas. A partir de hoje as atléticas vão se reunir mais. Esse foi o aprendizado que eu tive: só vai ter crescimento se as atléticas lutarem de uma forma mais unida.”

Preparação intensa dentro e fora da piscina
Entre os destaques da delegação está a equipe de natação, que tem enfrentado os desafios típicos de conciliar rotina acadêmica e esportiva. A treinadora Hanna Castro ressalta a importância de olhar além da técnica:
“Estruturar os treinos para o JUBs exige uma visão integrada, não só da carga física, mas também dessa parte de desenvolvimento técnico e da preparação mental. É sempre bom conversar com os atletas e entender as expectativas deles para a competição, estabelecendo metas e construindo uma autoconfiança.”
Ela lembra ainda que a equipe é bastante heterogênea, com ex-atletas e iniciantes, o que exige treinos diversificados: “O maior desafio que temos é conciliar treinos e estudo. Nossa equipe é bem heterogênea, tem desde ex-atletas até quem aprendeu a nadar quando entrou na universidade. E isso pode gerar desmotivação. Para superar isso, eu tento estruturar treinos coletivos e individuais e valorizar a progressão pessoal de cada atleta.”

Do handebol ao cheerleader: estreias e sonhos
No handebol masculino, a preparação é intensa e a expectativa é alta. Lucas Baratta, coordenador do “Time do Bigode”, explica:
“A nossa preparação está bem forte. Nesse último mês, a gente está focando bastante nas situações ofensivas do jogo e nos ajustes finais. Desde o início do ano a gente vem treinando bem intensamente para atingir a melhor colocação possível lá no JUBs, em Natal.”
E é claro que o time sonha grande: “As expectativas em relação à classificação do campeonato é chegar no pódio sim”, afirma Baratta.

Já no cheerleader, a UFMG fará sua estreia histórica nos JUBs. A gestora Isabel Gonçalves conta que a vaga veio de última hora, mas a equipe decidiu encarar o desafio:
“Está sendo muito difícil porque o tempo é o nosso maior aliado. Mas a galera topou, então está rolando treinos extras. O técnico também conseguiu fazer uma coreografia em tempo recorde. Então vai dar certo! Estou confiante.”
Mais do que competir, Isabel vê nos Jogos um reconhecimento oficial. Segundo ela, “participar de um campeonato brasileiro, da Confederação Brasileira de Esporte Universitário, que tem reconhecimento internacional também, é um certificado de que você está no caminho certo. É a porta de entrada para o esporte profissional depois da faculdade.”

Muito além da competição
Para os atletas, a participação no JUBs vai além da busca por medalhas. É a chance de viver a experiência de alto nível esportivo, com estrutura semelhante à de competições profissionais.
Como resume Baratta: “Lá você realmente percebe que, com verbas governamentais e uma boa organização, o esporte universitário no Brasil, mesmo com todas as dificuldades que enfrenta, acontece. E acontece em altíssimo nível.”
E como reforça Hanna, a treinadora de natação:
“Quando eu penso no JUBs, penso também na minha trajetória dentro da universidade e na equipe, agora como treinadora e também como atleta. Não é só o desempenho da prova que importa, é uma experiência incrível que temos a oportunidade de participar.”
Um marco para o futuro
Com a maior delegação pública do país, a UFMG se coloca em posição de protagonismo no cenário nacional do esporte universitário. Mais do que resultados em quadras ou piscinas, o feito simboliza a valorização das atléticas, o esforço dos atletas e de treinadores e a consolidação de um projeto esportivo que promete crescer nos próximos anos.
“Vai ser muito importante a gente demonstrar bons resultados lá, partindo com esse ineditismo de ter quase metade da delegação de Minas como representante”, projeta Cláudio Barbosa.
O JUBs 2025, em Natal, promete marcar não apenas o calendário esportivo, mas também a história da universidade.
Expediente
Redação: Duda Castro
Apuração: Duda Castro e Emanuel Cortez
Edição: Ana Carolina Vimieiro
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro