
Por Amanda Camargos, estudante de Jornalismo da UMG
Pela primeira vez na história, o Brasil conquistou o título do Mundial de Atletismo Paralímpico ao encerrar a edição de 2025, realizada em Nova Déli, na Índia, no topo do quadro de medalhas. A delegação brasileira somou 44 pódios, sendo 15 medalhas de ouro, 20 de prata e nove de bronze, superando a tradicional potência chinesa e alcançando sua melhor campanha em Mundiais.
A trajetória histórica foi construída dia após dia, com presença constante dos brasileiros nos pódios. No último dia de competição, no domingo (5), o país confirmou a liderança com mais seis medalhas: três ouros, uma prata e dois bronzes. Entre os destaques, estão as vitórias da Jerusa Geber, Clara Daniele e Zileide Cassiano.
A acreana Jerusa Geber brilhou novamente ao conquistar o ouro nos 200m da classe T11 (deficiência visual), com o tempo de 24s88, sua melhor marca na temporada. Com o segundo título em Nova Déli, ela chegou a 13 medalhas em Mundiais (7 ouros, 5 pratas e 1 bronze) e se tornou a maior medalhista do Brasil na história da competição, ultrapassando Terezinha Guilhermina, que tinha 12. A prova ainda teve dobradinha brasileira, com Thalita Simplício conquistando o bronze (25s97), em seu décimo pódio em Mundiais.
A potiguar Maria Clara Augusto, também foi um destaque da competição ao faturar a prata nos 200m T47 com o tempo de 24s77, também seu melhor da temporada. Ela encerrou a competição como a atleta brasileira com mais medalhas conquistadas em Nova Déli: três no total (ouro nos 400m, prata nos 100m e 200m).
Clara Daniele Barros da Silva, também potiguar, garantiu a medalha de ouro na final dos 200m T12 (deficiência visual) após a desclassificação da venezuelana Alejandra Paola Lopez. Já Zileide Cassiano conquistou o lugar mais alto do pódio no salto em distância T20 ao alcançar 5,88 metros em sua primeira tentativa. Ela também foi medalhista de prata nos Jogos Paralímpicos de Paris-2024.
O título conquistado na Índia encerra uma longa hegemonia da China no Mundial Paralímpico de Atletismo. Até então, os chineses só haviam perdido a liderança uma única vez, em Lyon 2013, quando a Rússia ocupou o primeiro lugar. O Brasil já vinha se aproximando do topo nos últimos anos, com três vice-campeonatos consecutivos: Dubai 2019, Paris 2023 e Kobe 2024.
Apesar de não ter batido o número absoluto de medalhas da edição anterior (47 em Paris), o desempenho na Índia é o mais significativo da história paralímpica brasileira no atletismo.
Expediente
Redação: Amanda Camargos
Edição: Olívia Pilar
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro