Ana Sátila denuncia descaso do Botafogo com esportes olímpicos

A atleta brasileira Ana Sátila compete em canoagem slalom, remando um caiaque azul. Ela veste capacete branco, colete laranja com o número 46 e segura uma pá de remo com as bandeiras do Brasil nas pontas. Água salta ao redor enquanto ela navega sob luz solar intensa. Ao fundo, rochas e vegetação desfocadas compõem um circuito indoor.
Foto: ICF Canoe

Por Amanda Camargos, estudante de Jornalismo da UFMG

A canoísta olímpica Ana Sátila Vargas anunciou na terça-feira (29) seu desligamento do Botafogo, após dois anos defendendo o clube alvinegro. Em um desabafo publicado nas redes sociais e em entrevista ao podcast Rumo ao Pódio, do ge, a atleta denunciou o que chamou de “condições indignas de trabalho” e “tratamento desumano” designado aos esportistas do clube.

Com cinco medalhas em Mundiais e quatro participações olímpicas, Ana afirmou que sua decisão de sair foi tomada “bem antes de qualquer acontecimento específico recente”. Segundo ela, a escolha reflete o descontentamento com a forma como a atual gestão trata os atletas.

No relato, Sátila afirmou ter presenciado ofensas, humilhações públicas e casos de assédio moral, além da ausência de apoio psicológico, fisioterápico e de reabilitação. A atleta ressaltou que as condições oferecidas não correspondem ao nível de exigência do alto rendimento. “São oferecidas condições indignas de trabalho e salários incompatíveis com a entrega, dedicação e resultados exigidos. O clube precisa enxergar o atleta como um ser humano, não apenas como um número ou medalha potencial”, escreveu em seu perfil do Instagram.

Ana também criticou a forma como o clube lida com atletas de menor visibilidade, afirmando que, mesmo com uma carreira consolidada, recebeu propostas que “não garantiam o mínimo respeito à sua história e profissionalização”, em suas próprias palavras. Segundo a canoísta, os atletas olímpicos do clube recebem valores entre R$ 200 e R$ 500, quantia que considera insuficiente diante das cobranças e responsabilidades impostas pela instituição.

A atleta relatou ainda casos de falta de apoio a colegas lesionados, sem acompanhamento médico adequado, e disse que o problema é estrutural, atingindo principalmente jovens que veem no esporte uma oportunidade de transformação de vida. “Se isso acontece comigo, imagino o que acontece nos bastidores com atletas mais jovens e vulneráveis”, afirmou.

Apesar das críticas, Ana Sátila destacou os momentos positivos vividos no Botafogo, demonstrando carinho pelos colegas e pelo clube. Ainda assim, encerrou o texto com uma mensagem contundente: “Sigo torcendo pelo clube e sou grata a tudo que vivi de positivo, mas é uma vergonha o que a gestão olímpica/social atual tem feito com os atletas.”

O Botafogo, em uma nota publicada, lamenta a postura adotada pela multimedalhista Ana Sátila e reforça que, durante todo o período em que a atleta representou o clube, houve dedicação e empenho constantes para oferecer as melhores condições possíveis ao seu desenvolvimento esportivo. Dentro das limitações e possibilidades da instituição, o Botafogo afirmou que sempre buscou apoiar e valorizar o trabalho de seus atletas, reconhecendo a importância de cada um para o fortalecimento do esporte alvinegro.

Expediente

Redação: Amanda Camargos

Edição: André Quintão

Coordenação: Ana Carolina Vimieiro

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