Composta por 22 equipes em 27 modalidades, a atlética vai além da competição: promove acolhimento, integração, saúde mental e formação cidadã, sendo um dos pilares da vida universitária no campus Pampulha. Seus principais rivais são as tradicionais Hércules e Conclave.
Por Amanda Camargos, Vitória Castro e Victor Germano

A Associação Atlética Grifo, representando os alunos dos cursos de engenharia do Campus Pampulha da UFMG, é composta por 22 equipes que competem em 27 modalidades esportivas. Entre elas estão futsal, basquete, vôlei, handebol, futebol, bateria, cheer, xadrez, tênis de mesa, vôlei de praia, e-sports, judô, atletismo, jiu-jitsu, tênis, peteca e natação, com participação de equipes masculinas e femininas. São cerca de 450 atletas dos variados cursos de engenharia que compõem a atlética.
Fundada em 20 de maio de 1949 em uma assembleia de estudantes de Engenharia da, até então, Universidade de Minas Gerais, a atlética recebeu o nome de Associação Atlética Acadêmica da Escola de Engenharia (AAAEE). Em 1968, foi realizado o primeiro rally automobilístico e, em 1969, a AAAEE se tornou independente do diretório acadêmico. Na década de 1970, muitas edições dos Jogos Universitários de Belo Horizonte (JUBH) ocorreram com a participação dos alunos da engenharia. Apesar de alguns fatos marcantes durante este tempo, a atlética enfrentou um período de esquecimento.
Apenas em 2011, ano do centenário da Escola de Engenharia da UFMG, o Grifo foi reativado com a iniciativa de alguns alunos e apoio do Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia da UFMG. Breno Moreira, ex-presidente da atlética, queria montar um time de futebol e decidiu refundar a associação atlética. Junto de outros estudantes, Raí Beirão e Gabriel Lodi, e com o financiamento do diretório acadêmico para o projeto, a atlética ressurgiu com sua própria entidade e logotipo, marcando uma nova fase. O primeiro passo foi criar o Campeonato de Futsal das Engenharias, que recebeu o nome de Champions League da Engenharia.
A escolha do grifo como mascote tem uma origem curiosa e ligada à plataforma de sistemas da UFMG. Antes, a instituição utilizava a plataforma Shibboleth, cujo logotipo era um grifo. Quando a plataforma apresentava falhas, o grifo aparecia nas telas, o que gerava insatisfação entre os usuários. Para suavizar essa associação negativa, criou-se uma nova narrativa que apresenta o grifo como uma criatura mítica extremamente poderosa.
As cores oficiais da atlética (preto, amarelo e azul) também têm uma história particular. Inicialmente, a ideia era usar preto e dourado, em referência às cores do centenário da Escola de Engenharia. Porém, o dourado foi substituído pelo amarelo devido ao alto custo de produção gráfica. O azul foi adicionado posteriormente como forma de baratear o custo das camisas do Engenharíadas, o tradicional evento esportivo dos estudantes de engenharia.
Hoje, o Grifo se destaca pela participação em diferentes torneios universitários que movimentam o calendário esportivo acadêmico. Entre eles está a Copa Inter Atléticas (CIA), que ocorre em Uberaba e é uma das maiores disputas do país, reunindo equipes de diversas atléticas de todo o Brasil. Outro evento importante é o Inter UFMG, competição interna da própria universidade, na qual os cursos se enfrentam em busca do título e do reconhecimento esportivo dentro da instituição.
Já em âmbito estadual, o grande desafio era o Engenharíadas, considerado um dos maiores eventos esportivos e festivos para estudantes de engenharia em toda Minas Gerais, mas que não tem sido mais organizado. Além dos campeonatos entre atléticas, o Grifo promove o IntraEng, que é um campeonato de disputa entre os grêmios da engenharia.
O atual presidente da associação e aluno de Engenharia Elétrica, João Pedro Soares Ferraz, mais conhecido como Formiga, conta que depois da pandemia o número de campeonatos diminuiu.
“Antes, o cenário esportivo universitário era mais aquecido que hoje. Depois da pandemia, foi dando uma enfraquecida. Hoje, principalmente por não ter mais Engenharíadas, nossas principais competições são a CIA e o Inter UFMG”.
Entre as atléticas da UFMG, as maiores rivalidades do Grifo são com a Conclave, atlética de Medicina da UFMG, e com a EEFFETO, atlética da Faculdade de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG. Essa disputa entre eles fica mais forte durante a CIA, principalmente pelo fato de que as três estarem na primeira divisão da competição. Com relação às atléticas externas, uma das grandes rivais é a atlética da Engenharia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
O Grifo se destaca em alguns campeonatos. No último Deu BH, eles foram vitoriosos, e possuem o pentacampeonato na Engenharíadas, única atlética de engenharia de Minas Gerais que possui essa quantidade de títulos na competição. Entre os campeonatos que algumas modalidades participam por conta própria, a competição Tabu 2025 foi disputada pela bateria Engrenadas que ficou em segundo lugar. Também em 2025, o Grifo ficou em terceiro lugar geral da primeira divisão da CIA.
Além de uma trajetória importante nos esportes, o Grifo se destaca nas festas universitárias, sendo responsável pelo Chamado do Grifo, uma das principais calouradas do estado. As últimas edições têm acontecido no Mineirão para acompanhar o crescimento do evento, que precisou de um espaço maior. Outra festa é o Integra Atletas, que é privado para atletas e gestão e tem o objetivo de aumentar o sentimento de pertencimento e identidade com a atlética. É um evento importante para trazer mais animação antes de campeonatos, por isso, ele é feito antes da CIA, para que todos possam ir focados e integrados para uma competição importante.
Um Grifo que acolhe e transforma
Muito além da competição, o Grifo tem desempenhado um papel fundamental na vida acadêmica, emocional e profissional de seus membros. Segundo Renato Izidio, estudante de Engenharia Elétrica e capitão do time de natação do Grifo, a atlética representa um ponto de apoio e crescimento para muitos estudantes:
“Acredito que a atlética possa ser um ponto de conforto e acolhimento para o estudante, tornando mais motivadora a dedicação acadêmica, e ainda agrega positivamente na vida social e emocional por meio das amizades e bons momentos vivenciados na atlética. Além disso, acredito que seja impactante para a vida profissional também, pois cada diretoria que compõe o Grifo é responsável por um trabalho fundamental para manutenção e crescimento da atlética, comumente se relacionando com empresas externas à faculdade e com um trabalho interno bem estruturado”.

Inicialmente restrito aos alunos da Escola de Engenharia, o Grifo passou a incluir, nos últimos anos, estudantes de Arquitetura em algumas competições, graças a mudanças no estatuto:
“O Grifo é primordialmente uma atlética da Engenharia, então alunos dos 13 cursos da Escola de Engenharia podem fazer parte da atlética. Mas há alguns anos, em um novo estatuto, foi possível permitir que estudantes da Arquitetura também competissem pelo Grifo em competições fora da UFMG”, destaca Renato.
A estrutura do Grifo não se limita às quadras ou piscinas. Por trás de cada equipe esportiva há uma engrenagem bem coordenada que garante o funcionamento da atlética como um todo. Cada modalidade conta com um capitão, um assessor e um treinador, que assumem funções administrativas além do desempenho técnico. Esse trabalho é apoiado diretamente pelas diretorias de esportes e de marketing da atlética, criando um sistema de colaboração que fortalece a organização interna do Grifo.
Segundo Renato, essa organização contribui para um senso de pertencimento que vai muito além do esporte. Muitos estudantes se envolvem por anos na atlética, seja competindo, seja ajudando na gestão dos bastidores. “Sim, com certeza, são relativamente comuns os casos de estudantes que se dedicam ao Grifo por três, quatro anos. O grupo formado pelos membros da gestão e pelos atletas é bastante unido e dedicado à atlética”, afirma o capitão da equipe de natação.
O presidente da associação conta que ao entrar na UFMG um de seus objetivos era fazer parte do Grifo. Ele já conhecia a atlética por meio do Instagram e através de alguns amigos que fizeram parte da associação. Ao chegar na faculdade, ele se identificou com as pessoas e atletas que faziam parte do Grifo e começou a frequentar a salinha, um espaço dedicado a atlética dentro do prédio, e foi interagindo com as pessoas, se tornando mais presente até que começou a vestir a fantasia do mascote da atlética. Depois, ele entrou em algumas modalidades e contou que foi recebido de forma positiva. “O pessoal me acolheu muito bem, a galera foi me animando, todos foram muito receptivos, muito além do que eu esperava”, relata.
João Pedro conta que quando entrou na faculdade encontrou no esporte uma maneira de fazer amizades e aliviar a tensão da rotina de estudos.
“Eu acredito que a importância do Grifo hoje para os alunos de Engenharia está relacionada com o alívio: a pessoa consegue tirar um tempo para ela, praticar um esporte, uma atividade física, conhecer gente. Então, contribui para inclusão dentro da faculdade”, conta o atual presidente da atlética.
Esse envolvimento é fortalecido pelas competições que compõem o calendário anual do Grifo. A atlética tem presença marcante tanto dentro quanto fora da universidade, participando de torneios internos como o Inter UFMG e organizando o IntraEng, além de disputar campeonatos como a Copa Inter Atléticas (CIA), o Torneio Metropolitano Universitário e a Deu BH. Há ainda atletas que chegam a representar a própria UFMG em eventos de expressão nacional, como os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) e os Jogos Universitários Mineiros (JUMs).
Com tanta atividade, o Grifo mantém suas portas abertas para novos integrantes. Seja no esporte ou na gestão, há espaço para quem deseja fazer parte. Os processos de entrada variam: algumas modalidades promovem peneiras e treinos abertos, enquanto as diretorias administrativas — como esportes, eventos, marketing, presidência, recursos humanos e vice-presidência — realizam seleções semestrais para novos membros.
Para Renato, essa diversidade de funções é uma das maiores forças da atlética: “É possível fazer parte do Grifo como atleta de alguma modalidade ou como membro da gestão. Para ser atleta, o estudante deve procurar o capitão responsável pela modalidade desejada para saber mais sobre o processo de ingresso. Enquanto para fazer parte da gestão, o aluno deve se inscrever e realizar o processo seletivo para a diretoria de interesse”.
Entre a rotina e o campo de futebol: o Grifo como um alívio
Para Gabriel Chalfun, estudante de Engenharia Aeroespacial e atacante do time de futebol do Grifo, a atlética representa um verdadeiro espaço de respiro e convivência em meio à intensa rotina da UFMG. Entre aulas, projetos e avaliações, o esporte surge como uma forma eficaz de equilibrar corpo e mente, além de criar vínculos importantes dentro da universidade. Para ele, o ambiente esportivo vai muito além da competição — é um espaço onde nascem amizades e a carga pesada do dia a dia acadêmico ganha novos significados. “A atlética é uma forma de escape dessa rotina pesada da faculdade”, afirma.

Gabriel também destaca a receptividade e o clima positivo que marcam o cotidiano da Atlética. Segundo ele, o Grifo é composto por pessoas comprometidas tanto dentro quanto fora de campo, criando uma atmosfera de união e incentivo mútuo. O sentimento de pertencimento é o que mais motiva os integrantes a se manterem ativos, mesmo em meio às exigências da vida universitária. “Fazer parte do Grifo é bem daora, porque você sabe que está com um pessoal sério e gente boa também. Dentro da correria que é a faculdade, o Grifo acaba sendo um prazer”.
Vivendo sua melhor fase desde que entrou para a equipe, Gabriel comemora o bom momento dentro de campo. Ele tem se destacado nas últimas competições e se consolidado como um dos principais nomes do time. Seu desempenho é resultado não apenas do talento individual, mas também do ambiente de comprometimento e apoio mútuo promovido pelo Grifo. Representar a atlética e ver seu esforço transformado em conquistas torna a experiência ainda mais gratificante.
“O momento mais marcante é o que tô vivendo agora, estou sendo o principal artilheiro do Grifo na competição que estamos jogando. Estou bem, me sentindo bem com meu corpo”.
Muito além do esporte: o legado vivo do Grifo na UFMG
A história do Grifo é, acima de tudo, a história de estudantes que decidiram transformar sua passagem pela universidade em algo maior que a sala de aula. É sobre encontrar pertencimento em um ambiente tão exigente como o da engenharia, sobre fazer do esporte um refúgio e da convivência um motor de transformação pessoal.
Mais do que troféus e medalhas, a Associação Atlética Grifo deixa um legado de acolhimento, de laços duradouros e de experiências que moldam não só atletas, mas cidadãos mais conscientes, resilientes e preparados para o mundo. A cada treino, a cada competição, a cada evento organizado, seja no campo, na quadra ou nos bastidores, o Grifo reafirma seu papel essencial na formação de uma vivência universitária mais completa, humana e colaborativa.
Enquanto houver estudantes em busca de conexão, esporte e propósito, o Grifo seguirá batendo suas asas pelo campus Pampulha, inspirando, unindo e transformando vidas muito além das quadras.
Expediente
Apuração e Redação: Amanda Camargos, Vitória Castro e Victor Germano
Edição: André Quintão
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro