Profeta: a atlética que nasceu entre esculturas e cresceu entre poliatletas

Por Soraia Carvalho, Malu Moura e João Pedro Salles, estudantes de jornalismo da UFMG

Fundada em 2013, a Associação Atlética Acadêmica Profeta da Escola de Arquitetura e Design (EAD) da UFMG carrega a força e a resiliência de quem transforma o “ser diferente” em seu maior trunfo. Com 12 anos de história, a Atlética, batizada em homenagem aos icônicos Profetas do Aleijadinho que habitam o campus da EAD, sempre trilhou um caminho singular no esporte universitário.

O nome e o mascote da atlética são uma clara homenagem às esculturas que os estudantes de Arquitetura e Design veem diariamente. As réplicas dos doze profetas esculpidos por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, compõem a paisagem da Escola de Arquitetura e Design da UFMG. Um profeta guarda o hall de entrada; outro vigia o pátio do Diretório Acadêmico; mas há um museu interno que abriga outras peças, frutos de um antigo curso de modelagem do século passado.

Uma das esculturas da Escola de Arquitetura e Design da UFMG | Fonte: arquivo pessoal/ Profeta

Essa presença constante transformou os profetas em testemunhas silenciosas da vida acadêmica. “O profeta desde sempre foi uma figura presente no dia a dia de quem estuda lá”, explica Gustavo Carvalho, diretor esportivo da Atlética. Dessa convivência, nasceu a ideia de batizar a atlética.

Além da identidade visual, as figuras também foram inspirações para um som diferente que ecoa nas quadras durante as competições: o grito de guerra “Abirubiruá, ah, ah! Abirubiruá, ah, ah! Oooh, Profeta!”. A origem é um mistério até para os mais antigos da atlética. Ninguém sabe ao certo de onde veio, mas uma teoria ganhou força: “Abiru Biruá” seria as iniciais dos profetas de Aleijadinho: Abdias, Amós, Baruc, Isaías, entre outros. É uma explicação que, mesmo com suas lacunas, como a falta das iniciais dos outros profetas, foi abraçada pelo grupo. 

Essa característica forjou a fama inicial do Profeta: a de ser uma Atlética da “resenha” e da emoção. Seus membros, em grande parte, são poliatletas, ou seja, jogam em diversas modalidades, motivados muito mais pela paixão de competir e o senso de união do que pela sede exclusiva da vitória.

O espírito poliatleta

Os anos iniciais da Atlética Profeta foram de construção, enfrentando o desafio de representar cursos como Arquitetura e Design, tradicionalmente não associados ao alto rendimento esportivo. O número limitado de alunos nesses dois cursos dificultava a formação de times completos e especializados em múltiplas modalidades. Essa limitação, no entanto, foi o que construiu a grande característica da atlética: o poliatleta.

A falta de gente obrigou os primeiros integrantes a se multiplicarem. A mesma estudante que defendia a rede no vôlei na quarta-feira podia ser a goleira do handebol na sexta e a ala no futsal no domingo. Essa necessidade prática deu à Profeta uma fama peculiar: a de ser uma atlética “da resenha”, que participa das competições muito mais pela emoção do que por uma obsessão por títulos.

Contudo, seria um erro confundir esse espírito descontraído com falta de ambição ou competência. Entre 2018 e 2019, a Profeta viveu seu primeiro grande auge competitivo. Impulsionada especialmente pelo handebol feminino, a atlética começou a fazer barulho nos campeonatos da UFMG, o que provou que a “atlética da resenha” também sabia brigar por resultados.

Essa característica do poliatleta se mantém e é um diferencial: Com aproximadamente 35 atletas frequentes nas modalidades coletivas (e 51 inscritos na última Copa União), o Profeta se destaca pela alta incidência de jogadores versáteis. Essa é uma característica que vai além da necessidade devido ao número reduzido de estudantes: é um dos elementos que consolidam o espírito da Atlética.

Modalidades e atletas de destaque

Atualmente, a Atlética Profeta compete regularmente no Inter UFMG e na Copa União, e mira participar do InterFAU, uma competição de Atléticas de Arquitetura e Urbanismo que acontece no interior de São Paulo. A força do time está concentrada no Vôlei e Handebol femininos.

Time de feminino de vôlei | Fonte: arquivo pessoal/ Profeta

As duas modalidades estão na final da Copa União deste ano, consolidando-se como os maiores destaques competitivos do Profeta. O Hand Feminino, que já foi pódio no Inter UFMG, é treinado por Alana, que também é a técnica oficial do Hand Feminino da UFMG. Sara Bicalho (Vôlei) e Fernanda Carolina (Hand) são duas atletas de destaque.

O próximo passo é a criação do Futsal Feminino através de uma parceria estratégica com a Atlética Guará (Biologia). “Temos o interesse de, no próximo semestre, nos juntarmos com outra atlética para possibilitar o início do futsal feminino,” confirma a direção.

O Profeta também tem nomes de peso em modalidades individuais. Na Natação, Elmer Alejandro (também vice-presidente) e Kamila Silva competem pelo Profeta e treinam com a preparadora Hanna Souza, sendo Elmer um atleta que chega a disputar pela própria UFMG. No Atletismo, Tarsila Monici é destaque no salto à distância, tendo inclusive participado dos JUMs (Jogos Universitários Mineiros) pela UFMG e treinado com a Atlética Grifo.

Reestruturação pós-pandemia

Após o hiato imposto pela pandemia, a Atlética iniciou um processo de reestruturação em 2022. A ex-presidente e atleta Sara Bicalho descreve o cenário do retorno: “Encontrei um cenário um pouco desestruturado e logo entendi que estávamos vivendo um momento de mudanças e de reaprender a estar junto. A atlética estava se reorganizando justamente pela força das pessoas que a compõem”.

O grande desafio atual da gestão é motivacional. A Diretoria Executiva da Profeta, composta por Bárbara Degon (Presidente), Elmer Rodríguez (Vice), Gustavo Carvalho (Diretor Esportivo), Vitória Bital (Diretora de Eventos), Kamila Victória Dornelas (Diretora de Produtos), Isabela Maciel (Diretora de Marketing) e Sabrina Pereira (Diretora Financeiro), concentra esforços em fortalecer o pertencimento.

“Hoje a gente passa por uma dificuldade muito grande quanto ao convencimento em relação às pessoas. A gente fala que é legal fazer parte da Atlética, é legal participar do esporte universitário”, diz o diretor Gustavo Carvalho, que espera que reportagens como esta ajudem a fortalecer a imagem de união e sinergia do grupo.

Gestão do segundo semestre de 2025 da atlética | Fonte: arquivo pessoal/ Profeta

Embora não se considerem uma Atlética com rivalidades históricas de “peso”, a Profeta tem construído um novo e intenso embate nas quadras com a FAFICH (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas), especialmente nas modalidades femininas.

“Se existir alguma rivalidade hoje, é essa que a gente tá construindo entre o Profeta e a FAFICH, por conta desse grau de competitividade bacana entre as duas atléticas”, afirma Gustavo.

A rivalidade se intensifica no contexto da Copa União, onde o Profeta e a FAFICH são as duas Atléticas mais fortes no Vôlei e Hand Feminino, e se enfrentarão em ambas as finais coletivas femininas. “A FAFICH é uma atlética muito maior que a nossa e acho que isso é uma coisa nítida, não é nenhum problema admitir. É um prazer competir com eles nesse nível”, reconhece o diretor esportivo, valorizando a posição de destaque alcançada.

Como Se Juntar ao Profeta

Para se juntar ao Profeta, não há processo seletivo e a associação é acessível, garantindo que “joga quem chegar”. O valor da mensalidade custeia treinadores e materiais esportivos.

  • Mensalidade Padrão: R$ 35,00
  • Mensalidade Fumpistas: R$ 15,00

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Redação: Soraia Carvalho, Malu Moura e João Pedro Salles
Apuração: Soraia Carvalho, Malu Moura e João Pedro Salles
Edição: André Quintão
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro

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