Torneio inter atléticas que ocorre tradicionalmente no segundo semestre foi criado para democratizar o esporte universitário na UFMG
Por Evelyn Costa, estudante de Jornalismo da UFMG
Criada em 2016 para democratizar o esporte universitário na UFMG, a Copa União de 2025 teve início sábado (20) levemente atrasada em relação ao calendário original do campeonato, que precisou prorrogar o período de inscrições a pedido das associações atléticas. Quando da extensão do prazo de inscrições, a comissão organizadora explicou à reportagem do UFMG Esportes que a decisão foi tomada após receber diversos pedidos das atléticas, que alegaram um curto prazo de inscrição e um valor alto para participar. Os valores de inscrição em 2025 foram mais altos que em 2024 em virtude do aumento de custos. A organização também reiterou que a procura dos atletas foi menor em relação aos anos anteriores.
Apesar dos percalços, o evento está ocorrendo, e terá nova rodada de jogos neste fim de semana. Em 2025, o torneio conta com a participação de nove atléticas: Associação Atlética Acadêmica do Instituto de Ciências Exatas da UFMG (AAAICEX), Associação Atlética de Farmácia e Biomedicina (AAFAB), Associação Atlética da Escola de Veterinária (AAAPES), Associação Atlética Unificada de Ciências Biológicas (AAUCB), Associação Atlética da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (AAFAFICH), Associação Atlética da Faculdade de Letras, Escola de Ciência da Informação, Escola de Belas Artes e Escola de Música (AALEB), Associação Atlética da Escola de Arquitetura e Design (AAEAD), Associação Atlética Acadêmica da Saúde (AAAS) e Associação Atlética da Faculdade de Odontologia (AAFO).

Mais do que apenas um torneio, a Copa União tem o propósito de incentivar a prática esportiva, promover a integração entre estudantes da universidade e dar visibilidade às atléticas. Para muitas equipes, ela representa uma oportunidade única de competir em igualdade de condições e de desenvolver o potencial de seus atletas.
Por se tratar de um campeonato de grande porte, os desafios são inevitáveis e afetam todos os envolvidos, desde a comissão organizadora, que precisa lidar com a logística, finanças, prazos e regulamentos, até os chefes de delegação e os próprios atletas, que enfrentam dificuldades para conciliar treinos, jogos e compromissos acadêmicos. Esses obstáculos tornam a realização da competição um processo complexo, que exige organização, dedicação e colaboração constante.
Um dos grandes desafios da Copa União apontados é a questão financeira, no qual, os custos acabam pesando para as equipes e impactando diretamente a participação das atléticas. Em conversa com André Florêncio, integrante da Comissão Organizadora da edição 2025, ele destacou:
“A gente está sentindo que, cada vez mais, as atléticas estão menos engajadas, talvez por questões financeiras mesmo. Na estrutura atual e no formato atual, no quesito financeiro, a Copa União fica cada vez mais inviável.”
Isabella Maia, Chefe de Delegação da AAAS e integrante da Comissão Organizadora da Copa União 2024, acrescenta que outra dificuldade para quem organiza o campeonato é lidar com a sobrecarga de responsabilidades. Segundo ela:
“É muita coisa a se pensar: calendário, rever regulamento para entregar uma copa atualizada para os atletas e as atléticas. Demanda muito tempo e são muitas demandas ao mesmo tempo. A comissão organizadora tem que atender os prazos que façam com que o campeonato não se prolongue muito, porque, querendo ou não, a gente também tem prazos, e a gente tem que fazer com que as atléticas também consigam atender aos nossos prazos, porque precisamos disso para se organizar.”
Outro desafio destacado por Isabella é a necessidade de presença constante da comissão organizadora em todos os jogos da Copa União e a correria. De acordo com ela: “Acaba um fim de semana e a gente já tem que pensar em conversar com a arbitragem, enviar o formulário de demanda, recolher as demandas, montar um novo jogo, enviar para as atléticas, e sempre tem alguma atlética que pede uma alteração ou outra nos horários dos jogos.”

Mesmo diante de todas as dificuldades e pressões que envolvem integrar a Comissão Organizadora da Copa União, ambos ressaltam que a experiência é extremamente gratificante. Para eles, acompanhar o campeonato em andamento, perceber o esforço dos atletas e contribuir para a integração esportiva entre as atléticas faz com que todo o trabalho e os desafios enfrentados ao longo do processo valham a pena. Isabella conclui: “É uma experiência muito legal e, no final, é muito gratificante ver que você deu o seu máximo ali. É lógico que nada sai perfeito, vão surgir muitos problemas, mas, ao final, tudo compensa: você faz novas amizades, adquire experiência e fica feliz com o trabalho realizado.”
Desafios enfrentados pelos Chefes de Delegação e atletas
O chefe de delegação da atlética é, essencialmente, o responsável por representar oficialmente a equipe e assegurar que toda a logística e organização do grupo ocorram de forma adequada. Neste ano, atuando como representante de sua atlética no campeonato, Isabella destaca que os principais desafios têm sido o grande volume de demandas e a necessidade de conciliar todas as rotinas. Ela ressalta ainda que é preciso manter uma comunicação eficiente com os atletas, ao mesmo tempo em que responde às solicitações da comissão organizadora.

A questão financeira também se faz presente neste contexto, levando as atléticas a buscar alternativas para tornar o campeonato o mais acessível possível, de modo que todos os atletas tenham condições de participar. Em conversa com Maria Luiza, chefe de delegação da AALEB, ela relatou que a equipe se esforçou ao máximo para que o valor da inscrição fosse viável para todos. Segundo ela, em determinado momento, chegou-se até mesmo a considerar a desistência da competição, caso o custo se tornasse inviável para os participantes.
Mesmo diante das dificuldades, ambas destacam a importância da Copa União para as atléticas. Para elas, esse campeonato não apenas fortalece o espírito coletivo das equipes, mas também reforça que a universidade pública vai muito além das salas de aula: ela também deve ser vivida por meio do esporte, da convivência e do lazer. E acompanhar de perto o empenho dos atletas e o trabalho da própria atlética durante a Copa União é uma experiência extremamente recompensadora.

Catarina Matos e Gabriel Ribeiro, chefes de delegação da AAFAFICH, atual campeã da Copa União, acumulam também a função de poliatletas no campeonato. Para ambos, conciliar as responsabilidades administrativas com a participação nas modalidades é um grande desafio. “Ser chefe de delegação da atlética campeã é uma responsabilidade enorme. É um trabalho muito difícil, mas estou aprendendo muito com tudo”, afirma Gabriel. Ele explica que, para evitar maior sobrecarga e dar oportunidade a outros atletas, precisou abrir mão de algumas modalidades. “Como chefe de delegação, minha prioridade é manter a Copa União funcionando. Não sou mais apenas atleta; agora preciso zelar pelo desempenho e bem-estar de toda a equipe”, completa, destacando a dedicação necessária para equilibrar função, treino e compromisso com os colegas.

Como atleta, Catarina destaca que o curto tempo de treinamento entre os jogos é um dos fatores que torna a competição ainda mais desafiadora. No entanto, a vontade de conquistar mais um título com a AAFAFICH e contribuir diretamente para isso é sua maior motivação. “É uma honra representar uma atlética gigante como a AAFAFICH! Essa atlética carrega diversas bandeiras e se engaja em muitas causas importantes. Poder levar o nome dessa instituição adiante por meio do esporte é algo que tem grande significado para mim”, ressalta.
Apesar dos desafios e da complexidade envolvidos na organização e na participação, a Copa União se mostra uma experiência extremamente valiosa e gratificante para todos os envolvidos. A competição não apenas promove o desenvolvimento dos atletas e aumenta a visibilidade das equipes, como também reforça o papel do esporte como instrumento de união, aprendizado e lazer dentro da UFMG. Dessa forma, mesmo diante das dificuldades, a Copa União mantém sua relevância, eficiência e significado, consolidando-se como um dos principais eventos esportivos da universidade, que contribui para o fortalecimento da comunidade atlética e estabelece um espaço que fortalece vínculos.