Copa União 2024 promete democratizar o esporte universitário, mas enfrenta desafios

Por Isabel Gonçalves (@bell._.22) e Luiza Waters (@luh_waters01)

A Copa União é um dos principais campeonatos anuais entre as associações atléticas (AAs) da UFMG. Criado em 2016, o torneio surgiu em resposta ao descontentamento das AAs com a organização do Inter UFMG – campeonato organizado, atualmente, pela Liga das Atléticas Universitárias, que conta com a participação de atletas de todos os prédios da universidade e acontece no primeiro semestre do ano. 

Na época, segundo representantes da AALEB (Associação Atlética de Letras, ECI e Belas Artes) em um manifesto publicado no site da instituição, havia uma disparidade entre as atléticas “fundadoras” – Grifo, das Engenharias; FACE, das Ciências Econômicas; Hércules, da Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional; Medicina; e Vetusta, da faculdade de Direito – e as atléticas “convidadas”, que tinham menos expressão e não participavam das decisões sobre a competição. Ainda foram pontuadas algumas discordâncias, como o fato de que o regulamento do Inter UFMG, “obrigava que as atléticas se inscrevessem em um número mínimo de modalidades e vendessem um certo número de ingressos para poderem participar do campeonato, sem considerar a realidade de cada atlética”

Diante desse cenário, a Copa União surge com a proposta de ser uma competição mais democrática na tomada de decisões e justa com o contexto de cada atlética participante. Essa essência parece estar presente até hoje, como fica evidente na fala do atual diretor de esportes da AAFAFICH, Mateus Vieira:

“A Copa União é uma competição que dá muita oportunidade (…) que favorece o crescimento das atléticas e faz brilhar os olhos dos atletas” .

Foto: Agência FOBOS

#paratodosverem: A imagem mostra um homem de pele negra e cabelo cacheado curto, usando um uniforme preto e roxo. Ele está sorrindo e gritando com as mãos em torno da boca, como se estivesse incentivando ou comemorando algo. A expressão facial transmite entusiasmo e energia.

A edição deste ano está prevista para acontecer nos fins de semana entre 15 de novembro e 25 de janeiro no Centro Esportivo Universitário (CEU). A Comissão Organizadora (CO) já confirmou a participação de oito atléticas em 24 modalidades tanto individuais como coletivas. A CO é composta pelos próprios estudantes da UFMG que dividem as tarefas e se dedicam voluntariamente para organizar a logística e a gestão financeira do campeonato. Segundo Lucas Mendes, membro da CO desde 2023, a organização começa com pelo menos três meses de antecedência, já que uma organização tardia pode prejudicar desde a preparação pré campeonato das atléticas até a questão logística do campeonato, como procurar arbitragem, quadras e etc.

Treino de handebol feminino da AAFAFICH. Foto: Isabel Gonçalves

#paratodosverem: Imagem da área do gol de uma quadra. À esquerda, uma jogadora de uniforme preto e vermelho está posicionada na frente do gol, com os braços abertos, em postura defensiva, provavelmente tentando defender o gol. À direita, outra jogadora, vestida com um conjunto esportivo azul, está no ar com uma das pernas dobradas e o braço direito estendido para lançar a bola em direção ao gol.

Um dos principais desafios organizacionais apontado por Lucas é a falta de apoio tanto institucional quanto das atléticas que compõem o campeonato. Segundo ele, a UFMG não auxilia na organização da Copa União e o comportamento das atléticas influencia muito no funcionamento da competição “[…] é feito pelos estudantes e para os estudantes, se não houver a colaboração das atléticas e atletas, o campeonato desanda.”. 

Essa falta de apoio institucional da UFMG acaba prejudicando a Copa União, uma vez que a desvalorização do esporte universitário, principalmente no quesito estrutural, também é uma questão que dificulta um bom andamento do campeonato e do desenvolvimento esportivo das AAs. “[O esporte universitário] é muito sucateado, a gente só tem o CEU e a única quadra coberta na UFMG é na EEFFTO e isso é um completo absurdo! A UFMG quer se bancar como a melhor federal do país, mas não tem um complexo esportivo a altura pros atletas”, afirmou Mateus.

A falta de um espaço que comporte a quantidade de jogos até vira motivo de piadas nas redes sociais, já que com a inexistência de espaços cobertos no clube, os organizadores e participantes ficam sujeitos às variações meteorológicas. O calendário da competição frequentemente é afetado, uma vez que a Copa acontece no segundo semestre do ano, época de chuvas na região.

Reprodução | @copauniaoufmg 

#paratodosverem: A imagem apresenta duas postagens sobre a Copa União UFMG no Instagram. À esquerda, há um tweet de uma usuária chamada “zicada”, dizendo: “a verdadeira dança da chuva é marcar jogos da Copa União”.
À direita, está uma postagem mais longa do perfil oficial @copauniaoufmg. Ela inicia com um tom irônico, dizendo que o Ministério do Meio Ambiente anunciou que jogos da Copa União são garantia de chuva em regiões secas do Brasil. A postagem relata que, apesar de uma semana de sol e calor, o fim de semana de jogos foi marcado por chuvas intensas, que inviabilizaram o uso do Centro Esportivo Universitário. A organização tentou alternativas, mas, devido a goteiras e condições adversas até em outros ginásios, alguns jogos precisaram ser adiados ou interrompidos. A publicação destaca o agradecimento aos atletas e equipes que participaram com empenho, superando dificuldades. O texto termina com um incentivo: “VAMO QUE VAMO, RETA FINAL!!!”

Ao falar com um especialista na área de organização de eventos esportivos, ele afirmou que a primeira coisa a se considerar na hora de planejar uma competição é a estrutura.

“Um dos principais pontos que a gente tem que levantar numa organização de uma competição esportiva é a questão estrutural. Se o local consegue receber a competição e oferecer espaço para a torcida e os atletas”, afirma Felipe Garcia, sócio-diretor da EXP Produções, responsável pela Copa Inter Atléticas, maior campeonato universitário de Minas Gerais. 

De acordo com Luciano da Silva, diretor do CEU, a política atual de ocupação dos espaços do clube privilegia os treinos e eventos esportivos organizados pelos estudantes da UFMG. Então, a CO da Copa União têm prioridade na hora de reservar as quadras do clube. Entretanto, eles não podem desconsiderar os usuários que vão ao CEU para a prática de atividades esportivas em outros contextos. Isso evidencia que o evento tem prioridade, mas não garantias de que irá acontecer como esperado. Apesar disso, o clube tem uma boa estrutura e vem atendendo às demandas da competição, que já vai para a sua quinta edição.

Semi-final Copa União 2019. Foto: AAICEX (Associação Atlética do Instituto de Ciências Exatas)

#paratodosverem: A imagem mostra uma partida de handebol feminino em uma quadra ao ar livre, cercada por árvores e vegetação ao fundo. No centro da cena, vemos uma jogadora de uniforme vermelho realizando um arremesso em direção ao gol. À sua volta, outras jogadoras de uniforme roxo tentam bloqueá-la, enquanto uma jogadora de uniforme amarelo com o número “1” nas costas está posicionada como goleira, pronta para defender o lance.

É fato que a Copa União foi bem sucedida em criar um ambiente leve e colaborativo com as atléticas, que conseguem dialogar e negociar datas, decisões e questões de regulamento, com menos pressão e um calendário organizado. A cada ano a CO busca atender as demandas da melhor forma, se adaptar e aprender com as situações para aperfeiçoar a competição. 

“Sabemos que o esporte universitário não é tão valorizado nas universidades, por isso nosso papel de fazer um bom campeonato é essencial para que as instituições vejam que o esporte universitário é necessário para a permanência dos alunos na faculdade”, afirma Lucas Mendes.

Avatar de Desconhecido

Autor: labcomunicesp

O Laboratório de Comunicação e Esporte é uma disciplina de graduação ofertada anualmente no Departamento de Comunicação Social (DCS) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pela professora Ana Carolina Vimieiro.

Deixe um comentário