Estudantes, servidoras/es e pessoas de fora da universidade utilizam os gramados da UFMG para praticar esportes e fugir do estresse de uma rotina cansativa.
Por Davi Augusto (@davi.m13) e Ronnald Campos (@ronnald_campos)
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é referência em todo o Brasil, tendo seu principal campus localizado na região da Pampulha, em Belo Horizonte, com mais de 40.000 alunos matriculados. Mas, para além das disciplinas, provas e estudos, a universidade tornou-se um centro de convivência que abriga variadas práticas esportivas, seja no CEU (Centro Esportivo Universitário), no CTE (Centro de Treinamento Esportivo) ou nas competições realizadas pelas atléticas dos cursos.
Porém, em um contexto não tão explorado, ambientes de beleza natural da UFMG são ressignificados e tornam-se um retrato dos esportes na universidade. Assim, os gramados espalhados por todo o Campus Pampulha transformam-se em localidades ativas de práticas esportivas. Peteca, slackline, yoga, Tai Chi Chuan, Kung Fu, entre outros. A diversidade de esportes, além de competições das atléticas e treinamentos no CTE e CEU, se faz presente na UFMG e reflete, diretamente, na vida de alunos, funcionários e até mesmo no público externo da universidade.
Nesse contexto em que os gramados da UFMG deixam de ser apenas um retrato da beleza natural do local, o professor de Kung Fu e Tai Chi Chuan, vice-presidente da Federação Brasileira de Kung Fu Shaolin, campeão mineiro, brasileiro, sulamericano, segundo lugar nos jogos latinoamericanos shaolin 2023 e ex-aluno da universidade, Vânio Tonussi Lopes Pinto, de 39 anos, surge como uma representação da importância desse viés esportivo no contexto universitário.
Ao enxergar uma oportunidade de ofertar suas aulas nos gramados em frente à reitoria, reunindo alunos, funcionários e pessoas de fora da universidade para aprender as artes marciais, ele desenvolve essa atividade desde 2008.
“Eu comecei estudando aqui em 2005, fazendo Biologia, e desde essa época eu já praticava e já tinha ganhado alguns campeonatos. Com isso, colegas meus pediram para que eu pudesse dar aula para eles. Aí eu comecei a dar essa nova ‘graduação’ dentro da universidade”, explica o professor.
#ParaTodosVerem: Mestre Vânio, de 39 anos, cedendo entrevista para o nosso repórter no gramado da UFMG, seu ambiente de ensino. O professor é branco, tem o cabelo liso curto e possui barba e bigode, ele está de uniforme com as cores preta e branca.
Kung Fu e Tai Chi Chuan: esportes não tradicionais que merecem destaque
Esportes tradicionais, como o futebol, têm muito destaque no Brasil. Mas, práticas como o Kung Fu e o Tai Chi Chuan, artes marciais milenares, que buscam desenvolver habilidades físicas e mentais (Kung Fu) e o foco na saúde, equilíbrio e o cultivo da energia interna (Tai Chi Chuan), são, também, praticadas no país, porém, como menos alcance social.
Com isso, esses esportes não tradicionais merecem uma maior visibilidade, abrindo espaço para novas práticas esportivas. Tal contexto é justamente o que a atividade desenvolvida por Vânio, nos gramados da UFMG, representa. Ao unir o ambiente dos gramados com o desenvolvimento das bases do Kung Fu e Tai Chi Chuan, os alunos de Vânio têm a chance de conhecer um cenário esportivo que vai além do tradicional.
ParaTodosVerem: Mestre Vânio, juntamente com seus alunos, praticando os movimentos das artes marciais em espaço aberto, localizado próximo a reitoria da universidade. Todos eles estão uniformizados, nas cores preto e branco. Ao fundo, está um ambiente com árvores, gramados e carros.
A importância da prática do esporte para a melhora da saúde mental e física
Com a pressão da rotina de trabalho e acadêmica, os cuidados com o corpo, em uma perspectiva física e mental, podem ser deixados de lado, prejudicando a vida e podendo desencadear problemas graves, como a depressão e a ansiedade. Dessa forma, no contexto da prática de artes marciais nos gramados universitários, o professor Vânio destaca a iniciativa esportiva como uma maneira de aliviar as pressões vividas diariamente: “o objetivo central é a saúde física e mental”, ressalta.
“Às vezes a pessoa estuda o dia inteiro, trabalha e chega aqui com a tensão tomando conta. Então, a primeira coisa que eu falo, quando eles chegam aqui, é para esquecer os problemas lá de fora, as provas, os trabalhos que têm que entregar, esquecer tudo. Aqui é o momento de respirar, mover os músculos e deixar a cabeça calma. O próprio ambiente daqui ajuda para isso”, comenta Vânio ao destacar a importância de sua atividade e do ambiente em que ela é praticada.
#ParaTodosVerem: Mestre Vânio, juntamente com mais dois alunos, eles estão realizando movimentos diferentes. Ao centro, o professor está posicionado com os braços abertos e a perna esquerda levemente para trás. Logo atrás, seus alunos estão posicionados com as mãos para cima e com uma das pernas para trás. Ao fundo, está um ambiente com árvores e gramados, carros, algumas construções da UFMG e um céu azul com algumas nuvens.
Os praticantes
Ao observar seu público, por ser uma atividade realizada fora do contexto das atléticas e das competições oficiais, Vânio desenvolve as artes marciais tanto para praticantes internos, como funcionários e alunos, quanto para pessoas de fora da universidade, como ex-alunos, por exemplo. É o caso de Leonardo Paes Vieira, 29 anos, estatístico formado na UFMG. Leonardo, antes praticante de futebol, conheceu o Tai Chi Chuan e Kung Fu quando trabalhava na reitoria e tinha um colega que praticava.
“Eu estava na procura por um exercício físico, aí eu decidi vir um dia com o meu colega e foi aí que eu descobri. Queria algo com mais acompanhamento, algo que me desse uma rotina esportiva maior do que quando eu praticava futebol”, explica o estatístico.
Mesmo sendo a primeira arte marcial praticada por ele, o aluno fez questão de destacar os benefícios e como a atividade afetou sua vida:
“Eu gostei de início. Meu corpo nunca tinha feito os movimentos realizados aqui, mas isso serviu como uma motivação para que eu pudesse aprender. O principal resultado desses aprendizados foi a disposição que isso me trouxe. Às vezes eu trabalho e chego aqui cansado, mas, depois de me exercitar, eu me sinto novo. Me revigora, virou algo fundamental”.
#ParaTodosVerem: Mestre Vânio, juntamente com mais dois alunos, passando instruções para ambos. Eles estão realizando um movimento onde ficam com a perna direita levantada na altura da cintura, a mão direita acompanha a ação, enquanto a esquerda fica um pouco mais abaixo. Ao fundo, uma escultura da universidade, árvores, carros e um céu de final de tarde.
A diversidade do público atingido por Vânio permite uma troca de experiências entre aqueles que frequentam as aulas disponibilizadas nos gramados do campus:
“Posso interagir com os alunos aqui da UFMG e isso é legal. Como fui estudante me sinto parte desse ambiente novamente e sei que os alunos daqui também gostam dessa interação, tanto com pessoas como eu, de fora, quanto com pessoas de variados cursos daqui”, comenta Leonardo.
Outro exemplo de um aluno praticante das aulas e que passa por essa situação é o João Victor, 24 anos, mestrando em Física na universidade. “Poder estar aqui praticando as artes marciais é o que me mantém em equilíbrio. Se eu não fizer eu passo mal, é uma atividade que me ajuda a desestressar da correria dos estudos, alivia minha dor de cabeça, me ajuda demais”, destaca João.
Como Leonardo, o ambiente gerado nos gramados durante as práticas tornou-se essencial na vida do mestrando em física, que não enxerga sua vida sem essa prática: “Sempre foi meu sonho ter aulas desse tipo. Então, quando eu vi o cartaz de anúncio, isso foi perfeito para mim, aprendi a gostar ainda mais e penso, se existir mais oportunidades, em até buscar algumas competições para participar. Creio que o ambiente daqui foi essencial para eu continuar empenhado. Trocar ideias com todos os outros alunos, fazer amizades, conhecer culturas, isso é incrível”.
Continuidade do trabalho
Mesmo com mais de 15 anos de atividade, Vânio mostra-se contente e empolgado em continuar suas aulas. “Eu gosto porque é um ambiente aberto, pretendo continuar minhas aulas por aqui. Eu já dei aulas em academias, mas não é a mesma coisa, o clima daqui é diferente. A gente transpira menos, pois é bem ventilado e o pessoal até estranha quando a gente precisa praticar em um lugar fechado quando chove, por exemplo”, completa Vânio ao ser questionado sobre a continuidade de seu projeto.
#ParaTodosVerem: Na imagem, o professor está reunido com seus alunos, que estão posicionados em duas fileiras na horizontal. Eles estão em um ambiente aberto, com árvores e diversos carros estacionados.
Para além de competições oficiais das atléticas e dos esportes tradicionais do Brasil, existe um universo que merece atenção e destaque pela capacidade esportiva que abriga. Nessa perspectiva, os gramados da UFMG representam um papel fundamental, contexto representado na fala do Mestre Vânio:
“Não preciso de quadro na parede, não preciso de ar-condicionado, a paz desse lugar nos ajuda a praticar o Kung Fu e o Tai Chi Chuan. O barulho das cigarras cantando, a natureza, as interações e o empenho dos meus alunos facilitam a disseminação do nosso esporte”.
Serviço
Modalidade/Curso/Evento: aulas de Kung Fu e Tai Chi Chuan.
Onde: campus Pampulha da UFMG, no gramado em frente a Reitoria.
Quando:
- Kung Fu – segundas, quartas e quintas, às 18 horas;
- Tai Chi Chuan – segundas e quartas, às 17 horas.
Quanto:
- Kung Fu – R$ 130
- Tai Chi Chuan – R$ 110
- As duas modalidades juntas – R$ 180.
Público: aberto – não precisa de experiência anterior com a modalidade
Mais informações: Instagram do Mestre Vânio (@shaolin_brasil_mestre_vanio)
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