Trilhas no campus Pampulha UFMG: um convite ao esporte ao ar livre e à preservação da saúde mental

Grupos de corrida, caminhada e ciclismo de Belo Horizonte se reúnem para realizar treinos no Campus Pampulha. A ação é uma alternativa para a prática de esportes gratuita e acessível.

Por Duda Sperandio (@duda.spe) e Vitória Alves (@alvess_vitoria_)

A prática de esportes ao ar livre é uma das grandes aliadas da saúde mental. Nesse sentido, o Campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se destaca, oferecendo aos estudantes e à comunidade um espaço amplo e verde, que promove o bem-estar por meio de trilhas acessíveis para caminhadas, trail run e ciclismo. Com aproximadamente 18 km de extensão, o percurso no campus faz um convite à interação com a natureza e é uma saída da rotina e pressão acadêmica.

Segundo um estudo publicado no Amarican Journal of Lifestyle Medicine, o contato com a natureza estimula as pessoas a se movimentarem e melhora a função imunológica e a resiliência do organismo. Além disso, quem se exercita ao ar livre vê melhora na função cognitiva e humor, se sente menos ansioso e estressado e é mais feliz. Esses benefícios são percebidos por quem, em geral, se exercita, no entanto, eles se amplificam quando essas pessoas vão para locais abertos. 

Dentre os fatores para isso acontecer, alguns deles são que a exposição à luz solar e ao ambiente natural aumentam a satisfação, energia e, também, a vitamina D. A vitamina D fortalece o sistema imunológico, ajuda na saúde cardiovascular e aumenta o desenvolvimento cerebral. Vale ressaltar ainda que, se exercitar ao ar livre faz com que haja uma variação no terreno, proporcionando um desafio maior, tornando os exercícios mais envolventes que aqueles realizados em ambientes fechamos como, por exemplo, na academia. 

A imagem mostra um grupo de 20 pessoas reunidas em um estacionamento arborizado, em um dia ensolarado. A maioria está usando camisetas de cores vibrantes, como verde, vermelho e azul, e calções ou leggings. Algumas pessoas estão agachadas na frente, enquanto outras estão em pé, sorrindo para a câmera. Duas pessoas seguram uma bandeira com o escrito "Fêmege". À direita do grupo, um carro Fiat cinza escuro está estacionado, e há árvores verdes ao fundo. #ParaTodosVerem

Foto: Carlos Alberto/criador do grupo “Femegê”
Foto: Carlos Alberto/criador do grupo “Femegê”


#ParaTodosVerem: A imagem mostra um grupo de corredores em uma trilha de terra batida cercada por árvores e vegetação densa no Campus Pampulha da UFMG. O chão é irregular, com algumas rachaduras e folhas caídas. A maioria dos corredores veste camisetas verdes e estão correndo em direção à câmera.

Na Universidade, existem grupos que se encontram para realizar as atividades de caminhada, trail run e ciclismo. Um desses grupos se chama ‘Equipe Femegê Trail Run’. O grupo foi fundado em 2015 pelo Carlos Alberto, conhecido no meio esportivo como “Carlão”. O objetivo principal do grupo é organizar treinos coletivos de Trail Run na UFMG. “Femegê”, segundo o criador do grupo, vem do “mineirês de UFMG”. 

De acordo com Carlos, ele conhecia as trilhas da UFMG desde 2013 e, desde quando começou a fazer a transição da corrida de asfalto para o trail run, começou a frequentar mais as trilhas da Universidade.

“Comecei a treinar na UFMG e fui chamando o pessoal para ir junto. O grupo foi crescendo e já formou grandes atletas. Esses atletas começaram conosco e viraram ultramaratonistas”. 

Carlos ainda diz que, em 2015, o grupo treinava também na Estação Ecológica da UFMG, chegando a ter um projeto para parceria com a Estação, para que eles pudessem treinar no local. Atualmente o projeto está em análise com um docente da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO). O grupo não conta com a participação de muitos estudantes da Universidade, visto que, o grupo não é da UFMG e a mesma não comunica aos alunos a existência dessas atividades. 

O criador do grupo de trail run ainda afirma que, para além dos benefícios para a saúde física e mental dos corredores, os encontros na UFMG ajudaram na segurança. Carlos afirma que “antigamente, no início, quando corríamos pela Universidade, havia muita coisa errada nas trilhas. No entanto, como começamos a frequentar com mais regularidade, isso diminuiu muito. Além disso, estamos sempre olhando, pois caso encontremos alguma ação suspeita, sempre comunicamos aos guardas, auxiliando na segurança do espaço”.  

A imagem mostra um grupo de 20 pessoas reunidas em um estacionamento arborizado, em um dia ensolarado. A maioria está usando camisetas de cores vibrantes, como verde, vermelho e azul, e calções ou leggings. Algumas pessoas estão agachadas na frente, enquanto outras estão em pé, sorrindo para a câmera. Duas pessoas seguram uma bandeira com o escrito "Fêmege". À direita do grupo, um carro Fiat cinza escuro está estacionado, e há árvores verdes ao fundo. 

#ParaTodosVerem

Foto: Carlos Alberto/criador do grupo “Femegê”
Foto: Carlos Alberto/criador do grupo “Femegê”

#ParaTodosVerem: A imagem mostra um grupo de 20 pessoas reunidas em um estacionamento arborizado, em um dia ensolarado. A maioria está usando camisetas de cores vibrantes, como verde, vermelho e azul, e calções ou leggings. Algumas pessoas estão agachadas na frente, enquanto outras estão em pé, sorrindo para a câmera. Duas pessoas seguram uma bandeira com o escrito “Fêmege”. À direita do grupo, um carro Fiat cinza escuro está estacionado, e há árvores verdes ao fundo.

Mariana, 21, estudante de Educação Física na UFMG corre com o grupo e comenta: “Sou estudante e adoro correr na UFMG. Aqui encontramos um ótimo espaço para realizar atividades em contato com a natureza. No entanto, eu descobri o grupo porque já corria antes e estou neste meio. Acho mais provável as pessoas correrem aqui porque já tem a corrida como um hábito do que iniciarem a prática porque estudam aqui e porque é mais prático. Não conheço uma comunicação institucional divulgando essas práticas aqui dentro”. 

A falta de apoio institucional e divulgação

Apesar do potencial do campus para incentivar a prática de esportes ao ar livre, essas atividades ainda dependem exclusivamente de iniciativas informais dos próprios alunos e/ou moradores da região. Não há um incentivo formal por parte da UFMG para organizar ou divulgar essas atividades, restringindo o acesso de novos participantes. Mariana ainda afirma: “Seria muito bom se a Universidade reconhecesse essas práticas e oferecesse suporte, como espaços para encontros e eventos de corrida e ciclismo”. 

Além disso, em dias como os domingos, quando muitos poderiam aproveitar o espaço para lazer e prática esportiva, o campus permanece fechado, limitando o acesso. Procurada, a UFMG não se manifestou sobre o tema e redirecionou a reportagem para a Estação Ecológica da Universidade, órgão voltado à preservação das áreas verdes do campus e da cidade, que também não respondeu até a publicação desta matéria.

O papel da Universidade

A UFMG tem uma grande oportunidade de contribuir para o bem-estar de sua comunidade ao reconhecer e incentivar o uso de suas trilhas para práticas esportivas. Assim como a promoção de programas esportivos e de saúde mental no campus, a inclusão de eventos regulares voltados para a prática de atividades físicas poderia reforçar o papel da Universidade na criação de um ambiente saudável e inclusivo.

Enquanto isso, os grupos de corrida e ciclismo continuam a explorar as trilhas do campus Pampulha, na esperança de que a UFMG passe a reconhecer e apoiar formalmente essas práticas. A trilha é um convite ao movimento e à conexão com o ambiente, e a UFMG tem a chance de ser a facilitadora desse caminho em direção ao equilíbrio e ao bem-estar.

Para mais informações sobre o grupo de esportes Femegê, acesse a conta do Instagram @equipefemegetrailrun.

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Autor: labcomunicesp

O Laboratório de Comunicação e Esporte é uma disciplina de graduação ofertada anualmente no Departamento de Comunicação Social (DCS) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pela professora Ana Carolina Vimieiro.

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