
Por Emanuel Cortez, estudante de jornalismo da UFMG
A Universidade Federal de Minas Gerais conquistou o bicampeonato geral dos Jogos Universitários Mineiros (JUMs) ao vencer a edição de 2026, realizada em Itajubá. O resultado, porém, foi ofuscado por uma sequência de falhas na organização e, principalmente, na divulgação oficial da classificação por parte da Federação Universitária Mineira de Esportes (FUME).
Encerrada no domingo (4), com as finais das modalidades coletivas, a competição terminou sem um dos seus momentos mais simbólicos: a oficialização do campeão geral. Apesar da cerimônia de premiação das modalidades no Ginásio Poliesportivo da UNIFEI, nenhuma delegação deixou o evento com a confirmação formal do pódio geral.
A situação se agravou nos dias seguintes, já que a FUME só divulgou a classificação na sexta-feira (9), cinco dias após o encerramento, e ainda assim com erros graves de contagem. Modalidades individuais como Atletismo, Jiu-Jitsu e Natação tiveram resultados computados de forma equivocada, gerando uma tabela que colocava a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) como vice-campeã e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em terceiro. Além disso, a classificação só somava pontos para os três primeiros colocados de cada modalidade, ignorando completamente a performance das equipes que terminaram fora do pódio e deixando-as sem as suas pontuações previstas, o que também comprometeu a integridade do resultado final.
A correção veio apenas no dia seguinte, com uma nova publicação que alterou significativamente o quadro geral: a UFU assumiu o segundo lugar e a UNIFEI caiu para terceiro, enquanto diversas posições intermediárias também foram revistas, devido justamente ao erro na contabilização da pontuação das equipes à partir do 4° lugar. A sucessão de erros escancarou a falta de rigor na apuração dos resultados e comprometeu a credibilidade da tabela.
Mais do que um problema pontual, o episódio evidencia um padrão de desorganização que atravessou toda a realização dos Jogos. Relatos de estrutura inadequada, especialmente nas provas de atletismo, que foram realizadas a mais de 80 km de Itajubá e em uma pista esburacada, e também na piscina da natação, já haviam marcado negativamente a experiência dos atletas. A falha na consolidação e divulgação dos resultados apenas reforça esse cenário.
No fim, o bicampeonato da UFMG acabou dividido com um sentimento de frustração coletiva. Quando nem mesmo o campeão sabe que venceu, a falha deixa de ser técnica e passa refletir uma desorganização institucional.
Expediente
Redação: Emanuel Cortez
Edição: André Quintão
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro