
Por Amanda Camargos, estudante de jornalismo da UFMG
A trajetória de Maria Lenk ganhou mais um reconhecimento histórico. Na última quarta-feira (13), a Comissão de Esporte do Senado (CEsp) aprovou o Projeto de Lei 3.167/2025, que inclui o nome da nadadora no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, homenagem destinada a personalidades que marcaram a história do Brasil.
Como a proposta foi aprovada em decisão terminativa, o texto não precisará passar pelo plenário do Senado. A iniciativa foi apresentada pela presidente da comissão, a senadora Leila Barros, e celebra o legado de uma atleta que revolucionou a natação nacional e abriu caminhos para gerações de mulheres no esporte.
Nascida em São Paulo, em 1915, Maria Emma Hulda Lenk Zigler entrou para a história ao se tornar a primeira mulher sul-americana a disputar uma edição dos Jogos Olímpicos, que ocorreu em Los Angeles, em 1932. Quatro anos depois, nos Jogos Olímpicos de Berlim, voltou a inovar ao executar a recuperação dos braços por fora da água em uma prova de nado peito, movimento que mais tarde contribuiria diretamente para a criação do nado borboleta, hoje reconhecido como uma modalidade olímpica independente.
O protagonismo de Maria Lenk ultrapassou fronteiras. Em 1939, ela estabeleceu os recordes mundiais dos 200 e 400 metros peito, tornando-se a primeira atleta brasileira a quebrar uma marca mundial na natação. O feito nos 200 metros foi ainda mais impressionante pois o tempo registrado superou o recorde masculino vigente da prova na época.
Sua carreira olímpica, no entanto, foi impactada pela eclosão da Segunda Guerra Mundial, que foi responsável pelo cancelamento das edições dos Jogos Olímpicos de 1940 e 1944.
Mesmo após deixar as piscinas de alto rendimento, Maria Lenk permaneceu profundamente ligada ao esporte e à educação física. Tornou-se professora, participou da fundação da Escola Nacional de Educação Física e Desportos da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi a primeira mulher a dirigir a instituição.
O reconhecimento internacional também marcou sua trajetória. Em 1988, ela tornou-se a primeira brasileira incluída no International Swimming Hall of Fame. Décadas depois, em 2022, foi oficialmente declarada Patrona da Natação Brasileira. Agora, ao ter seu nome encaminhado para o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, Maria Lenk reafirma seu lugar como uma das figuras mais importantes da história do esporte brasileiro.
Expediente
Redação: Amanda Camargos
Edição: André Quintão
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro