
Por Nicolas Arruda, estudante de jornalismo da UFMG
A seleção de Camarões venceu a do Malawi por 3 a 0 na final da Copa Africana de Nações Feminina, no último domingo (16/8), no Moulay El Hassan, em Rabat, no Marrocos. Com dois gols de Ngah Manga e um de Naomi Eto, as camaronesas conquistaram o primeiro título do torneio após quatro derrotas em decisões. Apesar do vice-campeonato, Malawi garantiu uma vaga inédita para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil.
O confronto foi definido integralmente na primeira etapa. Aos 20 minutos, Ngah Manga aproveitou um rebote da goleira Sikelo, após uma cabeçada, para abrir o placar. Dez minutos depois, aos 30, Naomi Eto recebeu um cruzamento em cobrança de escanteio e ampliou com um gol de voleio. Para definir a partida, a camisa 10 driblou a goleira adversária e cruzou para Ngah Manga, com gol vazio, marcar de cabeça o terceiro e último da partida.
A final foi o único jogo da competição sem gol de nenhuma das irmãs Chawinga. Tabitha e Temwa Chawinga são as principais jogadoras de Malawi. A mais velha, Tabitha, atua no Lyon (França), enquanto Temwa defende o Kansas City (Estados Unidos). Juntas, elas marcaram nove gols, e Temwa levou a chuteira de ouro da edição com cinco gols marcados.
A Copa Africana de Nações Feminina estava marcada para acontecer em março e abril, no fim da temporada europeia. Porém, após decisão da Confederação Africana de Futebol duas semanas antes do início planejado, o torneio foi adiado para o começo da pré-temporada europeia, em julho e agosto. A mudança de datas gerou críticas por parte do país-sede, Marrocos, que alegou não ter tido poder de decisão. Além disso, a alteração repentina prejudicou as preparações das seleções e o planejamento das jogadoras.
“Quando eles adiaram a competição, eles deveriam ter feito isso antes para todos se prepararem, pois isso nos afeta muito. Eu sei que muitas jogadoras já estavam com novos clubes, por exemplo, mas desistiram da transferência por conta da pressão da Copa Africana. Então, eu penso que para as jogadoras, a alteração não foi benéfica”, afirmou Kim Bjorkegren, treinador de Gana, em entrevista para a ESPN.
O adiamento, afetando ou não os países, trouxe resultados inéditos. A Nigéria, que havia disputado as nove edições de Copa do Mundo Feminina desde 1991, perdeu para as campeãs camaronesas nas quartas de final e para a África do Sul, nos play-in da repescagem intercontinental, ficando de fora do Mundial pela primeira vez. Em contrapartida, Argélia e Malawi conquistaram vagas inéditas para o torneio sediado no Brasil. O Marrocos também garantiu vaga direta para a Copa do Mundo, enquanto Gana e África do Sul disputarão a repescagem intercontinental.
Expediente
Redação: Nicolas Arruda
Edição: Rafaela Souza
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro