
Por Ingrid Mensil, estudante de jornalismo da UFMG
A polonesa Maja Chwalinska alcançou o maior feito de sua carreira profissional. A tenista conquistou o título do WTA 1000 de Wuhan ao vencer de virada na final a britânica Sonay Kartal com parciais de 2/6, 6/4 e 6/2, após 2h42 de partida.
Com a conquista inédita na elite do circuito mundial, Chwalinska soma mil pontos no ranking mundial. O resultado evidencia uma arrancada na temporada: após iniciar o ano na 146ª posição, ela deve saltar do 22º, posição que iniciou o campeonato, para o 11º lugar na próxima atualização do ranking da WTA, ficando muito perto de estrear no top 10.
Para erguer o troféu em solo chinês, a polonesa precisou construir uma trajetória sólida e demonstrar resiliência em quadra. Ao longo do torneio, Chwalinska superou a egípcia Mayar Sherif (52ª), a tcheca Marie Bouzková (26ª), a promessa estadunidense Iva Jovic (11ª) e a experiente tenista grega Maria Sakkari (31ª). Na semifinal, ela venceu sua primeira partida contra uma adversária do top, a compatriota e amiga de infância Iga Swiatek, nona colocada no ranking.
Na grande final, diante da britânica Sonay Kartal, Chwalinska sofreu pressão da rival. Kartal foi superior no primeiro set: conquistou três quebras e criou sete break-points. Na segunda parcial, a britânica também começou melhor e abriu 2/0, porém a polonesa buscou o empate ao quebrar o serviço de Kartal quatro vezes. O terceiro set começou melhor para Chwalinska, que confirmava rapidamente seus games. Com duas novas quebras, a polonesa abriu 5/2 no placar, contando com variações entre bolas curtas e lobs, além dos erros não-forçados de Kartal.
Trajetória até o maior título da carreira
A conquista em Wuhan consolida uma trajetória marcada pela superação de adversidades fora e dentro das quadras. Chwalinska começou a carreira com destaque no circuito juvenil. A tenista, inclusive, foi campeã da Billie Jean King Cup Junior em 2016 e vice-campeã de duplas no Australian Open Junior de 2017, ao lado da compatriota Iga Swiatek.
Em 2021, aos 19 anos, Chwalinska anunciou uma pausa na carreira por tempo indeterminado, logo após Wimbledon. Ela revelou estar enfrentando uma depressão severa e a recuperação envolveu o retorno a casa dos pais, apoio psicológico e distanciamento do ambiente competitivo. Em 2022, no segundo semestre, a tenista voltou às competições, mas sofreu uma grave lesão no joelho direito, também no período do Grand Slam britânico, que exigiu uma cirurgia corretiva e a afastou das quadras por cerca de seis meses.
Durante o período de recuperação, que tomou grande parte da temporada de 2023, a polonesa sofreu uma queda acentuada no ranking e chegou à posição 523. Entretanto, em 2024, a tenista iniciou a retomada no circuito profissional. No saibro de Jurerê Internacional, ela conquistou o maior título até então: o WTA 125 de Florianópolis em simples e também em duplas, ao lado da brasileira Laura Pigossi. Chwalinska já havia vencido outro título de duplas, no saibro de Buenos Aires, também em um campeonato nível WTA 125. Em 2025, a tenista conquistou mais dois campeonatos no circuito 125, em Montreux, em simples, e em Antalya, em duplas, ao lado da tcheca Anastasia Detiuc.
2026 foi o ano de sua consolidação. Ocupando a 146ª posição em janeiro, a polonesa ganhou mais um título WTA 125, em abril, desta vez no saibro de Oeiras, em Portugal. No mês seguinte, Chwalinska furou o qualificatório de Roland Garros e acumulou 9 vitórias seguidas até chegar a final do Grand Slam francês. No caminho, ela derrotou tenistas do top 50, incluindo a campeã olímpica Qinwen Zheng, 56ª do ranking na época, a grega Maria Sakkari, 49ª a época, a russa Anna Kalinskaya, que era 22ª, e a russa Diana Shnaider, 23ª do mundo durante o campeonato. Com os resultados, Maja Chwalinska se tornou a única tenista vindo do qualificatório que chegou à final de Roland Garros na Era Aberta, além de ser a tenista de pior ranking a chegar a decisão, ocupando a 114ª colocação do mundo.
Maja Chwalinska ficou com o vice-campeonato contra a russa Mirra Andreeva, mas a trajetória em Paris marcou uma grande virada em sua carreira. Durante a competição, a tenista jogava sem patrocínio master, com apenas pequenos patrocinadores locais, e revelou ter dificuldades para garantir sua hospedagem em Paris. O cenário mudou com a “Maja Mania”, especialmente na Polônia, após a vitória diante de Diane Parry nas oitavas.
O título inédito do WTA 1000 de Wuhan é um marco importante para Maja Chwalinska que, no incício da temporada, tinha como meta chegar ao top 100.:
“Não tento prever o futuro, então não sei o que ele vai trazer. Mas sou muito grata por estar nesta posição. Comecei a temporada, acho que como 140ª do mundo, e meu objetivo era terminar entre as 100 melhores. Acho que fiz um bom trabalho e estou muito feliz com isso. Mas sinto que ainda tenho muito a melhorar no meu jogo e em mim mesma. É isso que me mantém trabalhando”, afirmou a tenista ao fim da partida.
As campeãs de torneios WTA 1000 da temporada 2026
Maja Chwalinska conquistou o WTA 1000 de Wuhan, o último campeonato deste nível disputado na temporada. A tenista polonesa se junta a outras campeãs do circuito em 2026:
- a tcheca Karolina Muchova, vencedora do WTA 1000 de Doha, o primeiro da temporada;
- a estadunidense Jessica Pegula, que conquistou o campeonato de Dubai;
- a bielorrussa Aryna Sabalenka, que levou o título de Indian Wells e de Miami;
- as ucranianas Marta Kostyuck e Elina Svitolina que levantaram o troféu em Madrid e em Roma, respectivamente;
- a polonesa Iga Swiatek, campeã em Toronto;
- a estadunidense Coco Gauff, que ganhou o título em casa, em Cincinnati;
- e a chinesa Qinwen Zheng, que também conquistou um campeonato em casa, em Pequim.
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Redação: Ingrid Mensil
Edição: Rafaela Souza
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro