“Nunca é tarde para começar”: UFMG promove práticas de ginástica artística na vida adulta

O boom da ginástica após Paris 2024 aumenta o interesse dos adultos em começar novas atividades físicas.

Por Giovanna Rafaela Castro (@gigircastro) e Laura Dolabella (@laura_dolabella)

O crescimento profissional de Rebeca Andrade nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021, e de Paris, em 2024, virou os olhos dos brasileiros para a ginástica artística (GA). Segundo um levantamento do portal Diário do Comércio, em Belo Horizonte, a procura por aulas de ginástica cresceram cerca de 400% em agosto de 2024, período em que a equipe do Time Brasil disputou a modalidade na capital francesa.

Após vencer na modalidade solo e trazer a medalha de ouro para casa, Rebeca inspirou toda uma nova geração a praticar a ginástica. Isso, em uma sociedade movida pela tecnologia, é muito representativo e ajuda na promoção da atividade física no país.

Entretanto, segundo uma pesquisa da Revista Ciência em Extensão, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), o perfil dos praticantes dessa modalidade não é diverso. Cerca de 77% dos participantes são mulheres e a idade média é de 9 anos, sendo a faixa etária entre 9 e 10 os com maiores adeptos.

Mas para entender melhor esses números em Belo Horizonte, fomos até a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que tem como tradição as escolas de ginástica e artes marciais. Ao entender as atividades praticadas na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO), percebemos que nada impede que a prática da ginástica artística comece na vida adulta.

O professor Bruno Brandão da UFMG explicou que, diferente de outras modalidades, há uma certa vantagem em começar a praticar a ginástica depois da vida adulta. Isso porque “na iniciação das crianças há um processo de aprendizagem motora básica para depois começar a ensinar os elementos”.

Já com os adultos, que já possuem essa consciência corporal, “é mais fácil já começar direto com os pedagógicos para criar a linha de movimento e ensinar os elementos da ginástica”.

Mulher com camisa preta e calça legging cinza realiza uma postura de cabeça para baixo, apoiada nas mãos, enquanto é auxiliada por um homem, que usa uma camisa vermelha e bermuda preta. Eles estão sobre um tablado de madeira, com um trampolim azul à frente
Professor Bruno Brandão auxiliando a aluna Tatiana Tironi. | Crédito: Laura Dolabella

#ParaTodosVerem
Mulher com camisa preta e calça legging cinza realiza uma postura de cabeça para baixo, apoiada nas mãos, enquanto é auxiliada por um homem, que usa uma camisa vermelha e bermuda preta. Eles estão sobre um tablado de madeira, com um trampolim azul à frente

Para a professora universitária Ivana Montandon, a prática da GA traz incontáveis benefícios para a saúde, seja em qual fase da vida ela seja realizada:

“A GA tem potencial para favorecer o desenvolvimento de crianças, jovens e adultos, pois a natureza de suas atividades solicitam uma rica variedade de movimentos tais como: agilidade, flexibilidade, percepção-espacial, equilíbrio e principalmente a coordenação motora no qual favorecem o desenvolvimento integral do indivíduo e promover saúde física e psíquica, a formação social, humana e pessoal do praticante”.

Na UFMG, as aulas de ginástica artística estão atreladas à modalidade “parkour” – uma atividade que consiste em superar obstáculos utilizando apenas a força do próprio corpo – e que já faz parte da Federação Internacional de Ginástica (FIG).

A aluna de ginástica artística e parkour da EEFFTO, Tatiana Tironi, contou que ver a aula de parkour de seu filho despertou um interesse em aprender os movimentos. A atleta sempre foi fisicamente ativa mas ressaltou que, pelo que ela observa das aulas, “mesmo quem nunca praticou nenhum tipo de atividade conseguiria fazer” e ressalta, “nunca é tarde para começar”.

Entretanto, começar na ginástica pode ser desafiador. Segundo Ivana, diversos fatores podem interferir na prática da modalidade na vida adulta.

Aluna Tatiana Brandão pratica movimento com o professor Bruno Brandão. | Crédito: Tatiana Tironi / Arquivo pessoal


#ParaTodosVerem
Mulher com blusa e shorts cinza executa um movimento de mortal para trás, recebendo o apoio de um homem com camisa azul e bermuda preta, sobre um colchonete vermelho. O ambiente é um ginásio, com aparelhos de ginástica como trave, bolas e barras ao fundo.


“No momento inicial a dificuldade pode ser em relação ao próprio corpo e suas dificuldades de enfrentar algum tipo de exercício. A falta de conhecimento de como se exercitar, e o que a ginástica proporciona pode ser um fator de dificuldade, além da falta de tempo e a preguiça também”, explicou. Mas, ela ressalta que compreender o próprio corpo é essencial para a prática esportiva como um todo.

“Compreender as suas características pessoais com seu próprio corpo facilita o acesso e execução de suas habilidades iniciais. É essencial para o envolvimento de uma boa prática conhecer as dificuldades dos seus alunos, e ir direcionando as sessões de treino de forma a atender exclusivamente as necessidades dos mesmos. A busca de uma satisfação, a superação dos seus próprios limites em aulas divertidas e dinâmicas, a realização de possíveis movimentos como estrelas e mortais, da motivação pessoal, do lazer, da superação de dificuldades que a prática impõe, são fatores de facilidades enfrentados pelas pessoas que praticam ginástica”, completou.

“Acreditamos que seja falta de conhecimento específico de que pode ser uma prática esportiva, talvez falta de oferta de aulas em estabelecimentos públicos ou privados de ginástica artística especificamente, o sedentarismo, poucas as oportunidades para que adultos sejam inseridos na ginástica artística e como sendo uma opção de prática de atividade física onde há desenvolvimento de diversas capacidades. É importante que a comunidade de maneira geral lance o olhar para essa população adulta incentivando um processo de iniciação esportiva que também acontece na idade adulta. Não existe uma restrição para praticar, e desta forma conscientizando toda a população e mostrando que é um caminho possível!”, finalizou Ivana.

As aulas de ginástica adulta na UFMG acontecem duas vezes por semana. Para se inscrever, o interessado deve enviar um e-mail para ginasticaartisticaufmg@gmail.com. As aulas possuem um valor de R$90 a matrícula, e mensalidade de R$195. Estudantes da Universidade têm desconto. Para ser aluno da GA não é necessário nenhum tipo de experiência anterior.

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Autor: labcomunicesp

O Laboratório de Comunicação e Esporte é uma disciplina de graduação ofertada anualmente no Departamento de Comunicação Social (DCS) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pela professora Ana Carolina Vimieiro.

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