Recomendação do COI reacende debate sobre atletas russos e bielorrussos

Foto: Divulgação

Por Malu Moura, estudante de jornalismo da UFMG

O Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) recomendou na última quinta-feira (7/5), que as sanções impostas à participação de atletas bielorrussos (Belarus) fossem revogadas em competições administradas por Federações Internacionais e organizadores de eventos esportivos internacionais – como a Federação Internacional de Tênis (ITF).

No circuito atual, Sabalenka é o principal nome bielorrusso, que conta com 12 representantes no top 1000 da WTA e cinco no top 1000 da ATP. Com a revogação, Sabalenka e companhia poderiam voltar a jogar pela bandeira de Belarus e participar de competições por países como Copa Davis e Billie Jean King Cup. 

Apesar disso, um dia após o COI recomendar o fim das restrições, foi a vez da ITF se pronunciar sobre o assunto. A federação emitiu um comunicado afirmando que o anúncio feito pelo comitê não altera sua posição atual em relação às suspensões das federações de tênis de Belarus e da Rússia, que “permanecem em vigor”. Ainda, revelou que “ o status de membro da Federação de Tênis de Belarus será analisado na Assembleia Geral Anual da ITF, em outubro, pelos países membros votantes da ITF (Conselho da Assembleia Geral Anual), de acordo com o processo constitucional da ITF.

Já a situação em relação ao Comitê Olímpico Russo permanece suspensa – Comissão de Assuntos Jurídicos do COI continua a analisar o caso.  

“O Conselho Executivo do COI também observou com preocupação as informações recentes que levaram a Agência Mundial Antidoping (WADA) a investigar o sistema antidoping russo. O Conselho Executivo do COI gostaria, portanto, de obter uma melhor compreensão dessa situação”, comunicou o COI.

Restrições impostas 

As restrições determinadas à participação de atletas russos e bielorrussos se deu como punição aos países após a invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em fevereiro de 2022, na qual a Bielorrússia serviu de base estratégica. 

Por isso, atletas russos e bielorrusso competem como Atletas Individuais Neutros – participam de torneios internacionais sem a bandeira e sem o nome de seus países no circuito profissional de tênis como ATP e WTA. Além disso, seus hinos não são tocados.

Os atletas também são proibidos de representar a Rússia ou a Bielorrússia em torneios por equipes, como a Copa Davis ou a Billie Jean King Cup. As restrições foram aplicadas nos Jogos de Paris 2024 e nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026.

Ainda, existem critérios de participação em eventos internacionais: Para competirem, os atletas não podem ter apoiado publicamente a guerra e não podem ter vínculos com o exército ou agências de segurança de seus países

Punição em Wimbledon 2022

Em 2022, o torneio de Wimbledon foi o único a proibir totalmente a participação de tenistas russos e bielorrussos, medida que foi revertida nos anos seguintes, passando a seguir a regra da neutralidade.

Repercussão da orientação do COI

A tenista ucraniana Elina Svitolina criticou a recomendação do COI no último domingo (10/5), após classificação para as oitavas de final do WTA 1000 de Roma.

“A guerra ainda continua. Mísseis ainda caem sobre a Ucrânia, e esses dois países ainda são considerados agressores. Para nós, é muito triste e doloroso sequer ouvir falar em suspender as restrições. É um assunto muito delicado. Tenho muito a dizer, mas agora não é o melhor momento. Certamente não apoio essas negociações”, ressaltou Svitolina.

A tenista, ex-top 3, destacou o desenvolvimento do tênis feminino ucraniano em meio ao cenário de guerra vivido pelo país nos últimos anos. Para Svitolina, o desempenho coletivo das ucranianas ganha ainda mais notoriedade diante do contexto enfrentado pelo país desde o início da guerra.

“É incrível. Ter sete ucranianas no top 100 é muito impressionante, especialmente considerando a guerra e tudo o que está acontecendo no nosso país”, afirmou a tenista.

Sete jogadoras aparecem entre as 100 melhores do ranking da WTA atualmente – lista liderada por ela, número 10 do mundo, seguida de Marta Kostyuk (15ª), Dayana Yastremska (52ª), Yuliia Starodubtseva (57ª), Oleksandra Oliynykova (68ª), Anhelina Kalinina (93ª) e Daria Snigur (95ª).

Expediente

Redação: Malu Moura

Edição: André Quintão

Coordenação: Ana Carolina Vimieiro

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