Por Emanuel Cortez, Catarina Silveira e Júlia Fernandes
A edição de 2026 dos Jogos Universitários Mineiros (JUMs), realizada em Itajubá, no sul de Minas Gerais, contou com a participação de 1300 estudantes-atletas, que representaram 21 instituições de ensino superior. A competição foi composta por disputas em cinco modalidades coletivas (basquete, futsal, handebol, vôlei e cheerleading) e seis individuais (atletismo, natação, tênis de mesa, jiu-jitsu, judô e xadrez). Todas as modalidades contaram com disputas nas categorias masculino e feminino, com exceção do cheer, que tem formato misto. Após cinco dias repletos de grandes disputas, a delegação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sagrou-se campeã geral pelo segundo ano consecutivo, liderando a tabela com 187 pontos. Completando o pódio, seguem Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com 140 pontos, e Universidade Federal de Itajubá, com 137 pontos.
Nas modalidades coletivas, os grandes destaques da UFMG foram o basquete feminino e o cheer, que venceram suas respectivas disputas, enquanto o atletismo, o tênis de mesa, a natação, o judô e o jiu-jitsu contribuíram com diversas medalhas de ouro e outras excelentes colocações, cruciais na conquista do bicampeonato. Para além desses destaques, as demais equipes que compunham a delegação da UFMG conquistaram resultados muito positivos na competição, como as medalhas de prata para o basquete, futsal, handebol e xadrez masculinos, além de bronzes para o handebol e vôlei femininos.
BASQUETE FEMININO

Entre treinos, amistosos, arrecadações por meio de rifas, produção e vendas de bombons, o time geral de basquete feminino da UFMG dedicou seus dias de janeiro à março à preparação para o JUMs. Todo o esforço culminou em mais uma medalha de ouro para a equipe, que segue invicta pelo terceiro ano consecutivo. Essa conquista não só demonstra o grande potencial técnico e organizacional do time, como também escancara os desafios que foram superados para chegar à competição.
O título de tricampeãs do JUMs é carregado com orgulho pelo time atual, mas essa conquista perpassa pelo trabalho de diferentes gerações. Em 2019, a equipe conquistou a prata na competição, para em 2020 conseguir alcançar o primeiro ouro e repetir o feito novamente em 2022. O esforço dessas atletas em manter o time ativo e competitivo culminou na vitória de 2024, quando a equipe ascendeu levando para casa não só o ouro do Mineiro, como também a prata dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), em Brasília. Os tempos dourados continuaram em 2025 com o bicampeonato do JUMs e com a conquista atual de 2026, trazendo para a UFMG o brilho já familiar da medalha de ouro.
O time de basquete feminino reúne atletas de 19 cursos diferentes e níveis técnicos variados, sem exigir experiência prévia para participação nos treinos. Nesse contexto, a atuação da treinadora Mariana Furtado, formada em Educação Física pela UFMG, tem sido fundamental para a consolidação da equipe. Como destaca a coordenadora esportiva Lara Luiza de Oliveira, “Ter a Maria ali de apoio faz muita diferença para a permanência das atletas no time.”
A treinadora também se sobressai pelo trabalho de formação de novas jogadoras, muitas das quais iniciam a prática esportiva já na universidade. Segundo a coordenadora de eventos da equipe, Eloá Elígio:
“Além de saber trabalhar com bons atletas, ela sabe construir bons atletas. Ela tem sido muito importante nessa construção individual dentro do esporte. Ela pega várias meninas que não tem tanta experiência no esporte e consegue trabalhar isso, como consegue colocar elas para trabalharem coletivamente também.”
Esse vínculo entre técnica e equipe tem sido essencial na reestruturação do time, que passou por renovação após a saída de atletas titulares. Para a treinadora, o trabalho vai além das quadras: “O JUMs não é apenas o jogo, é tudo que está ali. Quando a gente está ali no campeonato, a prioridade é ser campeão, mas conhecer as meninas do time é uma coisa incrível! Saber da trajetória de cada uma, saber dos medos de cada uma, saber das inseguranças que cada uma leva para dentro de quadra é uma coisa importante, até para eu conseguir acolher cada uma”, pontua. Após a conquista, a equipe se prepara para representar a UFMG no JUBs de 2026, que será realizado em Goiânia, em agosto.
NATAÇÃO

A natação levou uma delegação de 25 atletas e foi a modalidade que mais trouxe medalhas para a UFMG durante o JUMs, com 40 no total, sendo 10 de ouro, 21 de prata e 9 de bronze. Ao final da competição, a UFMG liderou a tabela geral com 623 pontos, contra 596 da UFU, garantindo o heptacampeonato da modalidade nos jogos.
Nas provas individuais, nadadores como Gabriel Gonçalves e Giulio Berto lideraram a equipe com cinco medalhas de ouro cada um, enquanto Saulo Marques também se destacou ao somar quatro ouros, duas pratas e um bronze. Para além deles, Arthur Moras, Gabriel Corrêa, Matheus Souza e Renato Lopes foram os outros atletas da equipe masculina que conquistaram medalhas.
Entre as mulheres, a nadadora Lívia Vilela conquistou a única medalha de ouro da equipe feminina, nos 200m borboleta, e levou ainda mais quatro medalhas de prata e uma de bronze. Enquanto isso, Júlia Gurgel e Luíza Vilela acumularam mais seis medalhas cada uma, sendo duas das atletas mais constantes da competição. As nadadoras Hanna Castro, Sophia Guermani, Vitória de Melo e Gabriela Pugliese também figuram entre as medalhistas da equipe.
Já nos revezamentos, a equipe masculina mostrou domínio absoluto, garantindo o ouro nas três provas disputadas: 4x100m livre, 4x200m livre e 4x100m medley. No revezamento feminino, a consistência também apareceu, com três medalhas de prata nas mesmas provas, reforçando a solidez do grupo nas disputas coletivas.
Esse conjunto de resultados evidencia que o título geral não se construiu apenas a partir de atuações isoladas, mas de um elenco amplo, competitivo e capaz de pontuar em diferentes frentes, das provas individuais aos revezamentos. Em conversa com Hanna Castro, treinadora e atleta da equipe, a nadadora apontou que a grande delegação e a consistência nos resultados foi essencial para vencer a disputa contra a UFU, que manteve a disputa acirrada mesmo com uma delegação menor, e garantir à UFMG o topo do pódio na natação.
TÊNIS DE MESA

A delegação da UFMG também brilhou no tênis de mesa, modalidade na qual todos os quatro atletas conquistaram medalhas, sendo 1 ouro, 2 pratas e 1 bronze. No feminino, Natália Shinozaki foi a campeã, seguida por Francieli Sossai, que ficou com a medalha de prata e fechou a dobradinha da UFMG no pódio. Já no masculino, Thierry Aragão ficou com o vice-campeonato, enquanto Felipe Caldeira terminou na terceira colocação.
Estreante em competições universitárias e convocada de última hora devido à desistência de outra atleta, Natália relatou que surpreendeu a si mesma com o resultado, tendo vencido as três partidas por 3 sets a 0. “Eu não esperava de maneira nenhuma me consagrar campeã, ainda mais por nunca ter participado de nenhuma competição universitária antes. Foi uma grata surpresa”, afirma. Mesmo com o título, a atleta avalia que há espaço para crescimento na modalidade dentro da competição. Segundo ela, o nível técnico foi positivo, mas poderia ser ainda mais qualificado com uma maior participação. “O nível foi bem legal, mas acho que poderiam ter trazido mais atletas para agregar ainda mais à competição”, completou.
CHEERLEADING

Na estreia do cheerleading como modalidade oficial do JUMs, a UFMG também subiu ao lugar mais alto do pódio. Coordenadora da equipe, Isabel Xavier, de 24 anos, formada em jornalismo pela UFMG, acompanhou o processo nos bastidores, sendo responsável pela gestão e articulação com a Liga das Atléticas Universitárias (LAU). Para ela, o título é resultado direto da preparação e do engajamento dos atletas.
“A equipe que foi montada especificamente para o JUMs estava bem preparada. Temos ótimos atletas em toda a universidade. A comunidade de cheer é apaixonada pelo esporte, e a gente vê isso nos três minutos decisivos do tatame”, destaca.
No ano passado, a equipe fez sua estreia histórica no JUBs ao ser convidada para participar da competição, de última hora, uma vez que a etapa estadual ainda não era realizada em Minas Gerais. Então, a estreia vitoriosa da modalidade no JUMs foi recebida com um carinho especial, pois marcou mais do que um ponto de chegada, mas representou um passo rumo a novos desafios. “A gente interpretou como uma etapa a ser superada para chegar ao JUBs. […] Pela primeira vez no pós-pandemia, a UFMG Cheer pode dizer que é campeã e isso é muito especial”, explica. Agora, já classificados para a etapa nacional, a equipe terá mais tempo para treinar e preparar a apresentação do que no ano anterior, visando representar Minas Gerais da melhor forma no mais alto nível do esporte universitário brasileiro.
ATLETISMO

O atletismo da UFMG também teve papel de destaque nos JUMs 2026, consolidando a evolução da modalidade dentro da universidade. As provas, realizadas na pista da Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR) em Guaratinguetá (SP), renderam à equipe 12 medalhas, sendo 5 de ouro, 3 de prata e 4 de bronze, superando o desempenho da edição anterior e reforçando o crescimento do grupo nos últimos anos.
Para o atleta Gabriel Viana, o resultado coletivo é reflexo direto do comprometimento dos integrantes da equipe, mesmo diante da rotina intensa fora das pistas. “Acredito que o desempenho reflete o quanto nos dedicamos para o torneio. Mesmo com matérias e estágios, encontramos tempo para treinar, tanto nas provas individuais quanto nos revezamentos”, destaca. Segundo ele, o atletismo vive um momento de consolidação na UFMG.
“Nos últimos anos, a modalidade cresceu bastante. Já são quatro anos seguidos levando atletas para o JUBs, e isso mostra que precisamos ser vistos como um esporte que movimenta não só uma atlética, mas toda a faculdade”, afirma.
Entre os destaques individuais, nomes como Paula Santos e Tarsila Queiroz brilharam com múltiplas medalhas de ouro, enquanto o próprio Gabriel Andrade também teve desempenho expressivo, com dois ouros e um bronze. Os resultados evidenciam a força da equipe tanto nas provas individuais quanto nos revezamentos, que foram fundamentais para a pontuação geral.
Para as próximas edições, a expectativa é de maior valorização da modalidade. “Esperamos que o atletismo tenha mais espaço, tanto na estrutura quanto na inclusão de mais provas na competição. Se a intenção é aumentar a adesão e levar mais atletas aos Jogos Universitários Brasileiros, o mínimo é oferecer condições adequadas e oficializar os resultados junto à CBAT (Confederação Brasileira de Atletismo)”, defende.
LUTAS
A equipe de lutas da UFMG estreou no JUMs com resultados expressivos já em sua primeira participação. Criado em janeiro deste ano com foco na competição, o time levou oito atletas para as disputas de judô e jiu-jitsu e voltou para casa com um total de 11 medalhas. No judô, foram 1 ouro e 5 pratas, enquanto no jiu-jitsu vieram 2 ouros, 1 prata e 1 bronze. Apesar do caráter inédito da experiência, o desempenho coletivo chamou atenção e foi avaliado de forma bastante positiva pelos participantes.
Sobre a participação da equipe nos Jogos, a atleta Gabriela Ferraz, também coordenadora da equipe, destacou a satisfação com o desempenho coletivo, especialmente considerando o pouco tempo de preparação. Criada apenas em janeiro, a equipe teve pouco mais de dois meses para se organizar até a competição, enfrentando desafios como a busca por um treinador e a definição de locais de treino. Apesar disso, os atletas se dedicaram intensamente, muitos conciliando a preparação com treinos em suas próprias academias, o que não impediu a formação de um grupo competitivo. Gabriela também mencionou entraves burocráticos e questões de regulamento que acabaram limitando a participação de alguns atletas, mas avaliou a experiência de forma positiva, visto que todos saíram com medalhas. A expectativa, segundo ela, é que na próxima edição a UFMG e as demais delegações consigam ampliar ainda mais suas equipes e levar um número maior de competidores.
AVALIAÇÃO GERAL DA PARTICIPAÇÃO DA UFMG
A conquista do bicampeonato geral da UFMG nos JUMs 2026 não se explica apenas pelos resultados dentro das quadras. Segundo Humberto Oliveira, conhecido como Betina, Diretor de Equipes da Liga das Atléticas da UFMG (LAU), o desempenho foi diretamente influenciado por um planejamento antecipado, iniciado ainda em dezembro de 2025, após experiências mais improvisadas em edições anteriores. A estratégia envolveu desde reuniões com as equipes até a organização prévia de dados e documentação dos atletas, o que permitiu ampliar a participação da universidade.
“Sabíamos que, para manter o título, precisaríamos levar todas as modalidades, algo que a gente não conseguiu no ano passado. […] porque chegar no topo é difícil, mas se manter no topo é ainda mais difícil. A conquista foi possível por isso, pois nos organizamos para levar todas as modalidades”, afirma Betina.
Analisando numa perspectiva interna, Betina apontou que o apoio institucional, embora maior do que em anos anteriores, ainda é visto como fragmentado. O Centro Esportivo Universitário (CEU/UFMG) segue sendo um dos principais apoiadores da LAU, mas parte significativa da preparação segue dependendo da mobilização dos próprios estudantes e de iniciativas descentralizadas dentro da universidade. “Não deveria ser responsabilidade dos alunos correr atrás de tudo […] falta um apoio maior da Universidade, até para dar respaldo. Uma coisa somos nós, alunos de graduação, pedirmos alguma coisa, outra é a Universidade”, pontua Betina. No fim, a delegação conseguiu superar essas dificuldades e conquistar o tão sonhado bicampeonato, que, para além do resultado esportivo, é mais um passo importante para conquistar um maior apoio institucional.
Expediente
Redação: Emanuel Cortez, Catarina Silveira e Júlia Fernandes
Edição: Chico Brinati
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro