Por Emanuel Cortez, Catarina Silveira e Júlia Fernandes
Apesar do sucesso esportivo e do bicampeonato geral da UFMG, a edição de 2026 dos Jogos Universitários Mineiros (JUMs), realizada em Itajubá, também foi marcada por uma série de críticas relacionadas à organização e estrutura do evento. Relatos de atletas, treinadores e membros das comissões técnicas apontaram para problemas que, embora não tenham impedido a realização das competições, impactaram diretamente a experiência das delegações.
Uma das modalidades mais afetadas, segundo os relatos, foi o Cheerleading, que estreou oficialmente no programa dos jogos. A coordenadora da equipe da UFMG de Cheerleading, Isabel Xavier, jornalista formada pela UFMG, definiu a vivência no evento como “ambígua”. Segundo ela, ao mesmo tempo em que os jogos representam o auge do esporte universitário, também evidenciam fragilidades estruturais.
“Foi enriquecedora ao mesmo tempo frustrante pela desorganização. Pude ver o esporte universitário no seu auge, mas também as dificuldades que os times enfrentam em relação à estrutura e à falta de informação”, afirma.
A falta de informações prévias gerou insegurança entre os participantes. “A gente se preparou no escuro, porque não sabia se a competição realmente ia acontecer. A quantidade de equipes inscritas nunca foi informada oficialmente”, explica Isabel. Além disso, decisões logísticas de última hora surpreenderam as equipes. “Um dia antes da saída do ônibus pediram para levarmos 25 placas de tatame, sem explicação. Depois descobrimos que seriam usados na competição junto com os de outra equipe”, relata.
As condições da estrutura também foram alvo de críticas. De acordo com a coordenadora, o espaço de apresentação foi reduzido significativamente às vésperas da competição, o que poderia comprometer a segurança dos atletas.
“O tatame foi reduzido em mais da metade e isso só foi informado no dia anterior, o que coloca em risco a segurança dos atletas. É como jogar futsal em metade da quadra”, compara.
Outras modalidades também registraram insatisfação. No atletismo, atletas destacaram condições inadequadas de equipamentos, especialmente nos blocos de partida. “Estavam precários, ao nível de colocar os atletas em risco de lesões. Em alguns casos, era necessário um atleta segurar para o outro conseguir usar o equipamento”, afirma o atleta Gabriel Andrade, estudante de Educação Física da UFMG.
A organização e a computação dos resultados também foram questionadas. Segundo Gabriel, houve falhas no planejamento, que geraram confusão ao longo das provas e a não realização de algumas delas. “Acreditamos que o trabalho acabou ficando concentrado em poucas pessoas de última hora, o que gerou desorganização”, explica.
Já na natação, críticas foram direcionadas à estrutura da piscina utilizada, de 25 metros. Os principais pontos apontados foram as limitações nos blocos de partida que, segundo os atletas, eram muito pequenos, e também a ausência de um suporte adequado para a largada de provas específicas, como o nado costas.
Outro ponto de insatisfação foi quanto à divulgação dos resultados gerais da competição. Encerrada no domingo (04 de abril), com as finais das modalidades coletivas masculinas, a competição terminou sem um de seus momentos mais simbólicos: a oficialização do campeão geral. Apesar da cerimônia de premiação no Ginásio Poliesportivo da UNIFEI, nenhuma delegação deixou o evento com a confirmação formal do título.
A classificação geral foi divulgada apenas na sexta-feira (dia 9 de abril), cinco dias após o encerramento, e ainda assim com erros significativos de contagem. Modalidades individuais como atletismo, jiu-jitsu e natação tiveram resultados computados de forma equivocada, o que gerou uma tabela inicial com posições incorretas no pódio. Além disso, a ausência de pontuação para equipes fora do pódio nas modalidades coletivas, ou seja, que terminaram a competição à partir da 4ª colocação, comprometeu a consistência da classificação, principalmente nas posições intermediárias.
A correção veio apenas no dia seguinte, com uma nova publicação que alterou de forma relevante o quadro geral, incluindo mudanças nas posições das principais delegações. O pódio, que inicialmente havia sido divulgado com a UFMG em primeiro, UNIFEI em segundo e UFU em terceiro, sofreu alterações, invertendo as colocações finais de UNIFEI, que passou a ser a terceira colocada, e UFU, que assumiu a vice-liderança. Além disso, as demais posições da tabela sofreram grandes alterações, justamente pela diferença da pontuação das modalidades coletivas.
Ainda assim, participantes reconhecem avanços, como maior abertura da organização para diálogo, divulgação prévia de regulamentos e maior flexibilidade para atender as demandas das delegações, o que permite projetar melhorias mais consistentes para as próximas edições do JUMs.
Posicionamento da organização
Procurada pela reportagem, a Federação Universitária Mineira de Esportes (FUME), responsável pela organização dos JUMs, reconheceu a complexidade da realização do evento. Em nota oficial, a entidade destacou que a competição reuniu cerca de 1.300 estudantes-atletas de aproximadamente 21 instituições, em diversas modalidades simultâneas, o que envolve “grande complexidade logística e operacional”. A federação afirmou que eventos desse porte estão sujeitos a “intercorrências e ajustes operacionais”, mas reforçou seu compromisso com a transparência, a segurança e a lisura esportiva.
Sobre o atletismo, a FUME defendeu a escolha da pista utilizada, localizada na Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR), em Guaratinguetá (SP), classificando-a como “uma das melhores opções disponíveis na região”, diante da ausência de estrutura adequada em Itajubá. A entidade também informou que realizou vistoria técnica prévia e que não houve registros formais de protestos ou lesões relacionadas às condições da pista.
Em relação à natação, a federação destacou que as provas ocorreram em piscina pública municipal de 25 metros, com estrutura adequada e arbitragem credenciada, sem registros formais de reclamações.
Quanto à divulgação dos resultados, a FUME explicou que não há prazo regulamentar fixo, devido à necessidade de validação dos dados. Segundo a entidade, uma prévia foi enviada às instituições melhor colocadas antes da publicação oficial, e que uma “inconsistência pontual” foi identificada e, posteriormente, corrigida.
Expediente
Redação: Emanuel Cortez, Catarina Silveira e Júlia Fernandes
Edição: Chico Brinati
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro