Nicolas Hamilton e o escrever da própria história

Dentro e fora das pistas, Nic desafia limites físicos e simbólicos para debater sobre inclusão, reconhecimento e construção da identidade

Foram 15 anos de carreira, até que os passos após a linha de chegada tivessem como direção o primeiro pódio. As escadas, que por si só já são desafiadoras, guiaram Nicolas Hamilton a realização de um sonho, de forma inexplicável. As lágrimas caíram ao recordar o jovem que era em 2005, em uma cadeira de rodas e sem saber se um dia voltaria a andar. Dezoito anos do momento que decidiu tentar voltar a andar e conquistar independência para também sonhar com uma carreira nas pistas…

No check-in de um aeroporto, uma mulher se aproximou para oferecer ajuda a uma mãe com o filho adolescente. Uma atitude aparentemente simples, se não fosse o garoto, ao lado, sendo completamente ignorado por estar em uma cadeira de rodas. “Ele consegue fazer isso?” A pergunta não foi dirigida a ele. A voz dele não importava, ainda que estivesse presente.

O jovem era Nicolas, que viajava com o irmão, Lewis, e a mãe, Linda. Aquela foi a virada de chave para ele, quando, aos 16 anos, decidiu lutar contra a invisibilidade. “Ela não me viu, não conversou comigo”, lembraria depois em uma entrevista em 2024 concedida ao programa Loose Women.

Ser um homem negro e deficiente no topo da categoria de principais competições de automobilismo do Reino Unido significa confrontar uma série de definições e barreiras, como aos 18 meses de vida, quando veio o diagnóstico de paralisia cerebral. Para os médicos, naquela época, isso implicaria na impossibilidade de Nicolas viver com autonomia e até mesmo andar. Na melhor das hipóteses, só seria possível com o auxílio de um andador ou uma bengala, realidade vivida durante anos.

“Sem o automobilismo, eu não seria tão capaz quanto sou hoje, não seria tão independente”. Mais do que superação, a fala de Nicolas Hamilton carrega consigo uma trajetória de altos e baixos, o que levanta uma questão fundamental para o esporte moderno: o que significa disputar espaço na elite do automobilismo sendo um corpo historicamente visto como fora dele?

Entre altos e baixos
Hoje, aos 34 anos, Nicolas vive o auge da carreira no automobilismo. Após mais de 160 corridas, ele conquistou, em 2026, a maior oportunidade da carreira: ter efetivamente um carro competitivo. Com a atual campeã do British Touring Car Championship (BTCC), a Team VERTU, ele garantiu a vaga mais disputada da temporada. Atualmente Nicolas pilota um Hyundai i30 Fastback N, em parceria com a Draper Tools, mas logo na estreia, a nova realidade não se demonstrou ser menos desafiadora, como revelou em uma postagem nas redes sociais:

“Como esperado, um fim de semana de estreia difícil da temporada. Um dos mais difíceis que já tive no BTCC. Estar neste grande carro e equipe, com grandes companheiros de equipe expõe as fraquezas da minha deficiência e eu como motorista para correr na frente. Mas foi exatamente para isto que eu me inscrevi, é difícil lidar quando se torna realidade. Está na hora de cavar mais fundo do que nunca, resolver as minhas fraquezas, aprender e almejar ser o condutor mais forte que eu possa ser.”

Ter o melhor equipamento não isenta as dificuldades, mas abrem novas oportunidades de desenvolvimento, como expôs Nicolas em comunicado oficial à imprensa: “Estou incrivelmente orgulhoso de me juntar a uma equipe tão forte como a Team VERTU e a Excelr8 nesta temporada, pois ao longo da minha carreira, lutei contra a falta de financiamento e orçamento, o que me levou a usar equipamentos menos competitivos”, afirmou o piloto. As duas primeiras etapas foram difíceis, mas necessárias para adaptação. Na terceira, em Snetterton conquistou o troféu Jack Sears, dedicado a pilotos que ainda não subiram ao pódio no BTCC. Ele terminou as três corridas em 17º e 16º (duas vezes), e foi o melhor entre os pilotos elegíveis para a honraria.

Essa escassez crônica de orçamento enfrentada por Nicolas evidencia as barreiras do esporte e acende um alerta para o tokenismo corporativo, isto é, quando marcas e campeonatos muitas vezes utilizam a imagem de minorias específicas, como atletas PCDs ou negros, para promover fachadas de diversidade e engajamento social em suas campanhas de comunicação. No entanto, esse apoio raramente se traduz em investimentos financeiros robustos ou contratos de longo prazo que garantam paridade competitiva no esporte. Nicolas é celebrado pelo seu simbolismo, mas frequentemente deixado à margem do verdadeiro capital que move o automobilismo.

A busca pela própria identidade
À frente do carro 28, a trajetória de Nic no BTCC foi marcada por saídas e retornos estratégicos, motivadas por restrições orçamentárias e momentos de incerteza, mostrando que o sobrenome não era um passaporte gratuito para o grid. 

Durante a carreira, Nicolas optou por não aceitar ajuda financeira do irmão ou do pai e decidiu buscar patrocínios por conta própria, ainda que ser um Hamilton facilite a busca por investimento. A decisão partiu do fato de ter aprendido a viver com a deficiência sozinho e querer criar sua própria oportunidade sem sentir que a recebeu como esmola. “Que em momentos como Donington Park, eu terei conquistado tudo por conta própria. Para me manter forte física e mentalmente”, contou à SkySports.

Ainda em entrevista, Nicolas afirma que estar às sombras do próprio irmão dificulta a construção de uma trajetória profissional individual, com mensagens e justificativas próprias, sem estabelecer uma relação com Lewis. O desafio de constituir sua identidade e ser enxergado como pessoa independente e com suas próprias causas e razões: “Eu tenho meu próprio nome”, completou.

Nessa via de mão dupla, sem abrir mão da individualidade da própria história, a visibilidade é vista como uma ferramenta essencial na busca pela transformação social. Estar sob os holofotes do irmão heptacampeão mundial de Fórmula 1, por um lado, significa ser alvo de constantes comparações. Por outro lado, carregar esse sobrenome de peso é também, para Nicolas, uma plataforma para falar sobre coisas em que acredita, sendo uma delas a questão da saúde mental.

O maior desafio
Embora ele enfrente diariamente as dores e limitações físicas da paralisia cerebral e passe por pressões gigantescas para impor seu lugar no automobilismo, o piloto revelou que sua corrida mais desafiadora foi de cunho pessoal e psicológico.

Em 2015, Nicolas teve sua primeira aparição no BTCC como piloto convidado. Na temporada ele competiu em quatro eventos diferentes: Croft, Snetterton, Rockingham e Silverstone. Porém, por falta de verba e patrocinadores, Nicolas perdeu seu assento para a temporada de 2016. 

Sem correr e sem uma rotina profissional no esporte, ele se viu isolado, passando os dias em seu quarto. De forma despretensiosa, com uma aposta de apenas dois euros para que o clube Arsenal marcasse um gol, Nicolas desenvolveu uma compulsão em jogos de azar. Ele passava horas jogando blackjack e frequentando cassinos online isolado em seu quarto. 

Em paralelo à difícil fase em 2017, Lewis Hamilton dominava a Fórmula 1. Nicolas admitiu que se sentia “sem valor”, perdido e pressionado pelo sucesso avassalador das pessoas ao seu redor, o que o empurrou ainda mais para o vício. No auge do vício, Nicolas acumulou dívidas e foi preciso vender um carro Mercedes C63, dado de presente pelo irmão, para conseguir quitar uma dívida de impostos.

“Não tinha como seguir em frente porque tinha perdido tudo. Estava preso. Eu tinha uma varanda no meu apartamento e estava pensando no que faria se simplesmente pulasse de lá,” revelou Nicolas à BBC. Ele parou de jogar quando ficou sem dinheiro e sua mãe assumiu o controle de sua conta bancária. Nic recorreu à psicoterapia para tratar as causas emocionais que alimentam o vício, como a depressão e a pressão por sua carreira, enquanto encontrou no automobilismo uma ferramenta de reconstrução pessoal e disciplina mental.

Nicolas voltou às pistas na Renault Clio Cup UK em 2017, e ao BTCC, na temporada de 2019, quando se juntou à ROKiT Racing com a Motorbase Performance para pilotar um Ford Focus ST. Na principal categoria do automobilismo britânico, Hamilton também pilotou o Volkswagen CC e o Cupra Leon.

Um caminho acessível no esporte
Nicolas foi diagnosticado com paralisia cerebral do tipo diplegia espástica, condição que leva ao aumento do tônus muscular (hipertonia) e torna os músculos mais rígidos e contraídos, dificultando, principalmente, os movimentos dos membros inferiores, causando problemas de coordenação e equilíbrio. No caso de Hamilton, paralisou os dois membros inferiores, da cintura para baixo.

A causa foi o parto prematuro, dois meses antes do esperado, com apenas 31 semanas, pesando cerca de 1,8 quilos e sem respirar. Linda e Anthony, pais de Nic, optaram por não se limitar ao diagnóstico, isto na década de 1990, quando a abordagem médica sobre a diplegia espástica ainda era escassa. Diante de um cenário desconhecido, que era a deficiência de um membro da família, a decisão era fazer o que fosse possível com os recursos que tinham.

Mesmo acompanhando o irmão durante a trajetória no kart, foi somente aos 17 que surgiu a primeira oportunidade de tentar dirigir, diante de um BMW M3. Os treinamentos para corrida intensificaram a reabilitação física, iniciada um ano antes, pois contribuíram para o fortalecimento das pernas. Mesmo com a reabilitação, os movimentos ainda afetam outras partes do corpo, como a coluna e o pescoço, o que Nicolas explica como “efeito dominó”.

Para competir em igualdade no BTCC, o carro de Nic conta com embreagem manual, com alavancas atrás do volante. No cockpit há apenas dois pedais, acelerador e freio, ambos consideravelmente mais largos do que o normal para garantir maior área de contato com os pés:

“Algumas adaptações foram feitas no carro para me ajudar a dirigir. A primeira foi recuar o pedal do acelerador até o assoalho e alargar o pedal do freio para que eu pudesse pressioná-lo em vez de esticar o braço, o que é mais difícil para mim. Também mandei elevar o banco em 100 mm e instalar uma embreagem manual atrás do volante para não precisar usar outro pedal.”, explicou o piloto em entrevista à Disability Horizons.

As adaptações foram projetadas para que ele não dependesse da extensão e flexão dos tornozelos, movimentos impossíveis para a sua condição, além do trabalho constante de fisioterapia.

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) não conta com categoria separada para pessoas com deficiência, embora haja muitos pilotos com deficiência competindo ao redor do mundo. Para Nathalie McGloin, única piloto tetraplégica do mundo e líder da Comissão de Deficiência e Acessibilidade (DAA) da FIA, isso estabelece um paradoxo: “não é muito relevante para os espectadores”, o que configura falta de visibilidade.

“Quando estamos na pista de corrida, somos iguais a todos os outros, o que é ótimo e é a beleza do esporte para mim e muitos outros pilotos com deficiência. Mas o outro lado da moeda é que não recebemos necessariamente a publicidade que o automobilismo para pessoas com deficiência como um todo precisa para aumentar seu apelo a outras pessoas com deficiência”, explicou McGloin.

Em razão da falta de flexibilidade nos tornozelos, o carro de Nicolas precisou ser adaptado. A Comissão de Deficiência e Acessibilidade estabelece regras rigorosas para garantir que adaptações em carros de competição sejam seguras e permitam a paridade competitiva. As diretrizes, que incluem a exigência de um Certificado de Adaptações, regulam modificações que asseguram a compensação de limitações físicas sem oferecer vantagens técnicas.

Nicolas Hamilton no Goodwood Festival of Speed, em seu ano de estreia, em 2011.
(Foto: Jake Archibald/ Wikimedia Commons)

Nic compete profissionalmente desde 2011, quando competiu pela equipe Renault Clio Cup UK e terminou sua temporada de estreia em 14º lugar na classificação geral. Após a segunda temporada, Hamilton também integrou a European Touring Car Cup à sua participação na Clio Cup, tendo sua primeira experiência em corridas de carros de turismo.

Capacitismo e segregação
No entanto, as dificuldades de uma pessoa com deficiência vão além das limitações físicas, há também aquelas impostas socialmente, como a falta de acessibilidade, que restringe o acesso a diferentes espaços, o bullying e os constantes questionamentos sobre capacidades e incapacidades da pessoa com deficiência.

Ainda em entrevista a Natalie Pinkham, Nic relembra quando, na escola primária, descobriu-se o único aluno com deficiência e não-branco. A mentalidade dele, ainda criança e durante o crescimento, ficou abalada ao perceber-se diferente naquele meio. Aos oito anos, ele já se questionava qual o propósito de vida, enquanto fazia sessões de fisioterapia e via seus amigos serem fisicamente capazes de correr e brincar sem limitações.

“Eu só queria ser como todo mundo. Então fiquei perguntando, por que eu? Por que eu recebi essa deficiência e onde foi que eu errei?”, disse.

Desde cedo, Nicolas aprendeu com os pais a resiliência e a descobrir-se capaz em meio aos olhares negativos que recebia de todos os lados. A questão da deficiência, para ele, foi mais intimidadora do que a questão racial. Ele foi alvo de risadas, preconceitos e atitudes por considerá-lo um “alvo fácil”, mas decidiu não contar aos pais o que sofria na escola por receio de causar mais preocupações. O fato só veio a conhecimento quando Nicolas publicou em 2024 o livro Now that I have your attention: 7 lessons in leading a life bigger than they expect, em que narra a vida com paralisia cerebral, sua trajetória no BTCC e lições de vida sobre resiliência e autoaceitação.

Por vários momentos, os pais se afastaram para que Nic driblasse os próprios obstáculos por conta própria, o que chamou de “bênção disfarçada”. “Você precisa cair, precisa falhar, precisa passar por alguma dor, seja física ou mental, para se construir como ser humano. E aí acabei encontrando meu próprio caminho”, afirmou Nicolas em entrevista ao ITV Sport, em 2025.

Seu lugar nas pistas
Com a Team Hard, Nic tornou-se o primeiro atleta com deficiência a competir no BTCC, o primeiro a marcar pontos e alcançou um 6º lugar em Donington Park em 2023, o principal destaque da carreira. A conquista foi essencial para Nicolas reafirmar seu lugar no automobilismo britânico, visto que é constantemente atacado por comentários nas redes sociais, dizendo que “tudo era perda de tempo” ou que “ocupava o lugar de quem realmente deveria competir”. 

Os olhares maldosos não desapareceram com o estabelecimento na carreira. A intimidação online e os grandes problemas financeiros e estruturais da equipe levaram Nicolas à novamente se afastar das competições em 2023, em uma saída antecipada da equipe Go-Fix com AutoAid Breakdown. Mesmo com os feitos e as conquistas, havia o ataque, e o piloto sentiu-se vulnerável e às vezes rejeitado, “simplesmente, porque, por algum motivo, não me foi dado o que os outros tiveram”, afirmou.

“Depois de ter que sair do campeonato após o meu resultado histórico de P6 em 2023, entrei em um lugar muito difícil mentalmente, onde qualquer pensamento de corrida e voltar ao grid parecia inatingível”, disse o piloto em postagem nas redes sociais. Para conseguir superar o trauma de ter interrompido o seu sonho no melhor momento de sua carreira, ele revelou ter recorrido à terapia para recuperar a sua saúde mental e focar novamente em captar patrocinadores.

Após um ano e meio afastado, Nicolas retornou à série em 2025, desta vez pilotando um terceiro carro para a Un-Limited Motorsport, decisão que também visa inspirar uma nova geração de pilotos.

Sobre ser voz de uma comunidade
Além de piloto, Nicolas Hamilton, também é autor e palestrante motivacional, cujo foco é aumentar a acessibilidade e a representatividade de pessoas com deficiência no automobilismo, não apenas como pilotos, mas em todas as funções do esporte. Como palestrante, Nicolas viaja o mundo falando para grandes empresas e divulgando a própria história com o intuito de inspirar mais pessoas. Ele segue o propósito de levar mais acessibilidade e inclusão para o esporte a motor, gerando aceitação.

“Acredito que o motivo de eu estar aqui hoje é para usar minha condição para inspirar outras pessoas, e eu uso isso através do meu esporte a motor”, disse Nicolas Hamilton em entrevista à jornalista Natalie Pinkham, da SkySports, em outubro de 2024.

Ao falar de representatividade, Nicolas reconhece que hoje é uma figura de inspiração que ele próprio não teve quando criança, como na escola, ao olhar em volta e não conseguir se identificar. Para ele, é importante ter pessoas com quem se identifique e enxergue nelas vulnerabilidades em comum para entender que “está tudo bem se sentir assim” e, com isso, validar seus sentimentos, impressões e o que possa estar relacionado à saúde mental, estas que são lutas diárias em comum.

Apesar dos elogios e do reconhecimento, ser alvo de negatividade e preconceito ainda está presente na vida e na carreira de Nic, mesmo após anos, seja pela condição física ou por resultados, sendo acusado até de estar “desperdiçando uma vaga”.

Nicolas orgulha-se de ser o primeiro atleta com deficiência a correr e pontuar no Campeonato Britânico de Carros de Turismo (BTCC), além de alcançar resultados expressivos, como o 6º lugar na categoria em 2023 e o troféu conquistado neste ano. Para ele, é “basicamente vencer pessoas sem deficiência no próprio jogo delas.”

Estar em um carro de corrida não se resume a alcançar conquistas, mas também está relacionado à missão de ajudar outras pessoas, servindo de exemplo e levantando questões importantes para não reforçar limitações, mas sim gerar oportunidades e acolhimento. Como ainda é o único negro e pessoa com deficiência no BTCC, Nicolas espera criar um legado mais diverso e acessível no automobilismo, trazendo mais pessoas e dando a elas oportunidades.

Ainda ao ITV Sport, Nicolas Hamilton conclui: “Quero ser a pessoa que iniciou essa mudança e simplesmente desaparecer. Eu não quero ser conhecido por isso nem colher os frutos desse trabalho. Só quero facilitar as coisas para a próxima geração”.

Nicolas luta pela inclusividade no automobilismo partilhando da própria história e experiência.
(Foto: Antoine de Cardaillac/ Wikimedia Commons)

Naquele 24 de maio de 2026, o circuito de Snetterton presenciou Nicolas erguer o Troféu Jack Sears, consagrando anos de luta por um lugar no automobilismo que fosse unicamente seu. 

“Não vou parar, mas ficaria muito feliz em pendurar minhas chuteiras, luvas e capacete depois deste fim de semana, sabendo que realizei o sonho de um garotinho a quem disseram que ele nunca andaria. (…) Para todos na comunidade de pessoas com deficiência, espero que isso sirva de inspiração, mostrando o que é possível”, disse em entrevista ao BTCC.

Alegria essa que foi compartilhada pelo irmão, que declarou após a conquista: “Liguei-lhe assim que a corrida acabou. O esporte a motor não foi feito para ser inclusivo. Há pouco ou nenhum acesso para pessoas com deficiência e nenhum sistema de apoio para nivelar as condições de jogo. Isto é algo que muitos consideram garantido. Apesar disso, apesar das barreiras e das pessoas que lhe disseram que não era possível, ele nunca parou. Ele lutou. Ele se adaptou. Ele provou que eles estavam errados. (…) Te amo, irmão. Continua.”

A recusa de Nicolas em colher os louros perpétuos dessa posição reflete sua consciência sobre o papel que quiseram lhe impor. Ele não quer ser  uma figura de estimação do automobilismo britânico, a única foto colorida em um álbum homogêneo. Sua meta é abrir a porta de tal forma que sua própria presença deixe de ser um evento extraordinário e passe a ser apenas o começo de um grid verdadeiramente plural.

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