A paixão que move a presença feminina no automobilismo brasileiro

Erika Prado, Laiza Villaça e Rachel Loh compartilham do encantamento pelo esporte a motor e mobilizam ações para a inclusão de outras mulheres nas categorias

Gostar de automobilismo significa mergulhar em um universo repleto de possibilidades. São inúmeras categorias, equipes e até mesmo diferentes áreas de atuação. Mas quem acompanha o esporte sabe também que, por trás de toda estratégia, adrenalina e carros na pista, há um espaço historicamente elitizado e excludente, marcado pela desigualdade de gênero, raça e por questões socioespaciais.

Imagine, então, ser uma mulher que gosta de automobilismo e por muitas vezes não se sentir representada ou até invisibilizada? Em corridas, gráficos, entrevistas e análises, os nomes e rostos femininos ficam em segundo plano. Por muito tempo, o automobilismo parecia ser um esporte onde não havia lugar para as mulheres, mas elas se fizeram presente…

Desde Maria Teresa de Filippis, a primeira mulher a pilotar um carro de F1 em 1958, até Bia Figueiredo, primeira campeã da Copa Truck em 2024. Com Mariana Becker e Julianne Cerasoli se estabelecendo na cobertura da maior categoria automobilística, ao passo que Hannah Schmitz desponta como uma das principais estrategistas da atualidade.

Rachel Loh e Erika Prado, renomadas engenheiras mecânicas, iniciaram no ramo automobilístico em meio a um cenário restrito, com poucas referências femininas. Laiza Villaça, por outro lado, encontra na comunicação e no meio acadêmico como plataforma para expor as lacunas que ainda existem, discutindo a urgência de um ambiente mais inclusivo e diverso. Essas mulheres transformaram suas paixões em potencialidade, não só para alcançar conquistas pessoais, mas também para impulsionar outras mulheres.

Conexões que geram acolhimento
Os desejos de identificação e pertencimento estão entre os anseios mais pulsantes no mundo do automobilismo. Especialmente entre o público feminino, a percepção mais evidente é a importância do apoio, do incentivo e da visibilidade para a permanência em um campo que por vezes parece tão solitário.

É nesse momento então que as descobertas e os encontros se tornam parte essencial desta experiência. A descoberta de novas possibilidades de exercício, de ir além do esperado. O encontro entre propósitos, sonhos e intenções. Tudo isso faz parte da rotina de quem trabalha com automobilismo e vive o dia a dia do esporte a motor.

Erika Prado iniciou a faculdade de Engenharia Mecânica por gostar de carros, sem pretensões iniciais de trabalhar com automobilismo. Porém, aos 19 anos, ao vivenciar a experiência de uma corrida da Indy no Sambódromo do Anhembi, Erika pôde entender um pouco mais sobre as múltiplas possibilidades do automobilismo e ficou fascinada pelo ambiente de corrida e trabalho em equipe.

Ela passou a acompanhar a Fórmula 1, a categoria mais avançada do esporte a motor, e ampliou seu contato com outras competições da área. Erika então fez um curso de esporte a motor promovido pela Porsche Cup, iniciando sua trajetória no automobilismo ao começar no kart e nos campeonatos regionais do Campeonato Paulista.

Entre novas descobertas e o início de sua carreira em competições automotivas, Prado conheceu Rachel Loh durante uma visita ao box da A.Mattheis em 2018, quando foi como credenciada como imprensa “A Bia [Figueiredo] apareceu na Stock Car e ela já apareceu com a Rachel de engenheira dela, então para mim foi muito emblemático. Eu falei ‘pô, existe uma engenheira mulher’. Tudo bem, era só uma, mas não interessa. Ela existia, ela estava lá.”, revelou Erika.

Rachel Loh (ao centro, de branco) é mecânica de Bia Figueiredo (de preto), campeã da Copa Truck na categoria Elite em 2024.
(Foto: acervo pessoal)

Rachel Loh é engenheira de Bia Figueiredo na ASG Motorsport, além de ser parte da comissão técnica da Fórmula 1, da Fórmula E e membro da Comissão Feminina de Automobilismo (CFA). Mas apesar do currículo extenso na área, Rachel nem sempre teve certeza em relação a qual carreira seguir profissionalmente.

“Meu pai era engenheiro e ele falava que a engenharia abria muitas portas para o profissional. Eu era muito boa em exatas, então eu falei ‘ah, eu vou fazer engenharia’, mas não porque eu queria ou porque eu gostava, mas por falta de opção.” explicou.

Rachel, que sempre fora uma boa aluna, logo se viu em uma encruzilhada ao reprovar em Cálculo 1 e passar a se sentir desmotivada com o curso. Isso até conhecer o projeto Baja, onde os alunos trabalhavam no projeto e na construção de um protótipo off-road, e encontrar nessa atividade de extensão a possibilidade de trabalhar com automobilismo, aproveitando uma característica própria da carioca: a competitividade. A partir disso, Rachel foi de cabeça aberta, abraçou as oportunidades e encontrou seu caminho no esporte a motor.

Rachel Loh encontrou no Baja uma grande motivação durante a faculdade de engenharia mecânica.
(Foto: acervo pessoal)

Laiza Villaça é estudante de jornalismo, social media e pesquisadora, com foco na celebração da presença e conquistas de pessoas negras no automobilismo. Ela enxerga sua paixão pela área como algo que vai além, que é mais impactante e revolucionário do que o próprio esporte por tudo aquilo que significa e representa.

A pesquisa de Laiza dá origem a projetos como Black Girls Like Racing e Afro Pitstop, onde ela encontra espaço para se expressar e falar sobre representatividade, resistência e pertencimento. Essas iniciativas existem também para que outras pessoas negras possam se enxergar pertencentes em lugares que já lhe foram negados muitas vezes.

“Quando eu estou no autódromo e eu vejo uma outra pessoa negra, eu me sinto muito mais feliz por estar ali. Eu sinto que posso abaixar um pouco da minha guarda, [deixar] de ser séria o tempo todo para não destoar, e ali eu posso ser mais sensível e dividir mais. (…) É você ver e perceber que a sua ideia, a sua visão sobre mudança, de que ela precisa acontecer, está acontecendo. E ter a prova de que isso está acontecendo, porque você vê essas pessoas parecidas com você ali.”

Laiza Villaça é estudante de jornalismo e pesquisa sobre a presença da cultura negra no automobilismo.
(Foto: acervo pessoal)

A necessidade de questionar e ultrapassar desafios enraizados socialmente
É difícil se sentir pertencente em um lugar onde sua presença é questionada a todo momento. Desde pequenos somos ensinados que “meninas brincam com bonecas e meninos brincam com carrinhos”, e então, quando uma mulher demonstra interesse numa área que antes não lhe fora oferecida como opção, observam-se momentos de tensão que por vezes se tornam constrangimentos.

Culturalmente, a ideia de trabalhar com carros é frequentemente associada à figura masculina. Como consequência disso, os ambientes relacionados ao esporte ao motor, como fábricas, oficinas, garagens, autódromos e pistas, se tornaram hostis à presença de mulheres. E não bastasse isso, o acesso a materiais e mentorias para o desenvolvimento feminino no automobilismo ainda é muito restrito.

Por exemplo, de acordo com pesquisas do More Than Equal, iniciativa que atua no ingresso de mulheres e meninas no automobilismo, atualmente, as mulheres representam em média apenas 10% entre todas as categorias de competição. A falta de incentivo, especialmente financeiro, e de acesso às categorias de base, podem ser fatores que explicam a baixa presença de mulheres no campo.

Rachel Loh destacou que um dos pontos mais desafiadores em sua carreira foi o processo de capacitação para trabalhar com automobilismo. Durante os 10 primeiros anos de sua trajetória, ela foi autodidata com pouquíssimo acesso a livros, que em boa parte eram recebidos por meio de doações de engenheiros que se sensibilizam com seu empenho em aprender.

“Não as pessoas que estavam comigo, mas as pessoas em volta estavam sempre emanando aquela energia de ‘seu lugar não é aqui’ e ‘você não vai conseguir’. Então eu me colocava uma pressão tão grande de ‘você não pode errar’ e não só eu não podia errar, [eu também] tinha que aprender e eu tinha que me diferenciar. Eu falei ‘o que eu posso fazer de diferente para sobreviver aqui?”

“Nós existimos”
Como uma mulher negra no automobilismo, Laiza Villaça descreve sua vivência como solitária. Diante da falta de representação, ela se incomoda ao ser seguida por seguranças, pelos olhares estranhos para seu cabelo, ou ainda pelos espaços de subserviência que lhes são atribuídos. “Eu me sinto muito mal por ir ao banheiro e só ver mulheres parecidas comigo limpando ou quando tem aqueles estandes e só ver elas ali, trabalhando de freelancer servindo alguém. Onde estão as mulheres negras no automobilismo?”, comentou a pesquisadora.

O questionamento de Laiza, ressalta uma importante discussão acerca da diversidade nesse esporte: a importância da representação positiva para inspirar meninas a perseguir suas paixões. “É uma pergunta tão óbvia, mas por que ninguém tem coragem? Eu pergunto uma mulher negra e não sabe me dizer, sendo que existem várias mulheres negras que já foram pilotas e que são engenheiras. Mulheres negras que estão construindo uma nova geração de jornalistas negras no automobilismo. Então assim nós existimos”, continua.

Diante dessa sub-representação, Laiza decidiu focar não apenas nas pautas excludentes, que as afastam do automobilismo, mas em celebrar as que estão presentes e incentivar as demais. “É sobre olhar os bastidores, entender as dificuldades e também trazer esses nomes e celebrar a presença deles”, explica.

Além pesquisadora, Laiza também atua como social media nas etapas de categorias que ocorrem no Brasil.
(Foto: acervo pessoal)

A barreira da igualdade racial no automobilismo
A representatividade no esporte a motor assume camadas ainda mais profundas quando se adiciona o recorte racial. Os grids de largada são compostos majoritariamente por pessoas brancas, e nas garagens das equipes a situação não é diferente. Ao olhar os bastidores desses eventos automobilísticos, é possível perceber a presença de pessoas negras restrita quase exclusivamente a trabalhos terceirizados, como limpeza ou segurança.

Um relatório da iniciativa The Hamilton Commission, publicado em 2021, estimou que a proporção de pessoas negras na Fórmula 1 era menos de 1%. O heptacampeão Lewis Hamilton, único piloto negro da categoria e idealizador do projeto, levanta um questionamento importante logo nas primeiras páginas do estudo: “Se existem tantos trabalhos e tantos caminhos diferentes nessa indústria, por que é que vemos tão poucas pessoas negras?”

A resposta pode estar na falta de incentivo e democratização da participação dessa parcela da população. O acesso às categorias é diretamente ligado à elite branca, herdeira e rodeada de privilégios, ao passo de que pessoas negras são excluídas desses ambientes por questões culturais, sociais e históricas.

Outro aspecto que inviabiliza a representatividade racial no esporte é a discriminação midiática. Sem as mesmas condições, sejam elas incentivos financeiros ou referentes às oportunidades de trabalho, as realizações e avanços da população preta no mundo do automobilismo acabam sem o destaque ou reconhecimento merecidos.

No Brasil e no mundo, pessoas negras muitas vezes não se enxergam no ambiente do esporte a motor. Falta apoio nas categorias de base, falta incentivo na democratização e no acesso, falta inclusão nas pistas e nos autódromos, falta visibilidade. Existe uma parcela gigantesca de fãs do esporte que não se sentem vistos ou representados.

Foram questões como essas que levaram Laiza Villaça a estudar sobre a presença de pessoas negras no automobilismo. “A pesquisa veio para responder essas perguntas de ‘cadê os pretos de lá’, sabe? ‘Será que não tem preto lá?’ Então eu cavei mais fundo do que era mostrado, fui para os bastidores e vi que muitas pessoas negras fazem parte desse universo.”

Essas referências, no entanto, muitas vezes são apagadas da história e não recebem o reconhecimento merecido por motivos discriminatórios. A junção dessa condição com o fato de que pessoas negras são excluídas do privilégio de receber o preparo para o desenvolvimento na área, explica parcialmente o fato de vermos tão pouca representação na pista.

Observando a restrição da presença de pessoas pretas no campo, Laiza decidiu promover a celebração daqueles que estão no esporte, como forma de incentivar a aproximação de uma camada que ainda se sente muito excluída.

“Celebrar é perceber mulheres negras nesse ambiente de automobilismo e mostrar para elas o quão poderosas elas são por estar ali, como a imagem delas é gigante e como elas mostram para outras meninas que está tudo bem você ir como o seu cabelo cacheado, crespo ou de tranças para o autódromo. Está tudo bem também você usar roupas que remetam à sua personalidade e a sua ancestralidade. E você também pode correr atrás de uma formação para estar ali, porque você pode trabalhar em áreas de saúde, comunicação, de engenharia, mecânica… São tantas áreas e todas essas áreas, elas são também para você.”

Para Laiza, as experiências mais marcantes no automobilismo ocorrem quando ela se sente verdadeiramente representada.
(Foto: acervo pessoal)

Laiza destaca também a importância de ver pessoas parecidas com ela, que compartilham dos mesmos desejos, vontades e aflições naquele mesmo espaço, e de como esse fator é essencial para a permanência no esporte.

“É o aquilombamento, né? Esse sentimento de você encontrar outras pessoas parecidas com você é tão poderoso que é surreal. Então eu digo que as minhas referências são as minhas amigas, as minhas referências são cada uma delas. (…) É muito poderoso porque você tem amigas que são parecidas com você e isso torna tudo mais real.”

Mudança requer atitude
As trajetórias de Rachel, Erika e Laiza refletem a evolução contínua acerca da presença feminina no esporte a motor. Apesar dessa evolução, o cenário ainda é desigual e opressor. Portanto, faz-se necessário mais, para que as mulheres se sintam acolhidas e motivadas.

É um desafio que não pode ser atribuído a apenas uma pessoa ou a um órgão oficial, pois isso depende de uma ação conjunta em várias frentes, cada uma com o seu papel, seja a mídia, agentes oficiais e extraoficiais ou a sociedade. Mas Rachel também faz um chamado: “Não espere se sentir representada. Seja você a representação. Vai lá e inspire as outras mulheres. Vai lá e se faça sentir-se bem. Vamos trabalhar isso? O que a gente precisa para resolver isso?”

É preciso ser a mudança que se espera. Ainda que existam obstáculos — e, sim, eles continuam existindo — devemos revolucionar esse espaço e reivindicá-lo como nosso, como afirma Laiza: “A sua visão sobre a mudança de que ela precisa acontecer e está acontecendo, e você ter a prova de que isso está ocorrendo porque vê essas pessoas parecidas com você ali.

“Esse é o debate, sabe? A postura e o posicionamento vêm de você não se curvar ao ambiente, mas mostrar que você vai chegar nele. Você vai fazer parte dele, independentemente de estar conforme ele quer ou não.”

Mas ter uma rede de colaboração é um diferencial para essas mulheres. Desde a companhia no autódromo, os programas de incentivo e treinamento, essenciais para qualquer piloto, e o apoio mútuo entre o público feminino. Cada grupo de afinidades carrega consigo necessidades únicas, como o Black Girls Like Racing, uma comunidade de meninas negras unidas pela mesma paixão. “Acho que as pessoas têm que ser livres para criar isso e expressar isso”, comenta Rachel. Ter uma companhia ao caminhar pode tornar o caminho mais leve.

A engenheira ainda destaca a importância de se unificar as forças e chegar em novos lugares, e cabe às entidades oficiais agirem como órgão unificador dessas iniciativas. Segundo o levantamento do projeto More Than Equals, 69% dos participantes da pesquisa acreditam que é responsabilidade da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) trabalhar para a inclusão de mulheres no esporte.

No entanto, tirar as equipes da inércia é o maior desafio, aponta Rachel. “Tem que ter programa sim. Tem que enfiar goela abaixo.” Infelizmente, as equipes empregam resistência às tentativas de inserção de mais mulheres nesse meio. Assim como fora criticada a W Series, a dita inviabilidade financeira para a F1 Academy — categoria feminina para seu desenvolvimento — e a resistência gigantesca aos possíveis futuros projetos, como a obrigatoriedade de se ter na equipe um piloto homem e uma mulher. Isso reflete diretamente na progressão dessas pilotas, que se vêem em condições díspares de oportunidades de progredir no mesmo ritmo para as principais categorias do mundo.

Erika (à esquerda) e Rafaela Ferreira, pilota brasileira que estreou na F1 Academy em 2025 após dois anos na Fórmula 4 Brasil.
(Foto: Rafa Catelan)

Elas representam 10% em todas as categorias de competição. Ainda que continuem, elas não estão progredindo na mesma proporção para os principais rankings de talentos do esporte. As motoristas femininas atualmente representam apenas 4% desses talentos, informa o relatório da More Than Equal, que complementa: “Com base nos números atuais, sem uma intervenção significativa, as chances de uma mulher chegar ao topo são incrivelmente pequenas”.

Hoje, mais que proporcionar condições igualitárias de participação, torna-se evidente reconhecer os impactos causados na preparação dessas atletas. Como reparar anos de defasagem no treinamento? A exemplo disso, Rachel comenta: “Infelizmente a defasagem das mulheres, ela ainda é um pouco grande. Gente, é estatística! Tudo isso é estatística. Quantas mulheres conseguem um recurso para estar andando de kart desde os 5 anos de idade, entendeu? As pessoas acham que essa bagagem não pesa, mas pesa. 90% dos pilotos é treino, não é talento. É um recurso que o cara teve para se capacitar, para treinar, tempo de pista e 10% talento. (…) Estatisticamente essas meninas não têm esse recurso. Se a gente for olhar a história das pilotas, a maioria começou até tarde.”

Diante disso está o esforço empreendido por essas mulheres e por diversas organizações que anseiam por uma transformação efetiva na realidade do automobilismo feminino. O relatório More Than Equal ainda aponta que para imaginar um futuro com um grid de participação igualitária entre os gêneros, isto é 50/50, a participação feminina precisaria crescer para 84% de toda a população global de corrida. “Provavelmente porque, à medida que o talento feminino progride no esporte, elas enfrentam barreiras significativas, além daquelas enfrentadas pelos pilotos homens”, explicam.

Para essa virada de chave, primeiramente é preciso reconhecer a urgência da discussão sobre a equidade de gênero no automobilismo, promovendo uma reflexão profunda sobre as barreiras históricas enfrentadas pelas mulheres nesse meio.

A pesquisa de Laiza Villaça reconhece as raízes do problema como parte fundamental do processo de ressignificação. Ela realiza um resgate histórico de tudo aquilo foi ou não feito por esse esporte e as pessoas que passaram por ele, pois isso reflete na forma como esses grupos são considerados hoje.

“Não nego o passado, e eu sinto que é o passado que nos impulsiona a entender e fazer melhor. Os desafios são registros e reconhecimento.”

A partir disso, é fundamental que se estabeleçam ações concretas para garantir um espaço justo, com políticas de incentivo, programas de acesso, visibilidade positiva e apoio — financeiro, moral, psicológico — que possibilitem o desenvolvimento pleno do talento feminino, independente da área de atuação, ainda que apenas como fã. O esporte tem que ser aberto para todas.

Uma dessas ações é o Girls Like Racing, idealizado por Erika Prado. Assim como Bia Figueiredo e Rachel Loh fortaleceram sua carreira, Erika gera oportunidade para que outras mulheres possam conhecer o trabalho dentro do automobilismo em diversas áreas. O projeto fomenta uma rede de colaboração entre as participantes, que conhecem a iniciativa e atraem novas interessadas. “O maior legado da ação é vocês para vocês mesmas. Para cada uma mulher interessada indicada por outra mulher, tem 10 caras indicados por outros 10 caras. Assim é todo esse crescimento tanto da base de fãs, quanto das profissionais femininas no esporte”, explicou.

Segundo Erika, a atuação profissional feminina dentro do motorsport é majoritariamente promovida e causada por mulheres: “As meninas me fortaleceram muito no amadurecimento da minha carreira como engenheira de automobilismo, e eu quis trazer de volta para elas a oportunidade de estar ali do lado de dentro e de conhecer. Acho que foi nesse embasamento que eu e a Rachel nos juntamos para poder trazer as meninas e fazer as ações que a gente faz em pista hoje em dia”.

Laiza ainda complementa, falando sobre o impacto desses movimentos nas categorias. “Estamos mudando esses lugares que nos colocaram. Estamos mostrando que não seremos vítimas da história única. E é isso é amargo, mas também é muito revolucionário”, diz Laiza, orgulhosa da transformação que ajuda a promover.

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