
Por Ingrid Mensil, estudante de jornalismo da UFMG
A potiguar Victória Barros anunciou que se dedicará integralmente ao circuito profissional da WTA a partir da próxima temporada. Embora ainda tenha mais um ano de elegibilidade na categoria júnior em 2027, a atleta e sua equipe pretendem abrir exceções no calendário apenas para disputar Roland Garros e Wimbledon juvenil, torneios que funcionarão como um ciclo de despedida. Aos 16 anos e consolidada como a quarta colocada do ranking mundial juvenil, a tenista também é 827ª colocada no ranking de simples da WTA.
Paralelamente às conquistas na base, Victória vem construindo passos consistentes no circuito adulto. Ela estreou em torneios profissionais da ITF aos 14 anos e entrou no ranking da WTA em novembro de 2024. Com projeção para o 819º lugar na próxima atualização do ranking, a potiguar já conquistou dois títulos profissionais de duplas na carreira: o ITF W15 de Antalya, na Turquia, ao lado da turca Ada Kumru, e o ITF W15 de Campos do Jordão, no Brasil, em parceria com a chinesa Lan Mi. Em simples, seu melhor resultado entre as adultas foi o vice-campeonato no W35 de Antalya e as quartas de final no ITF W35 de Barueri.
A escolha marca o início de uma nova fase para o tênis feminino brasileiro, liderado por Victória e pela paulista Nauhany Silva, a Naná, também de 16 anos. Ambas encerram a temporada no top 10 mundial juvenil. Ao longo do ano, as duas jovens atletas alcançaram marcas históricas e estabeleceram novos recordes para o país nos quatro Grand Slams da temporada.
No Australian Open, Naná optou por não disputar a chave juvenil por decisão técnica para priorizar o calendário profissional, enquanto Victória venceu na estreia contra a australiana Jizelle Sibai por 6/4 e 7/6 (3), mas precisou se retirar antes da segunda rodada devido a uma lesão na panturrilha esquerda, o que também a tirou da chave de duplas, na qual era a segunda cabeça de chave ao lado da francesa Ksenia Efremova.
Em Roland Garros, Victória brilhou ao alcançar as semifinais de simples no saibro de Paris e igualou o feito de Dadá Vieira em 1987 como a melhor campanha de uma brasileira no torneio juvenil em quase quatro décadas, parando apenas diante da chinesa Xinran Sun. Na mesma competição, Naná avançou até as oitavas de final, registrando a melhor campanha em Grand Slams até então, antes de cair para a espanhola Charo Esquiva Banuls em três sets.
Na grama de Wimbledon, Naná foi superada na estreia pela americana Olivia Traynor, enquanto Victória caiu na segunda rodada diante da romena Maia Burcescu em uma batalha decidida por 6/3, 7/5 e 7/6 (10-4). O grande momento da dupla no torneio britânico aconteceu na chave de duplas, onde alcançaram o vice-campeonato e protagonizaram a primeira final de duplas juvenis do Brasil na história dos Majors, quando foram derrotadas no match-tiebreak pelas tchecas Jana Kovačková e Kateřina Zajíčková.
Fechando o ciclo dos Grand Slams no US Open, Victória caiu na primeira rodada de simples para a americana Annika Penickova por 6/3 e 6/4. Naná, por sua vez, fez história ao atingir as quartas de final de simples, feito inédito para o país no torneio nova-iorquino. Juntas, elas chegaram às quartas de final na chave de duplas.
Recentemente, as promessas brasileiras testaram o entrosamento no circuito adulto ao disputarem o SP Open, no Parque Villa-Lobos. Em simples, Naná alcançou as oitavas de final, enquanto Victória parou na estreia. Atuando juntas nas duplas, elas avançaram até as quartas de final, quando caíram diante de Valeriya Strakhova e Anastasia Tikhonova, cabeças de chave número 2 do evento. A campanha rendeu 54 pontos no ranking da WTA para ambas: Naná salta para a 337ª colocação em duplas e Victória sobe mais de 400 posições, aproximando-se do top 650.
Para o futuro próximo, Victória focará sua transição de forma definitiva no circuito adulto, enquanto Naná adotará uma transição mais gradual, dividindo seus compromissos em quadra entre eventos da WTA e torneios juvenis, com presença confirmada na chave júnior do Australian Open.
Expediente
Redação: Ingrid Mensil
Edição: Rafaela Souza
Coordenação: Ana Carolina Vimieiro