A construção do sucesso: CTE/UFMG atende cerca de 110 paratletas e conquistou duas medalhas em Paris 2024

Nos jogos paralímpicos de Paris 2024, três atletas do CTE/UFMG representaram o Brasil e dois deles subiram ao pódio. 

Por Ana Luiza Nunes e Isabella Neres

Os Jogos Paralímpicos 2024 aconteceram em Paris, de 28 de agosto a 8 de setembro. O evento contou com mais de 4 mil dos melhores atletas paralímpicos do mundo, que competiram em 22 modalidades. O Brasil conquistou 89 medalhas, número recorde na história do país, sendo 25 ouros, 26 pratas e 38 bronzes, e terminou na quinta colocação do quadro de medalhas.

De acordo com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), a edição teve o maior número de inscritos, com 280 esportistas. Entre eles, estavam três paratletas que treinam no Centro de Treinamento Esportivo (CTE) da UFMG. 

Ana Carolina Moura trouxe a medalha de ouro no parataekwondo (categoria 65kg) e Arthur Xavier Ribeiro conquistou o bronze na natação. Izabela Campos competiu nas modalidades lançamento de disco e arremesso de peso, e ficou na 4ª e na 6ª colocação, respectivamente.

Os paratletas são atendidos pelo projeto de extensão “Esporte Paralímpico de Alto Rendimento: Formação de Atletas, de Recursos Humanos e Desenvolvimento de Pesquisa”, abrigado pelo CTE desde dezembro de 2018. 

Andressa da Silva Mello, coordenadora do projeto, afirmou que os grandes resultados já eram esperados: “Esse é o nosso foco, essa é a nossa missão: ter representatividade na maior competição para pessoas com deficiência, que é a Paralimpíada”.

Andressa da Silva Mello, com a camisa do projeto, em pé, na frente do prédio do CTE | Foto: Ana Luiza Nunes e Isabella Neres

Andressa da Silva Mello, com a camisa do projeto, em pé, na frente do prédio do CTE | Foto: Ana Luiza Nunes e Isabella Neres

Andressa é professora do Departamento de Esportes da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO) da UFMG e atua há quase duas décadas na área de esportes paralímpicos. Ela trabalhou 15 anos como fisioterapeuta no Comitê Paralímpico Brasileiro e completou seu quinto ciclo paralímpico em Paris. 

“A minha formação foi voltada pro alto rendimento com atletas paralímpicos e eu queria transferir um pouquinho dessa experiência aqui na Universidade”, declarou a docente.

Atualmente, o CTE atende em torno de 110 paratletas, a partir dos oito anos de idade, com deficiência física, visual ou intelectual. São contempladas as modalidades halterofilismo paralímpico, parataekwondo, atletismo paralímpico e natação paralímpica. Os paratletas são acompanhados desde a iniciação no esporte, passam pela preparação para disputar competições, até chegarem ao alto rendimento.

“É questão de treinamento, de foco, de disciplina e de oportunidade para que esse atleta com deficiência possa ir caminhando nessa transição até chegar numa equipe que é organizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e fazer competições internacionais”, explicou Andressa. 

Em 2019, a instalação se tornou o primeiro Centro de Referência Paralímpico do país. O título de relevância nacional e o sucesso nas Paralimpíadas 2024 podem ser atribuídos à infraestrutura e ao trabalho de uma grande equipe multidisciplinar que preza pela segurança e saúde dos atletas. 

“O que a gente tem a oferecer é toda essa ‘big’ estrutura da universidade. Além disso, as nossas mentes brilhantes. Nossos professores são grandes desenvolvedores de metodologias, são grandes estudiosos de evidências científicas na área do esporte e a gente aplica essas evidências nas mais variadas dimensões aqui dentro”, afirmou a coordenadora do projeto.

Pista de Atletismo do CTE/UFMG | Foto: Ana Luiza Nunes e Isabella Neres

Os paratletas chegam ao CTE por meio de duas seleções anuais realizadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, mas o centro também conta com algumas parcerias que encaminham pessoas a todo momento: “A gente tem parceria com hospitais de reabilitação, como a Rede SARAH, por exemplo, e também com a Associação Mineira de Reabilitação. Nós temos uma grande missão aqui com o projeto, que é incluir essas pessoas com deficiência na sociedade por meio do esporte”.

A história e preparação de Arthur Xavier até Paris 2024

Arthur Xavier, de apenas 17 anos, conquistou a medalha de bronze em sua primeira Paralimpíada, no revezamento 4×100m livre S14 (atletas com deficiência intelectual), junto com Ana Karolina Oliveira, Beatriz Borges Carneiro e Gabriel Bandeira. Além de subir ao pódio, o grupo quebrou o recorde das Américas, com o tempo de 3min47s49. 

Arthur Xavier em pé na frente da piscina que treina no CTE | Foto: Ana Luiza Nunes e Isabella Neres

Para o atleta, a conquista não foi uma surpresa, mas, sim, o resultado de muita preparação. “Foi com muito treino, dedicação… Eu esperava os tempos que iriam sair lá, e saíram, foi muito bom. E foi muito gratificante, né? Sensação de que não foi em vão”, disse Arthur. 

O trabalho do nadador com foco em Paris começou em janeiro deste ano. Ele teve a oportunidade de competir em campeonatos internacionais e adquirir conhecimento e experiências. “A minha rotina de treino foi de segunda a sábado, e segunda e quinta era academia”, explicou o jovem.

Arthur começou a nadar com quatro anos, por indicação médica. No início era um hobby, mas acabou virando uma profissão quando ele passou a competir: “Eu vi que ali era o meu lugar, que era ali que eu conseguiria me dar bem mesmo. Eu me encontrei”. Ele se tornou um paratleta do CTE, oficialmente, na metade do ano de 2023.

Após conquistar o pódio paralímpico, o nadador busca evoluir cada vez mais dentro do esporte: “Atualmente eu vou correr atrás de pegar as primeiras colocações, subindo escadas, né? Não tem como pedir uma coisa tão grande por agora, mas no futuro eu também quero um recorde, ser campeão, o que é bem possível”. 

CTE já começa a projetar o próximo ciclo paralímpico

Já para o CTE, é hora de se organizar para as próximas competições. “Nós estamos no momento de planejamento para o próximo ciclo, buscando dar cada vez mais condições para os nossos atletas, trazer inovações e, sem dúvida, a gente espera que mais paratletas se tornem atletas paralímpicos”, explicou Andressa. 

O centro de treinamento também aproveita a visibilidade que os pódios trouxeram para os próprios atletas, para a UFMG e para a EEFFTO. “A procura também aumenta. O parataekwondo não era muito conhecido, mas quando a Carol ganhou a medalha de ouro começou a ser mais procurado”, declarou a professora.

Com as vitórias, Andressa afirma que o time do CTE ganha mais segurança e certeza de que está no caminho certo para continuar transformando vidas através do esporte e levar o melhor para os paratletas. 

“A gente foi aprendendo muito ao longo dos anos. O quanto que muda a vida, muda caminhos, vira páginas para essas pessoas com deficiência. Para a gente é oferecer uma atividade física adaptada, oferecer um esporte paralímpico, mas para eles muda a vida.”, finaliza.

Frente do prédio do CTE/UFMG | Ana Luiza Nunes e Isabella Neres

Avatar de Desconhecido

Autor: labcomunicesp

O Laboratório de Comunicação e Esporte é uma disciplina de graduação ofertada anualmente no Departamento de Comunicação Social (DCS) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pela professora Ana Carolina Vimieiro.

Deixe um comentário