por Carol Freire, estudante de Jornalismo da UFMG (@caafreiree)
O Brasil abriu a primeira semana da Liga das Nações de Vôlei Feminino (VNL) em grande estilo, ficando no primeiro lugar da tabela. Os jogos começaram na quarta-feira, dia 3 de junho, e se encerraram no domingo, dia 7, em Brasília. Nos primeiros dias de jogos, as brasileiras demonstraram alinhamento, com alguns erros mas que não foram o suficiente para serem derrotadas, apesar de deixarem passar alguns sets para as adversárias.

A seleção brasileira teve sua estreia contra a Holanda, vencendo por 3×1 com parciais de 25/17, 25/15, 25/27 e 25/23. Na segunda partida, contra República Dominicana na quinta-feira, o cenário de 3×1 se manteve, mas com as parciais de 23/25, 25/18, 25/11 e 25/15. No sábado, os resultados brasileiros, que já eram bons, melhoraram contra a Bulgária, vencendo por 3×0 com parciais de 25/23, 25/17 e 25/13.
Com o embalo de três vitórias seguidas e para fechar a primeira semana de jogos no Ginásio Nilson Nelson, o Brasil enfrentou o seu principal adversário, a equipe italiana. Numa partida emocionante que chegou ao tie-break, nossas meninas conseguiram vencer por 3×2, com parciais de 25/15, 25/22, 22/25, 24/26 e 15/12, superando a Itália pela primeira vez em mais de dois anos na VNL. A equipe europeia estava invicta nas três últimas edições da competição, com 39 vitórias consecutivas.

As brasileiras começaram a partida muito bem, desestabilizando as adversárias, chegando a abrir uma vantagem de 11 pontos, com o placar marcando 13/6. Mantendo uma constância excepcional de acertos, o Brasil chegou aos 20 pontos sem abrir vantagem para uma possível crescente italiana, fechando o primeiro set em 25/15 com o ponto de ataque no meio da quadra de Ana Cristina. No set seguinte, o Brasil se manteve estável e conseguiu garantir mais uma parcial, apesar de uma Itália mais consistente e sem tantos erros.
No terceiro e quarto set, as brasileiras sentiram a pressão de jogar contra a atual campeã Mundial, da Liga das Nações e Olímpica e, apesar de uma troca de pontos apertada, sem deixar o time adversário abrir tanta vantagem, o empate aconteceu e a partida foi ao tie-break. Durante a última parcial, prevaleceu o equilíbrio e o Brasil só conseguiu sair na frente no placar em 10/9, mas, a partir daí, não abriu margem para o erro e fechou a partida como a grande campeã do dia.
Em entrevista ao Globo Esporte, Julia Kudiess, uma das melhores pontuadoras nas partidas brasileiras, explica o motivo da vitória contra a Itália ser um grande combustível para as próximas etapas da VNL:
“Essa vitória foi muito importante. A gente errou muito no jogo. Tiveram momentos que o jogo estava na nossa mão, e a gente não podia ter deixado elas irem pra cima. Agora é celebrar e depois focar na próxima fase. A gente vinha de muitas derrotas para elas. A gente estava engasgada com elas.”
Gabi Guimarães, ponteira e capitã do time, foi poupada de todos os jogos da primeira semana, já que segue se recuperando de uma lesão na costela sofrida durante sua temporada no Conegliano, time em que atua na Europa e, apesar da torcida por sua inclusão no clássico Brasil x Itália, o técnico José Roberto reforçou a importância de mantê-la afastada por enquanto:
“Infelizmente, e com muito pesar, preferimos deixar a Gabi fora do jogo contra a Itália. Não é o momento de forçá-la. Gostaria que ela participasse do jogo porque a presença dela é importante como liderança. Mas, mesmo que seja para fazer só o fundo, prefiro não arriscar a Gabi de jeito nenhum.”
Apesar do afastamento, Gabi esteve presente em quadra durante o aquecimento do clássico e se manteve com forte torcida na arquibancada em todos os jogos da Seleção Brasileira.
Nos destaques em quadra, Julia Kudiess foi eleita a melhor bloqueadora e Nyeme Costa a melhor receptora da primeira semana da Liga das Nações. Julia marcou 22 bloqueios e Nyeme garantiu 81% de recepções positivas e 53% perfeitas. Já no quesito pontuação geral, três brasileiras ficaram entre as 20 melhores pontuadoras do campeonato: Julia Bergmann, com 70 pontos, Tainara, com 65 pontos, e Julia Kudiess, com 55 pontos.
Diante dos resultados, o Brasil se coloca em primeiro lugar na tabela, com 11 pontos.
| EQUIPE | PARTIDA JOGADAS | VITÓRIAS | DERROTAS | PONTUAÇÃO |
| Brasil* | 4 | 4 | 0 | 11 |
| Japão* | 4 | 4 | 0 | 11 |
| Itália* | 4 | 3 | 1 | 10 |
| República Tcheca* | 4 | 3 | 1 | 9 |
| Estados Unidos* | 4 | 3 | 1 | 8 |
| China* | 4 | 3 | 1 | 8 |
| Polônia* | 4 | 3 | 1 | 7 |
| Canadá* | 4 | 2 | 2 | 7 |
| Países Baixos+ | 4 | 2 | 2 | 6 |
| Bélgica+ | 4 | 2 | 2 | 5 |
| Turquia+ | 4 | 2 | 2 | 5 |
| Sérvia+ | 4 | 1 | 3 | 5 |
| Alemanha+ | 4 | 1 | 3 | 4 |
| França+ | 4 | 1 | 3 | 3 |
| Ucrânia+ | 4 | 1 | 3 | 3 |
| Bulgária+ | 4 | 1 | 3 | 3 |
| Tailândia+ | 4 | 0 | 4 | 2 |
| República Dominicana# | 4 | 0 | 4 | 1 |
Legenda:
* Zona de classificação (quartas de final)
+ Zona de permanência para 2027
# Zona de rebaixamento
As equipes entre a primeira e a oitava colocação serão classificadas para os playoffs ao final de toda a fase de grupos, que se encerra no dia 12 de julho, e o último colocado será rebaixado. As demais equipes, entre a nona e a décima sétima colocação, estão na zona de permanência para 2027, mas sem a participação na fase de mata-mata em 2026.
Agora, a segunda semana da fase de grupos da VNL acontece entre os dias 17/06 e 21/06 em Ancara na Turquia. A agenda do Brasil começa na quarta-feira (17/06) contra a França, na quinta-feira (18/06) enfrenta a Bélgica, no sábado (20/06) joga contra a China e finaliza a semana em um embate contra a Alemanha no domingo (21/06). Todos os jogos acontecem às 10h (horário de Brasília) e serão transmitidos pelo SporTV 2 e pela VBTV.
Para descontrair ao final de uma semana cheia de batalhas, as nossas meninas foram presenteadas com figurinhas delas na versão similar ao álbum da Copa do Mundo de Futebol e afirmam que seria uma ótima oportunidade de comercialização e apoio ao Vôlei Feminino. Será que a Confederação Brasileira de Vôlei também se anima com essa ideia para as próximas temporadas?
A maior “pedra no sapato” do Brasil, a Itália, já ficou para trás e agora as equipes só têm chance de se enfrentarem novamente na fase de playoffs. Outro grande embate contra as brasileiras, a Turquia, não tem tanta força quanto nas temporadas passadas, já que está atualmente na 11° posição da tabela, com duas derrotas, e nos anos anteriores costumava estar sempre entre as oito equipes classificadas e, muitas vezes, entre as quatro melhores. De acordo com o sorteio definido antes da competição, Brasil e Turquia não se enfrentarão na fase de grupos. Porém, Japão, tecnicamente empatado, e Estados Unidos, atual 5° colocado, também são rivais que costumam garantir jogos de muito equilíbrio contra a equipe brasileira e serão embates na terceira semana de confrontos, em Julho.
Seria essa a oportunidade do Brasil garantir seu primeiro título na Liga das Nações?
Os dados não negam que temos grandes chances, mas ainda há um longo caminho pela frente, muitos jogos a serem conquistados e pontos a serem somados.